terça-feira, fevereiro 28, 2012

"Fernando Pessoa: Filosofia, Religião e Ciências do Psiquismo Humano" - 6.ª sessão



A sexta sessão do Ciclo de Conferências «Fernando Pessoa: Filosofia, Religião e Ciências do Psiquismo Humano» ocorrerá no dia 14 de Março de 2012, na Casa Fernando Pessoa. A sessão terá início às 18:30 e contará com a seguinte programação:

1 - Miguel Real - Uma Interpretação de O Livro do Desassossego.

2 - João Pereira de Matos - Fernando Pessoa e a Maçonaria.

Convidamos todos os interessados a estarem presentes nesta sessão, que contará com a presença de dois escritores portugueses.

Organização: Paulo Borges, Nuno Ribeiro e Cláudia Souza.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

"Pessoa e Bach na casa de Llansol"



É já amanhã, pelas 17h, que o Espaço Llansol convida os Pessoanos (e não só) a ouvirem a leitura de inéditos da escritora Maria Gabriel Llansol sobre Fernando Pessoa e sobre Bach. Para a ocasião será projectada a performance "Echo ou Bach em Pessoa" de João Madureira. Mais informações no blog do Espaço Llansol (que fica em Sintra).

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Pessoa na conferência "Peripheral Modernisms"



Vai ocorrer, nos próximos dias 23 e 24 de Março, a conferência internacional "Peripheral Modernisms" no Institute of Germanic & Romance Studies da Universidade de Londres. Um dos painéis, o número 15, sob o tema (Trans) Atlantic Pessoa vai ter as seguintes conferências:
  • Pauly Ellen Bothe (University of Lisbon), ‘T. S. Eliot, Fernando Pessoa and Jose Gorostiza: Modernist Long Poems Around the World’;
  • Lisandra Sousa (Queen Mary, University of London), ‘A “mute” Ulysses: Fernando Pessoa’s Reconceptualization of the Modern Nation’;
  • Silvia Annavini (University of Trento), ‘Portugal and Ireland Between the World-System and the Peripheral Atlantic: James Joyce and Fernando Pessoa Mapping New Geographies of Modernism

As inscrições para a esta conferência internacional decorrem até 9 de Março. O programa completo da mesma pode ser lido aqui.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Fernando Pessoa et le Quint-Empire de l'Amour - Uma Apreciação Crítica



Aníbal Frias é um dos mais interessantes jovens investigadores Pessoanos, tendo-se notabilizado pelas análises incisivas e inovadoras que produz. Radicado em França ele apresenta-nos agora um volume intitulado "Fernando Pessoa et le Quint-Empire de l'Amour. Quête du Désir et alter-sexualité", onde explora com grande profundidade a questão do sexo e do desejo na obra de Fernando Pessoa.

Devo dizer que este livro é muito corajoso e destemido na maneira como enfrenta este assunto "melindroso" em Pessoa. E é corajoso de uma forma positiva pois não pretende escandalizar ou explorar esta temática, mas antes elaborar percursos alternativos e originais na sua descoberta e exploração. A primeira forma como o faz é desmistificando algumas visões clássicas (ou que se vão tornando clássicas). Mas não sem antes aceitando uma principal - a de que Pessoa negou a sensualidade em favor de uma "estética da renúncia", levado por um espírito artístico idealista que se foi tornando regra de vida. Veremos mais tarde como este acaba por ser porventura o único ponto fraco do livro.

Mas falando ainda das desmistificações... há muito que se fala de Pessoa e de sexo ou sexualidade. Nós próprios já falámos sobre isso. Frias não foge da polémica e aborda logo nas páginas iniciais tanto a análise Freudiana de Gaspar Simões como as pequenas notícias largadas por Jorge de Sena (via António Botto) ou pelo próprio Pessoa em poem
as ortónimos ou na obra do Barão de Teive por exemplo. O autor prefere deixar os rumores e embarcar na análise preponderante do que foi escrito pelo poeta - assim limpa o seu livro de qualquer intenção polémica em si mesma.

Parecerá então que a busca do amor em Pessoa é uma busca puramente literária. Talvez. Frias consegue passar um conceito de "fingimento sincero" em Pessoa que, trazendo alguma realidade para a escrita não deixa de revelar uma realidade manipulada, transformada pela imaginação. É assim que por exemplo o namoro com Ophélia é entendido - enquanto dramatização teatralizada. Tendemos a concordar em alguns pontos, nomeadamente na intromissão dos heterónimos na relação (falámos disso mesmo num recente colóquio).

Onde o volume realmente inova - e ganha enorme interesse - é na análise contínua do grande ciclo de cinco poemas amorosos que Pessoa planeava e que não chegou a terminar. Apenas escreveu dois, Antinous e Epithalamium, considerados os seus poemas mais sexuais (e mesmo obscenos). Julgo que Frias inova, primeiro distinguindo homosexualidade de homoerotismo e depois separando estes dois poemas não pela tradicional distinção homosexual/heterosexual, mas pela dualidade
Apolíneo/Dionisíaco. Deslocando os poemas de uma conotação sexual intrínseca ele conseguirá enquadrá-los dentro de um projecto mais ambicioso e vasto, de procura utópica (e esotérica) do amor.

Este projecto, denominado de "ciclo amoroso", seria constituído por cinco poemas, como dissemos, cada um deles correspondendo a uma época: 1) Grécia, Antinous; 2) Roma, Epithalamium; 3) Cristão, Prayer to a Woman's Body; 4) Império Moderno, Pan-Eros; 5) Quinto Império, Anteros. Curiosamente Frias considera que os poemas poderiam ser enquadrados não numa visão cronológica mas genealógica (sobretudo os dois primeiros, os únicos completos). A busca de um Quinto Império "espiritual" seria assim acompanhada de uma busca por um Quinto Império "sensual".

Qual a conclusão desse Quinto Império e da busca em si mesma? Para Frias o quinto poema traria uma "universalidade de paixões" um pouco à semelhança do final de "Mensagem" onde o poeta se despede com um "valete frates" também ele universal. Devo dizer que já reflecti bastante sobre o conceito de Anteros - sobretudo dentro do "Livro do Desassossego" onde ele é equivalente ao conceito mais amplo (e desenvolvido) do "Amante Visual" e tendo a discordar da visão de Frias. Para mim Anteros é o final das sensações e a transformação do sensual em visual, da síntese perfeita das sensações em pensamentos como final perfeito da desnecessidade do mundo exterior face ao mundo interior. Só assim se pode compreender o sonhador também enquanto homem de acção sensual.

Mas esta discussão já não cabe nesta nossa análise e é supérflua a ela. Resta dizer que ficámos deveras impressionados por este livro, pela sua coragem e largura (no verdadeiro sentido anglófono de "breadth"). Um estudo assim deve ser realçado e promovido, sobretudo feito numa área que tende a ser pouco explorada nos estudos Pessoanos. Aníbal Frias, com esta excelente edição só confirma um papel que já desempenhava com grande originalidade e abre-nos o apetite para futuras obras.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Artigo relaciona Pessoa e Wittgenstein



Foi publicado recentemente um artigo do investigador Nuno Filipe Ribeiro intitulado "Jogos de linguagem e criação heteronímica — Um confronto entre Wittgenstein e Pessoa" no volume "Entre o Tratactus e as Investigações" (cliquem para download gratuito da obra completa em PDF, o artigo está a págs 151 e segs). Neste artigo é feita uma comparação muito interessante entre o conceito de jogos de linguagem de Wittgenstein e o processo de criação heteronímica Pessoano. Em que medida a reflexão sobre a estrutura da linguagem - e o papel do sujeito poético/escritor enquanto defensor ou inovador dessa mesma estrutura - esteve na origem da própria criação dos heterónimos? Nuno Ribeiro utiliza o conceito de "drama em gente" para se aproximar a uma resposta. Cada "pequena personalidade" em Pessoa seria uma espécie de jogo de linguagem e o "drama em gente" um outro jogo de linguagem maior, mais abrangente.

Trata-se de um estudo com grande interesse porque também não ignora (embora pudesse ter aprofundado mais) o papel de alguns pré-heterónimos e heterónimos de menor relevo nesta discussão. Não podemos deixar de lembrar, a este respeito, uma edição recente de Jorge Uribe que destacava precisamente o papel desempenhado pela personalidade literária Thomas Crosse enquanto o possível linguista ou teórico da linguagem dentro do "drama em gente". Seria interessante desenvolver mais profundamente o estudo de Thomas Crosse nesta perspectiva.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Fernando Pessoa: o editor, o escritor e os seus leitores



No âmbito da exposição "Fernando Pessoa, Plural como o Universo", que está neste momento na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, foi editado um livro que reúne testemunhos de leitores de Pessoa, incluindo eu próprio e organizado por Richard Zenith. O volume, intitulado, "Fernando Pessoa: o editor, o escritor e os seus leitores" já pode ser adquirido online no site da Fundação.