quinta-feira, maio 17, 2012

Máquina de escrever e secretária de Pessoa vão a leilão











A máquina de escrever e a secretária que Fernando Pessoa utilizou, enquanto empregado de escritório, vão à praça no próximo dia 22 de Maio, terça-feira, às 21h30, num Leilão organizado pela World Legend, S.A.

As duas peças apresentadas são as que figuram na capa do livro da autoria de João Rui de Sousa, "Fernando Pessoa - Empregado de Escritório" e foram utilizadas pelo escritor quando trabalhou na Sociedade Portuguesa de Explosivos, situada no Largo do Corpo Santo, nº28 com a Rua do Arsenal.

Ambas as peças estiveram expostas na exposição dos 120 anos da morte de Fernando pessoa, em 2008, organizada pela ABBC e pela Editora Assírio & Alvim. Na exposição que a World Legend inaugura no dia 18 de Maio, sexta-feira, pelas 18h30, clientes e visitantes terão a oportunidade de apreciar os dois objectos do dia-a-dia de Fernando Pessoa entre 1934-1935.

As estimativas da leiloeira são de 3.000€/5.000€ pela máquina de escrever e 10.000€/20.000€ pela secretária.

Mais pormenores no comunicado oficial, que pode ser lido aqui.

Ps: ambas as peças foram licitadas por cerca de 95.000€, por José Paulo Cavalcanti.

quarta-feira, maio 16, 2012

"Asas sobre a América" aborda Pessoa









Já está à venda o volume "Asas sobre a América", que contém diversos artigos que estudam o relacionamento de autores dos dois lados do Atlântico. Entre os artigos destacamos naturalmente um dedicado a Fernando Pessoa, da autoria de Richard Zenith, intitulado "Fernando Pessoa e Walt Whitman".

terça-feira, maio 15, 2012

Colóquio "Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura"









Vai ter lugar no próximo dia 25 de Maio, o Colóquio "Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura", uma iniciativa do Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em colaboração com o ELAB, FCSH da Universidade Nova de Lisboa. 

O acesso ao programa completo pode ser feito clicando aqui.

segunda-feira, maio 14, 2012

"Todos los sueños del mundo" / "Todos os sonhos do mundo"









Acabou de ser lançada na Colômbia uma edição bilingue de poemas de Fernando Pessoa e Porfirio Barba-Jacob intitulada "Todos los sueños del mundo".

A volume conta com os poemas mais notáveis das obras de ambos os escritores - similares na forma como usaram pseudónimos e sua vertente melancólica e dionisíaca. São dezoito poemas de Pessoa, confrontados com a respectiva tradução para Castelhano, seguidos de notas finais e de um caderno com trinta e duas imagens. A mesma estrutura é seguida para os poemas de Portirio Barba-Jacob (desta vez traduzidos para Português). O prólogo e as notas estiveram a cargo de Jerónimo Pizarro enquanto que as traduções foram feitas por Jerónimo Pizarro e Gastão Cruz. 

sexta-feira, maio 11, 2012

Colóquio Internacional "Fernando Pessoa en Barcelona"









Vai ter lugar nos próximos dias 8 e 9 de Outubro, na cidade de Barcelona, o Colóquio Internacional "Fernando Pessoa en Barcelona". Co-organizado pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e pelos Departament d’Història de la Filosofia, Estètica i Filosofia de la Cultura e Departament de Filologia Romànica’ da ‘Universitat de Barcelona, o colóquio "destina-se (...) à comunicação e à discussão de investigações sobre as problemáticas literárias e filosóficas representadas nas diversas escritas do criador e pensador português".

Como participantes e/ou supervisores técnicos estarão Perfecto Cuadrado, Jerónimo Pizarro, Paulo Borges e Jordi Cerdà. Os interessados em participar devem enviar a sua intenção até 31 de Maio aos organizadores, que podem ser contactados neste email: pessoabcn@gmail.com.

quinta-feira, maio 10, 2012

"Pessoa in an Intertextual Web"









"Pessoa in an Intertextual Web" é o título de um recente volume que reune estudos sobre as influências a que Fernando Pessoa esteve sujeito no decorrer da escrita da sua obra, estudando a relação da mesma com Itália, Espanha, Inglaterra e Portugal. Também é abordada a influência de Pessoa em autores posteriores como Tabucchi e Saramago.

Neste volume poderemos encontrar artigos de Pessoanos como por exemplo Richard Zenith ou Mariana Gray de Castro, entre outros. Esperamos dentro em breve poder analisar mais em pormenor o contributo de cada um numa crítica mais profunda. 

quarta-feira, maio 09, 2012

Resposta de José Cavalcanti a Teresa Rita Lopes

Em resposta à carta de Álvaro de Campos que publicámos no passado dia 4, recebemos uma missiva do autor visado na mesma, José Paulo Cavalcanti. Reproduzimos aqui a mesma na íntegra:


RESPOSTA À PROFª TERESA RITA LOPES 

A Professora Teresa Rita Lopes é uma autora importante, isso está para além de qualquer dúvida. E grande especialista em Pessoa, também. Tanto que, no meu “Fernando Pessoa, uma quase autobiografia” (Porto Editora, 2012) a cito em 16 passagens do livro (e cito, na bibliografia, 9 trabalhos seus). Por essa razão, foi ela um dos primeiros especialistas que consultei. Educada e solicita, conversamos longamente sobre o poeta em sua sala na Universidade. Ao fim, levando-nos à porta (a mim e a minha mulher), advertiu que “em Portugal os intelectuais se enfrentam dando cotoveladas”. Agora, talvez para honrar essa frase, aqui temos as primeiras dessas “cotoveladas”. Dadas pela própria, sem sequer ter lido o livro. Acontece. 

Não as responderei, aqui. Por faltar disposição íntima para entrar nesse debate. Trata-se de um confronto desigual. Porque jamais teria coragem de criticar, como a Professora, sem conhecer o objeto das críticas (dado não ter lido o livro). E jamais teria coragem de escrever palavras tão pouco respeitosas pelo prazer apenas de fazer graça. Diferentemente dos cabelos rouge da eminente Professora, cor de sangue, os meus são já brancos. E a maturidade me trouxe paz. Longe do desassossego dos adolescentes (ou quase), próprio de um tempo em que éramos mais jovens, mais magros e provavelmente mais felizes. No fundo, e considerando a natureza da crítica, não vale a pena o esforço para uma resposta. É isso. 

Busco razões para aquele texto, com linguagem própria de estudantes, e percebo que a explicação talvez seja simples. Porque ela vem assinada por Álvaro de Campos – cabendo, à Professora, só as responsabilidades por tê-lo psicografado. Tudo se explicaria, então. Seria mais uma do engenheiro. Nada a estranhar. Ophelia Queiroz dizia que Pessoa, quando se apresentava como Álvaro de Campos, “portava-se de uma maneira totalmente diferente. Destrambelhado. Dizendo coisas sem nexo”. O próprio Pessoa se queixou, em carta a Gaspar Simões, dos “desvarios do engenheiro Álvaro de Campos”. Sem contar que, no acidente onde Afonso Costa fraturou o crânio (em 1916), Campos dirigiu ao jornal “A Capital” uma carta inteiramente desequilibrada (cheguei a ter essa carta, Professora, adquirida em leilão naquele Centro de Convenções junto aos Jerônimos; até quando, dois dias depois, o governo Português exerceu seu “direito de preferência” e ficou com ela). Confessando Pessoa mais tarde, a Almada Negreiros, que no momento em que a escreveu “se encontrava em manifesto estado de embriaguês”. Tudo fica claro. É que nosso Álvaro de Campos, ao fazer essas críticas psicografadas pela Professora, deveria estar mesmo em um desses momentos etílicos. 

Dando os trâmites por findos, Professora, e só para lembrar, esse livro que a senhora não leu acaba de ganhar, no Brasil, os dois mais importantes prêmios literários do ano – o da Bienal do Livro e o da Academia Brasileira de Letras. Em respeito a essas entidades, ao menos a linguagem das críticas deveria ter sido mais adequada. E, se permite uma sugestão, em situações similares, primeiro leia o livro. Depois, se quiser, critique. Antes não, por ser atitude imprópria a uma Professora. No mais, o que gostaria no fundo é que, depois de ler o livro, se arrependesse das críticas de agora. Porque, para além de todas as divergências, há algo maior que nos une – esse amor desvelado e incondicional pelo gênio absoluto que foi, e é, Fernando Pessoa. 

José Paulo Cavalcanti Filho. 
Maio.2012.