sexta-feira, janeiro 20, 2012

"Fernando Pessoa - uma quase Autobiografia" - os últimos desenvolvimentos



A última grande biografia de Pessoa a ser lançada - "Fernando Pessoa - uma quase Autobiografia" - da autoria de José Paulo Cavalcanti, continua a ser um grande sucesso no Brasil está prestes a chegar a Portugal, editada pela Porto Editora em princípio no mês de Abril.

No Brasil o volume vai já na 6.ª edição, com 30 mil exemplares vendidos. Temos notícias de estar previsto um audiobook em breve, com o nosso Ricardo Pereira a fazer a voz de Pessoa (que fala muito na própria voz na biografia). Haverá ainda um filme para televisão mostrando a Lisboa de Fernando Pessoa.

Estas notícias revelam a grande força de Pessoa no Brasil, onde é muito mais celebrado, estudado (e apreciado) do que em Portugal. Não dizemos infelizmente porque não seria justo para os nossos irmãos de pátria, porque partilhamos afinal a mesma língua. Apenas desejamos para o nosso próprio país um vigor parecido.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Últimas sessões de "Pessoa na Actualidade"



Aproxima-se do fim o ciclo "Pessoa na Actualidade". Relembramos as últimas sessões, que, como sempre, decorrem na Casa Fernando Pessoa:

4ª Sessão – 25 de Janeiro
Dirk-Michael Hennrich (Alemanha) - Hölderlin e Pessoa e a pergunta pelo fundamento da consciência
Rui Lopo (Portugal) – Fernando Pessoa e Raul Leal: Amigos da Vertigem
Duarte Drumond Braga (Portugal) - O“Opiário” e o Orientalismo em Fernando Pessoa

5ª Sessão – 26 de Janeiro
Daniel Moreira Duarte (Portugal) - O “ideal ascético” e a “ceifeira”.
José Almeida (Portugal) - Fernando Pessoa e a Tradição Hermética
Bruno Béu (Portugal) - Isto não é isso — o discurso tautológico como procedimento apofático na poesia de Alberto Caeiro

Encerramento – 27 de Janeiro
Teresa Rita Lopes (palestra de encerramento)

quarta-feira, janeiro 18, 2012

"Álvaro de Campos e Arredores" em Lisboa



Vai ocorrer nos próximos dias 23 e 24 de Janeiro uma reedição do encontro "Álvaro de Campos e Arredores", que já tinha acontecido em Tavira em Outubro. Desta vez reunem-se as mesmas conferências e mais algumas - entre as quais uma minha. Vou falar do triângulo amoroso Fernando-Álvaro-Ophélia. Mas fica aqui o programa completo, a não perder:

1º Dia (23 de Janeiro):

9:30 – 10:00
- Sessão de Abertura
10:00 – 10:45 [Conferência Inaugural]
- Teresa Rita Lopes – “Álvaro de Campos, o chefe de orquestra do romance-drama-em-gente”
Pausa Café
11:00 – 12:30
- Manuela Nogueira – Álvaro de Campos - a tempestade à procura de O CAIS
- Cláudia Souza – O Engenheiro Álvaro de Campos e os seus projectos
- Nuno Ribeiro – Capturar-se a si próprio nos mais vastos círculos – a Ode Marítima e a experiência dionisíaca
Moderadora: Teresa Rita Lopes

Pausa Almoço

14:30-15:00 -Inauguração da exposição de esculturas em pasta de papel: Pessoa(s), de Rinoceronte.
Breves palavras por Teresa Rita Lopes e Maria João Serrado
15:00 – 16:30
- Anabela Almeida – Álvaro de Campos, o mestre de Violante de Cysneiros
- Maria João Serrado – Retratos do Sr. Engenheiro Álvaro de Campos
- Ana Rita Palmeirim – Um Encontro Inesperado na rota de José Coelho Pacheco
Moderadora: Maria do Céu Estibeira

Pausa Café

16:45 – 17:45
- Anibal Frias – MERRRRRDA! Le langage scatologique et «rudologique» de Campos
- Nuno Hipólito – Álvaro, Fernando e Ophélia: actores na heteronímia da paixão
Moderadora: Anabela Almeida

2º Dia (24 de Janeiro):

9:30 – 11:00
- Ricardo Marques – Ciência e Poesia: Campos e os outros eus no contexto de outros poetas modernistas
- Luísa Monteiro – As mulheres do teatro pessoano
- José António Costa Ideias – O real e o verosímil - encontros imaginados (em torno de um objecto fílmico: “A Noite em que Fernando Pessoa se encontrou com Constandinos Kavafis” de Stelios Charalambopoulos)
Moderador: Nuno Ribeiro

11:15 – 12:45
Filme "Continuum" com apresentação da realizadora Ana Barroso

Pausa Almoço

14:30 – 15:30
- Rui Lopo – Eudoro de Sousa e Álvaro de Campos
- Lisandra Sousa – "Canadiana Eirin Mouré encontra-se com Pessoa em Toronto"
Moderador: Ismahelson Andrade

Pausa Café

16:00 – 17:00
- Ana Raquel Roque: As Notas para a Recordação do meu Mestre Caeiro, de Álvaro de Campos – um afloração da realidade na ficção ou da ficção na realidade?
- Maria do Céu Estibeira – Da leitura de Milton e Whitman à estética de Campos
Moderadora: Maria João Serrado

17:00
- Lançamento do segundo número da Modernista – Revista do IEMo – Instituto de Estudos sobre o Modernismo
Palmeirim – Um Encontro Inesperado na Rota de Coelho Pacheco

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Entrevista com Nuno Ribeiro



Temos o prazer de apresentar uma entrevista com o investigador Pessoano Nuno Ribeiro. O Dr. Nuno Ribeiro dedica-se sobretudo à investigação do espólio filosófico de Fernando Pessoa e neste aspecto pode ser considerado o herdeiro directo de António Pina Coelho. Isto embora tenha colaborado em outras edições recentes, como a edição das "Canções" de António Botto.

Pode falar-nos um pouco da sua entrada no mundo Pessoano, o que o atrai em Pessoa?

A minha entrada no mundo pessoano deu-se em 2008, com o início da minha dissertação de doutoramento. Inicialmente foi o estudo da relação entre Fernando Pessoa e Nietzsche que me conduziu ao espólio de Pessoa. No entanto, para minha surpresa, pude constatar, no decurso das múltiplas incursões pelos inéditos, que a produção filosófica de Pessoa ainda se encontra, em grande parte, por publicar. Desde então, tenho consagrado inúmeras palestras a este assunto, das quais têm vindo a resultar a inúmeros artigos. Preparo presentemente uma edição dos textos filosóficos de Pessoa, no âmbito da minha dissertação de doutoramento.

O Nuno estuda sobretudo a relação entre a literatura e a filosofia na obra de Pessoa. Na sua opinião Pessoa foi também filósofo? Se sim, em que medida?

Sim, Pessoa foi também filósofo. Com efeito, a dimensão filosófica da obra de Fernando Pessoa não se esgota nas referências a filósofos e a conceitos filosóficos presentes ao longo da sua poesia e ficções. Para além de poeta animado pela filosofia, que Pessoa diz ter sido e que efectivamente chegou a ser, encontramos no espólio deste autor inúmeros projectos e fragmentos destinados a livros, ensaios, artigos e pequenas produções de cariz filosófico. A faceta de Pessoa-filósofo é, sem dúvida, uma das dimensões da produção de Fernando Pessoa.

Interessa-o particularmente a recepção de Nietzsche em Pessoa. Em que medida foi Pessoa influenciado pelo filósofo Alemão?

É complicado dizer até que ponto Fernando Pessoa foi influenciado por Nietzsche e a este respeito existe alguma controvérsia. No meu livro Fernando Pessoa e Nietzsche: O pensamento da pluralidade [Verbo, 2011] tento realizar um estudo comparativo das obras destes dois autores. Aí tento mostrar que existe uma afinidade de fundo entre ambos que se estende para além do emprego de conceitos nietzschianos por parte de Pessoa. Essa afinidade de fundo diz respeito à forma como na obra destes dois pensadores se desenha a construção de um espaço literário plural. Penso que o interesse de Pessoa pela leitura e pelos conceitos de Nietzsche (que foi sobretudo veiculada através de bibliografia secundária) se prende com este aspecto.

O heterónimo filósofo de Pessoa, António Mora, parece desempenhar um papel secundário no drama em gente, um pouco à maneira de um teórico de bastidores. Era assim talvez que Pessoa via a filosofia, enquanto a necessária teoria para a sua prática heteronímica?

Para responder a essa pergunta é necessário distinguir entre a produção estritamente filosófica de Pessoa e a repercussão da filosofia na sua produção poético-literária. Relativamente à produção poética de Fernando Pessoa as referências a filósofos e a conceitos filosóficos desempenham um papel de «bastidores», isto é, a filosofia é apenas um dos elementos da composição literária a par de outros. No entanto, existe uma produção estritamente filosófica de Fernando Pessoa que se consubstancia nos inúmeros projectos e fragmentos de textos filosóficos que este autor nos deixou. Aqui essa lógica de «bastidores» inverte-se e a filosofia torna-se primária.

A questão da relação entre filosofia e heteronímia é, a meu ver, uma questão de grande interesse. Com efeito, na composição da personalidade de cada heterónimo encontra-se implícita uma determinada visão do mundo que é, em muitos casos, reflexo das leituras e projectos filosóficos de Fernando Pessoa. Assim, o estudo da biblioteca e do espólio filosófico de Pessoa é uma das condições de possibilidade da compreensão não só dos heterónimos, mas também das restantes personalidades literárias de Pessoa, o que se torna evidente se se tiver em consideração que muitos dos projectos filosóficos de Pessoa são atribuídos às suas personalidades literárias.

Que 5 obras filosóficas sobre Pessoa destacaria entre as publicadas desde a morte do poeta?

Das obras filosóficas sobre Pessoa destaco em primeiro lugar Os Fundamentos Filosóficos da Obra de Fernando Pessoa da autoria de António de Pina Coelho. Trata-se de um livro que se encontra em muitos aspectos ultrapassado, mas que nos alerta, pela primeira vez, para a necessidade de um estudo sistemático dos textos filosóficos de Pessoa. Em segundo e terceiro lugares, Fernando Pessoa ou a Metafísica das Sensações e Diferença e Negação na Poesia de Fernando Pessoa de José Gil. Dou especial destaque a Fernando Pessoa ou a Metafísica das Sensações, porque foi um livro que marcou e que ainda continua a marcar a recepção filosófica de Fernando Pessoa em França. Em quarto e quinto lugares, Fernando Pessoa, Rei da Nossa Baviera e Pessoa Revisitado de Eduardo Lourenço, o nosso recente 25º Prémio Pessoa. Trata-se de duas obras que fundaram a reflexão filosófica sobre Fernando Pessoa e que talvez nunca venham a estar ultrapassadas.

Para onde caminha, na sua opinião, a pesquisa filosófica em torno de Pessoa? Para onde caminha o state-of-the-art desta dimensão dos estudos Pessoanos?

Podemos distinguir dois caminhos da pesquisa filosófica de Fernando Pessoa: um caminho simplesmente interpretativo e um caminho filológico. O caminho interpretativo é sobretudo dominado por uma preocupação teórico-especulativa, isto é, pela tentativa de uma interpretação filosófica dos textos já publicados e pelo estudo, muitas vezes comparativo, das bases filosóficas da escrita de Pessoa. O caminho filológico, que em grande medida tenho vindo a percorrer, é dominado pela preocupação com o apuramento dos mais diversos materiais filosóficos deixados por Fernando Pessoa. O ideal será unir estas duas tendências, em que um esforço especulativo seja complementado por uma pesquisa das fontes. Eu e a Cláudia Souza temos organizado – nomeadamente com Paulo Borges que também contribuído para o estudo filosófico de Pessoa – inúmeros ciclos de conferências relativos à dimensão filosófica da obra de Fernando Pessoa e são estes os dois caminhos que se têm revelado.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

3º Seminário Aberto do Projecto Estranhar Pessoa




O ELAB, Laboratório de Estudos Literários Avançados e a Rede de Filosofia e Literatura, da FCSH, anunciam o 3º Seminário Aberto do Projecto Estranhar Pessoa, a realizar no próximo dia 17 de Fevereiro, dedicado a "Assuntos Editoriais". Este seminário (cujo cartaz e programação podem ser consultadas aqui) tem o propósito de debater problemas editoriais que a obra de Pessoa coloca, procurando articular dois planos distintos mas interligados, o pensamento editorial do poeta e questões relativas à edição dos textos.

terça-feira, janeiro 10, 2012

"Mensagem" dita integralmente, no Porto




Nuno Meireles vai recitar integralmente "Mensagem", no próximo dia 2 dia 25 de Janeiro, pelas 21,30h, na Galeria Gesto (r. José Falcão, 107 - Porto), com organização da Livraria Poetria. Esta é uma primeira sessão, pois o autor espera que a inicitiva se possa espalhar por muitas outras.

Fica aqui o texto de divulgação oficial:

As palavras deste poema, publicadas em 1934, ainda fazem sentido e farão especial sentido agora, para nós. Porque entre muitas coisas são uma revisão (poética) e uma exortação (igualmente poética). Uma revisão do que fizemos e de como aqui chegámos e uma exortação a que façamos mais, sejamos mais, e no tempo em que vivemos. Seja conquistar o Mar, seja conquistar quem somos.

Este monólogo é também devedor do que diz o poema, pois, com a sua complexidade, os seus múltiplos ângulos e discursos, Mensagem é um Mar a dominar, é um texto intrincado de significados, de símbolos, de reviravoltas de síntaxe, de semântica, de descrições, de pessoas que falam, de orações, de magia e sobretudo de uma quase melancolia (talvez do nosso tempo, já não a grandiloquencia nem o grande orgulho nacional) de alguém que fala, só.

Que fala para outros, que são afinal todos Portugal.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Exposição sobre Pessoa em Fevereiro na Gulbenkian




A exposição "Fernando Pessoa: Plural como o Universo" estará na Fundação Gulbenkian de 9 de Fevereiro a 30 de Abril de 2012, anunciou hoje a Fundação na sua Newsletter mensal. A curadoria continua a cargo dos Pessoanos Carlos Filipe Moisés e Richard Zenith.

Lembre-se que esta exposição - constituída por documentos originais, primeiras edições e elementos multimedia - já esteve, com imenso sucesso, no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, Brasil, tendo registado mais de 190 mil visitantes, como noticiámos na altura.