quinta-feira, janeiro 05, 2012

"Fernando Pessoa: Filosofia, Religião e Ciências do Psiquismo Humano" - 4.ª sessão



A quarta sessão do ciclo de conferências Fernando Pessoa: Filosofia, Religião e Ciências do Psiquismo Humano, organizado por Paulo Borges, Cláudia Souza e Nuno Ribeiro, ocorrerá no dia 11 de Janeiro na Casa Fernando Pessoa. A sessão tem início às 18h30 e conta com a seguinte programação: Nuno Venturinha, Para uma edição completa da obra de Pessoa: o caso Wittgenstein; Maria do Céu Estibeira, O Exoterismo e as Ciências Ocultas na Biblioteca Pessoana. No final da sessão será também apresentado o livro Linguagem e Valor: Entre o Tratactus e as Investigações, organizado por Nuno Venturinha.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Fernando Pessoa na Academia das Ciências



A Prof.a Teresa Rita Lopes irá proferir uma palestra na Academia das Ciências hojem dia 4 de Janeiro, às 17 h, sobre "Fernando Pessoa e a Política". Trata-se de uma grande oportunidade: os convidados poderão apreciar o belo ambiente da Academia das Ciências e aprender mais sobre Fernando Pessoa. Não percam esta oportunidade!

terça-feira, janeiro 03, 2012

Eduardo Lourenço em destaque no Jornal de Letras



O número 1076 do Jornal de Letras, já nas bancas, tem como destaque de capa Eduardo Lourenço, prémio Pessoa 2011. Incluido neste número está um amplo destaque à obra do decano dos Pessoanos, bem como um artigo inédito do mesmo, datado de 1970 sobre Pessoa e Régio enquanto críticos. A não perder!

segunda-feira, janeiro 02, 2012

"Sebastianismo e Quinto Império" - Uma Apreciação Crítica



A Ática continua a publicação de obras de excelente qualidade, dentro da colecção "Obras de Fernando Pessoa | Nova Série", desta vez com o volume "Sebastianismo e Quinto Império", uma edição a cargo de Jorge Uribe e Pedro Sepúlveda.

A equipa de jovens investigadores reunida pelo Prof. Jerónimo Pizarro continua a sua missão (certamente em igual medida sofrida e recompensadora) de re-explorar o espólio de Fernando Pessoa com vista à reorganização da obra já publicada bem como pretendendo desvendar novos documentos inéditos. Aliás, esta edição traz um volume muito interessante de material até aqui não publicado, mais precisamente 43 textos inéditos, entre os quais se destaca um conjunto de 21 páginas que constitui um ensaio sobre o "Quinto Império".

Não é novidade que Pessoa tinha um grande interesse no Sebastianismo e no "Quinto Império" enquanto temas fortes do seu projecto de reanimar a alma Portuguesa. No entanto os presentes editores afirmam que o interesse de Pessoa, mais do que pontual, sublinhava uma espécie de influência contínua na sua obra, pelo menos desde o seu regresso a Portugal. Não é estranho a este sentimento o facto de Pessoa se sentir sempre um "estrangeirado", tentando muitas vezes compensar o facto de vir de fora com um exacerbado nacionalismo (que no entanto por vezes, e paradoxalmente, não se encontra deslocado numa época muito conturbada da política nacional).

O fascínio de Pessoa com estes temas ocultos da nacionalidade é dividido neste volume em duas grandes partes: Sebastianismo e "Quinto Império". Os editores tentaram organizar os textos dentro de cada grande tema por subtemas, de alguma forma dando uma coerência cronológica (possível) aos mesmos, o que nos permite uma quase leitura linear dos mesmos, como se estes fossem integrados dentro de um projecto editorial real. É assim possível compreender a evolução da própria interpretação do fenómeno Sebastianista, por exemplo, enquadrado quer na visão "corporativista" dos grupos a que Pessoa chegou a pertencer (de algumas revistas), quer na sua própria posição pessoal e solitária.

Percebe-se também melhor a intenção interventiva de alguns dos textos - e como os outros os fundamentos como alicerces. O projecto oculto de Pessoa, que está na base do seu projecto maior de reinvenção da alma Portuguesa e do próprio projecto nacional, acaba por desaguar na sua única obra publicada em vida em língua Portuguesa e este volume ajuda-nos a perceber o porquê disso ter acontecido e dessa ter sido uma preocupação no final da sua vida.

Para quem não conhece os textos ocultos de Pessoa esta é uma excelente introdução ao tema. Isto embora a colocação na mesma edição de semi-projectos tão diversos possa causar alguma confusão. Por exemplo o facto de poder ler sobre as trovas de Bandarra ou sobre as quadras de Nostradamus, poderá levar o leitor menos atento a considerar na mesma categorias os restantes escritos sobre D. Sebastião - ou seja, numa categoria de uma crença profética teórica e afastada de qualquer noção de realidade imanente. Penso que não devemos pensar assim, porque existem alguns temas, nomeadamente os dois que referimos, que acabam por ser auxiliares aos restantes e devem ser lidos dessa forma.

Como noutros volumes da mesma colecção, destaca
mos ainda as dimensões reduzidas que no entanto "escondem" uma edição muito completa, destacando-se os apêndices e as notas genéticas - que a distinguem das comuns edições neste formato.

Trata-se, em resumo, de mais um grande esforço editorial que é muito bem vindo, refrescando e actualizando o nosso conhecimento dos textos de Pessoa sobre D. Sebastião e o "Quinto Império". A colecção da Ática está assim a tornar-se essencial para o conhecimento da obra do poeta no Século XXI.

Ps: é possível ouvir uma curta entrevista a Jorge Uribe, sobre esta obra, aqui.

Esta obra já está disponível para compra aqui.

Um agradecimento à Editora Ática pelo envio de um exemplar para análise.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

"Desassossegadamente, à sombra de Pessoa" - Uma Apreciação Crítica



"Desassossegadamente, à sombra de Pessoa - Questões existenciais pessoanas em Virgílio Ferreira", recentemente editado pelas Edições Afrontamento, é um estudo da autora Carla Freitas Martins que pretende debruçar-se, como o título indica, sobre a questão da influência de Fernando Pessoa na obra de Virgílio Ferreira.

A vertente dos estudos pessoanos que se debruça sobre a recepção de Pessoa nas gerações que se lhe seguiram não é das vertentes mais exploradas pelos investigadores e é uma pena, porque é muito interessante compreender qual foi a influência do poeta nos autores seus contemporâneos (e não só).

Se algo nos fica do estudo de Carla Martins é precisamente essa noção da presença quase esmagadora de Pessoa sobretudo na geração seguinte, que floresce para a escrita nos anos 50. Muitos desses autores vão rebelar-se contra Pessoa, escrevendo "contra" ele, mas afinal apenas com o objectivo mais amplo de eles próprios poderem encontrar o seu espaço. Foi o que fez, nomeadamente, Virgílio Ferreira. Primeiro instintivamente combatendo a influência Pessoana só para mais tarde a aceitar plenamente na sua própria obra. Outro autor do qual imediatamente nos lembramos com uma atitude igualmente rebelde, embora de uma escola de pensamento diferente foi Cesariny.

A autora debruça-se muito mais sobre Virgílio Ferreira do que sobre Pessoa, o que seria de esperar, pelo que o livro é recomendável a quem tenha interesse e, sobretudo, conhecimento da obra do autor de Aparição. Em certa medida, e a nosso ver, será mesmo duvidosa a ligação efectuada entre os dois autores, que muitas vezes parece estabelecer-se apenas na continuidade do que seria a "dor de pensar", uma atitude eminentemente existencialista e eminentemente Pessoana. É certo que Pessoa desbrava de certa forma esse caminho, mas é menos claro porque é que os autores dos anos 50-60 não são já claramente influenciados pelas correntes Francesas e necessariamente pela obra de Pessoa enquanto precursor "a derrubar" ou a "continuar".

A questão é certamente interessante e a hipótese de Pessoa enquanto autor nascente de um existencialismo que precede o existencialismo Francês é notável, embora não seja totalmente original (o Prof. António Quadros, muito bem citado, suscitou-a primeiro). O facto de se propor uma escola existencialista Portuguesa (mesmo que sem o formalismo associado ao termo) é também de louvar e merece ser analisado mais a fundo no futuro.

Este volume é, em resumo, de grande interesse para qualquer apaixonado pela obra de Virgílio Ferreira, na medida em que nos traz uma visão íntima das influências do grande romancista e também da sua luta interna contra essas próprias influências. Mais amplamente é uma visão muito interessante de um sector intelectual da época e da maneira como esse sector reage à presença de Pessoa. Mas não recomendaríamos que o adquirissem em busca de conteúdos específicos sobre Pessoa, pois eles são reduzidos e apenas acessórios.

Dirigimos um agradecimento especial à autora pelo envio de um exemplar para análise.

terça-feira, dezembro 27, 2011

"Lisboa - O que o turista deve ver" - Uma Apreciação Crítica



A(s) arca(s) de Pessoa sempre constituíram, para quem as estuda, um manancial quase inesgotável de pérolas literárias, produzindo desde a morte do seu autor, inúmeras edições. No entanto há que realçar que, a esmagadora maioria dos inéditos estavam em forma desgarrada, longe de estarem prontos para edição imediata, com algumas notáveis excepções. A maior talvez tenha sido descoberta em 1988, pela equipa da Prof.a Teresa Rita Lopes, na forma de um guia turístico de Lisboa escrito em Inglês e intitulado "What the tourist should see".

A primeira edição em 1992 gerou acesa polémica, sobretudo devido à pobre qualidade literária do guia, que, segundo alguns, não poderia ter sido escrito por Fernando Pessoa. O Prof. George Monteiro é talvez a voz mais acesa a favor de uma autoria não-Pessoana, num artigo que publica no ano seguinte, em 1993 e que pode ser lido aqui. Segundo Monteiro, a prosa deste livro é demasiado má para ser de Pessoa, não sendo também dadas explicações sobre uma eventual assinatura do autor ou sequer análise comparativa do papel ou da máquina de escrever utilizada. Na primeira reedição (a de 2011 é a sexta), Teresa Rita Lopes parece tomar em conta algumas das críticas de Monteiro, indicando nomeadamente que existem apontamentos e correcções no manuscrito efectuadas pela mão de Pessoa e que a máquina utilizada é uma das que costumava utilizar. O enquadramento feito pela insígne Pessoana vai mais longe, enquadrando a obra no plano de edições Pessoano, mais precisamente no âmbito da promoção (propaganda) de Portugal; projecto que englobava, no seu cimo, o livro "Mensagem". No entanto ainda hoje Pessoanos de renome, nomeadamente o Prof. Jerónimo Pizarro, duvidam da autoria, indicando possivelmente uma origem semi-apócrifa para a mesma.

Quanto a mim é perfeitamente possível que a autoria seja de Pessoa, por uma razão muito simples: a sua obra em Inglês é muito menos precisa do que a sua obra em Português. Sobretudo desde que li as suas traduções Português-Inglês convenci-me plenamente disso. Não é de espantar que Pessoa cometa imprecisões no Inglês, muito pelo contrário. Quanto à qualidade da prosa, o guia queria ser turístico e não literário, pelo que esse argumento muito menos colherá. Indicaria um pormenor curioso a favor da autoria Pessoana, o texto que, a págs. 99-102 é dedicado ao Teatro de S. Carlos (em frente à casa onde ele nasceu) - um texto que lido com atenção parece denotar a emoção de um filho que se acostumou a amar a ópera por influência do pai.

Mas, passando a polémica da autoria, vejamos o que o guia (e esta edição nos oferece).

Destaco desde logo o excelente arranjo gráfico desta edição. A escolha do vermelho da capa com as letras negras traz um forte sabor da modernidade que distingue esta reedição e o formato do volume, mais pequeno do que o usual, bastante leve, permite que o mesmo possa ser carregado com todo o prazer pela cidade, à medida que o vamos lendo e vamos sendo guiados pelo texto. A edição é bilingue, apresentando o texto em Português por cima do texto em Inglês, de forma bastante bem conseguida, não nos confundindo minimamente.

A maior parte do volume é dedicada a Lisboa. Existe uma pequena secção sobre os jornais de Lisboa e uma última sobre Sintra.

O autor discorre sem grandes floreados sobre Lisboa, é certo. Mas os percursos efectuados são ainda hoje relevantes e é muito curioso conhecer o que seria (eventualmente) a opinião de Pessoa sobre eles, nomeadamente quais seriam os imprescindíveis de se conhecer. Nas margens do texto o editor incluiu fotografias de época, infelizmente de pequenas dimensões, mas que ajudam a contextualizar o que é escrito. Embora a pequena dimensão prejudique a sua acção auxiliar, o facto de existirem ajuda-nos a "suportar" um texto que por vezes consegue ser demasiado seco, quase ao estilo da escrita comercial. Trata-se de uma crítica a Pessoa guia turístico e não propriamente à edição em si própria...

Em bom rigor o interesse neste texto centra-se na sua autoria Pessoana e não propriamente na sua genialidade literária ou originalidade. Em termos de guias turísticos será bem conseguido mas não propriamente cativante para o leitor. Mas se acrescentarmos a aura de Pessoa por detrás das escolhas dos locais, é evidente que nos poderemos deixar envolver num percurso verdadeiramente sedutor por uma Lisboa diferente. Saúda-se por isso a nova reedição para o ano de 2011 (e sobretudo o seu arrojado grafismo) e recomenda-se a todos os Pessoanos que gostem de percorrer Lisboa.

Um agradecimento à editora Livros Horizonte pela cedência de um exemplar para análise.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

"Lisboa nos Passos de Fernando Pessoa" - Uma Apreciação Crítica




"Lisboa nos passos de Fernando Pessoa" é um livro clássico da Olissipografia Pessoana, agora reeditado para o ano de 2011. Marina Tavares Dias, a autora, publica muitos livros sobre Lisboa e este livro que agora analisamos deve, desde logo, ser considerado como uma obra aparte das restantes da autora, pois mistura o seu amor pela cidade com o amor pelo poeta. É que a autora é também uma competente estudiosa do modernismo Português e aventura-se num texto que acompanha as muitas (e bonitas) fotografias interiores.

O livro está dividido por zonas. Chiado e Baixa, Bairros Orientais e Campo de Ourique. Em redor destas zonas a autora tenta uma espécie de fotobiografia, colando fotos de época (e postais) a um texto corrido, simples e com detalhes q.b. para que não se coloquem sobranceiros às imagens, porque afinal trata-se de um livro de imagens com texto e não o contrário. No fim de cada zona, o livro oferece-nos um pequeno "guia turístico" com visitas sugeridas e até fotografias pré-encenadas. Pode parecer um pouco de mau gosto mas, surpreendentemente, resulta bem e dá um tom mais útil a um livro que poderia ter sido bafiento e chato.

As fotos, com raras excepções (como a da página 44) são de excelente qualidade e valem, só por si, bem o investimento feito no preço deste volume; levando-nos para o ambiente de época que Pessoa viveu, na virar do Séc. XIX para o XX. Trata-se de uma verdadeira "fotobiografia ambiental" que nos ajuda a perceber por onde Pessoa se movimentava, o que via e quem o via a ele. A cidade era então bem diferente, bem menos cosmopolita e entende-se melhor como o poeta poderia ser, nela inserido, um corpo verdadeiramente estranho.

A edição de 2011 traz mais cor e um layout gráfico muito moderno o que resulta numa edição cuidada (até o papel é de inesperada qualidade) e muito recomendável, quer para o estudioso, quer apenas para o curioso de Pessoa. Uma excelente aquisição para qualquer biblioteca Pessoana.