quarta-feira, janeiro 16, 2013

6º Seminário Aberto do Projecto Estranhar Pessoa












Vai ter lugar, no próximo dia 7 de Fevereiro de 2013, o 6.º Seminário Aberto do Projecto Estranhar Pessoa, com o tema "Assuntos Materiais" na Universidade Nova de Lisboa, FCSH. 

O programa completo (que conta com participações interessantes dos investigadores que estão a reunir o arquivo digital do Livro do Desassossego) pode ser consultado aqui.

terça-feira, janeiro 15, 2013

"Philosophical Essays: A Critical Edition" - Uma Apreciação Crítica












"Philosophical Essays: A Critical Edition" é uma edição muito recente, de Nuno Ribeiro, apresentada em Inglês e publicada originalmente em Nova Iorque. O livro reúne muito material inédito ligado ao tema da filosofia e outro já publicado, mas sem critério editorial rigoroso. 

Ribeiro inicia o livro com uma curta biografia de Pessoa (com ênfase na educação Inglesa), o que se compreende visto o mercado editorial que se pretende atingir. De seguida explica o critério utilizado na edição e como a filosofia se enquadra na obra de Pessoa. 

Desde logo há que esclarecer que estes "ensaios filosóficos" são, estritamente falando, ensaios de juventude, atribuídos (ou atribuíveis) a personagens também elas de juventude como são Charles Robert Anon e Alexander Search. Julgo que isto é indicativo do que é verdadeiramente enganador na influência filosófica em Pessoa - entender que ele escreveu sobre filosofia e apenas isso. O preferível é perceber que ele teorizou sim sobre filosofia, sobretudo por interesse de abordagem inicial, mas que depois a filosofia se parece ter infiltrado na sua poesia. 

Embora publicações deste género sejam muito valiosas, elas trazem o perigo de reduzir o papel da filosofia na obra de Pessoa. Se olharmos apenas para o que ele escreveu explicitamente sobre o tema seremos sempre levados para textos demasiado simplistas e de juventude, que lhe serviram sobretudo como aprendizagem (como quem escreve e copia para memorizar e compreender sistematicamente). 

Embora haja muito mérito nesta recolha e edição criteriosa, gostaríamos de ter visto o autor ir mais longe e relacionar de mais perto os "ensaios" com a obra. Por exemplo, em que medida a visão racionalista de Pessoa (expressa em vários destes textos) influiu na sua poesia ortónima, sintética e ela própria racional. Ou então, o que era para ele uma sensação antes de construir o sensacionismo?

Seria de grande interesse perceber como estas sombras de forma iniciais influenciaram as construções posteriores, enquanto fundações de algo maior. Talvez não coubesse no volume actual, mas traria um enorme valor acrescentado, nem que fosse num estudo apenso (que poderia muito bem substituir o posfácio de Paulo Borges, que nada acrescenta). 

Agradecemos a Nuno Ribeiro o envio de um exemplar para análise 

segunda-feira, janeiro 14, 2013

"Considerações sobre a presença do elemento arábico-islâmico no sensacionismo e no neo-paganismo de Fernando Pessoa" - Uma Apreciação Crítica












Fabrizio Boscaglia, que tivemos o prazer de entrevistar aqui, está a "inaugurar" um novo campo de pesquisa em Fernando Pessoa que, só pela novidade, merece ser mencionado. Mas não devemos apenas mencionar a novidade - o facto é que o trabalho de Boscaglia ganhará renovada importância por se enquadrar no mais vasto espectro da análise filosófica Pessoana, uma área de investigação em claro crescimento.

"Considerações sobre a presença do elemento arábico-islâmico no sensacionismo e no neo-paganismo de Fernando Pessoa" é um pequeno opúculo - tem 50 páginas - mas representa um trabalho de grande interesse e inesperada profundidade.Por duas razões. Primeiro porque, a meu ver, revela um insight, que não é muito explorado e que poderá estar na base de muitas teorias Pessoanas que à primeira vista parecem um pouco descabidas - falo das teorias da separação de Portugal da Europa enquanto raíz e fonte de civilização (certamente que todos ou quase todos os que leram Pessoa e o viram a indicar Portugal enquanto país decisivo para o renascimento espiritual do mundo moderno sempre o encararam de maneira menos séria); segundo porque é um estudo filosófico que não ignora António Mora (provavelmente o mais ignorado da galeria de personagens Pessoanas, comparativamente à sua importância da obra de Pessoa).

O opúsculo inicia-se com uma introdução ao tema, que é um pouco complexo. O autor faz - e bem - o necessário enquadramento histórico-social. Compreendemos lentamente que de facto Pessoa colocou a influência arábico-islâmica como um factor de grande importância, tanto no ressurgimento da civilização europeia como na sua decadência posterior. Foram o mundo do Islão que, guardando a herança Grega (Grega e não Romana), revitaliza a Europa caída na Idade das Trevas para o Renascimento e é esse mesmo elemento árabe-islâmico que, depois de expulso da Europa, a condena à decadência posterior. 

Ora, todas as crianças na escola aprendem estes factos. Mas Pessoa enquadra-os - indica Boscaglia - de maneira particular. A saída dos árabes significou sobretudo a saída do elemento mais leve da sua influência, o conteúdo Grego. Ficou o elemento mais pesado, o fatalismo. Ora, o Sensacionismo (diz Mora) é árabe, ou seja, é Grego. Inclui o sonho e a imaginação, a liberdade de pensar. E o poeta mais imaginativo - Campos - vem de Tavira, do Algarve mouro. As ideias de universalidade e de síntese, tão comuns em Pessoa apesar da sua aparente e enganadora dispersão, também teriam aqui a sua génese, ou pelo menos seriam muito influenciadas por este elemento fundador. Também no neo-paganismo de Caeiro está essa influência de um regresso aos clássicos, à base civilizacional (uma redução que diríamos também alquímica, um queimar de tudo para o início branco). 

Se me pedissem uma palavra para definir este opúsculo de Boscaglia eu diria: provocador (no sentido de thought provoking). Boscaglia podia ter-se resumido a falar de Omar Khayyām e dos Rubayat de Pessoa, mas felizmente vai muito mais longe e é muito mais corajoso na sua escrita. Este tipo de estudos é também ele fundador porque aposta numa visão de Pessoa muito mais séria e enquadrada num objectivo final de análise de Pessoa enquanto pensador (e não enquanto poeta delirante). Sabemos que o autor prepara um estudo de muito maior fôlego e apenas podemos desejar que este seja publicado dentro em breve e que ajude definitivamente a transformar Pessoa, de um poeta-pensador num pensador-poeta. 

Agradecemos a Fabrizio Boscaglia a entrega de um exemplar para análise. 

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Homenagem a Robert Bréchon em França












Robert Bréchon, um dos mais insígnes investigadores Pessoanos, recentemente desaparecido, será homenageado no próximo dia 16 em França, na Fundação Gulbenkian (delegação Francesa em Paris). Relembre-se que Bréchon é um de apenas 4 grandes biógrafos de Pessoa (depois de Gaspar Simões, Angel Crespo e Cavalcanti), autor da biografia "Estranho Estrangeiro", publicada em 1996. 

terça-feira, janeiro 01, 2013

N.º 2 da "Pessoa Plural" já online







O n.º 2 da revista Pessoana "Pessoa Plural" já se encontra disponivel para leitura online. Neste número podemos consultar 6 novos artigos, 6 análises documentais e 3 críticas.

Existe bastante material interessante para os investigadores Pessoanos, mas permito-me destacar dois artigos e um documento. 

Primeiro o artigo de Aníbal Frias sobre Caeiro "Meu corpo deitado na realidade" Caeiro et la phénoménologie"; segundo, o artigo de José Barreto "A publicação de O Interregno no contexto político de 1927-1928". Ambos os artigos são de leitura obrigatória. Finalizando os destaques, um espaço para Miguel Moreira, que apresenta pela primeira vez de maneira científica "As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal" mostrando uma parte até agora inédita da sua banda-desenhada (que foi sendo divulgada no seu blog).