sexta-feira, agosto 12, 2011

Pessoa na Semana de Portugal na Colômbia




A Semana de Portugal é um evento que vai decorrer, de 18 a 30 e Agosto, na Colômbia que visa estreitar o relacionamento entre os dois países através de eventos culturais seleccionados. Nesta semana há a destacar diversos momentos em que Fernando Pessoa marca presença, nomeadamente:

- "Fernando Pessoa: el mito y las máscaras" (exposição)
- Simpósio Internacional de la Heteronimia Poética
- Encenação de "O Marinheiro"

Ainda relacionada com esta semana, há a notícia da criação de uma Cátedra de Estudos Portugueses, que vai ter o nome de Fernando Pessoa, na Universidad de los Andes.

"Os Meus Livros" de Agosto dá destaque a Pessoa



A revista "Os Meus Livros" de Agosto (n.º 101) dedica várias páginas a Fernando Pessoa - inclusive a capa, sob o tema "Afinal, o homem escreveu sobre tudo?". Dentro da revista poderemos ler uma longa entrevista a Jerónimo Pizarro, o coordenador das Obras de Fernando Pessoa / Nova Série, na Ática.

Nessa entrevista (que podem ler aqui em PDF) Pizarro desvenda uma edição que sairá em Setembro, supostamente com uma temática Sebastianista. Aguardemos por mais novidades.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Revista Latitudes n.º 40



O n.º 40 da revista Latitudes, dedicado ao tema "Réel et imaginaire dans l'espace lusophone" já saiu, contendo dois artigos sobre Pessoa. Curiosamente os dois são sobre o "Filme do Desassossego" - uma entrevista com João Botelho por Maria da Luz Correia e uma pequena análise ao filme, de minha autoria (um pouco em continuidade do que eu disse na altura aqui).

Este número da Latitudes pode já ser adquirido na Livraria Colibri nas instalações da UNL.

quarta-feira, agosto 10, 2011

"A Tormenta" - Uma Apreciação Crítica



A Olisipo/Guimarães continua a publicar obras que estavam no plano inicial da editora de Fernando Pessoa (que funcionou durante muito pouco tempo, ficando aquém das publicações planeadas). Desta vez viramos a nossa atenção para "A Tormenta", uma das mais famosas obras de William Shakespear.

O fascínio de Pessoa com Shakespear foi imenso. Mais do que supra-Camões, em certa fase da sua vida, Pessoa terá sobretudo pensado poder tornar-se um supra-Shakespear. Os seus objectivos eram assim tão altos e, vendo-se essencialmente enquanto um autor dramático, o mais alto que podia alcançar seria precisamente a posição que Shakespear já possuía.

Porque terá optado Pessoa, entre as 36 peças de Shakespear, por "A Tormenta" ("The Tempest" no original)? Mariana Gray de Castro, na introdução, avança com algumas possibilidades, entre as quais a que nos parece ser a mais provável será eventualmente a intensidade simbólica e mágica desta peça em particular.

Mas Pessoa pretendia ir mais além, traduzindo a peça para Português. Aliás, os seus planos eram muito mais ambiciosos, levados ao extremo de diversas traduções do Bardo. Traduções que ele exigia fossem exactas (do verso para o verso, da prosa para a prosa, sempre com métrica e esquema rítmicos iguais). Ora, esses planos ficaram, como é bom de ver, incompletos, pela sua magnitude e ambição. A tradução que se publica neste volume não é de Pessoa, mas de uma outra autora, Fátima Vieira.

Curiosamente ficámos sem saber se no espólio existem algumas páginas da tradução visto que apenas nos são dadas a conhecer algumas passagens anotadas por Pessoa na sua edição das obras de Shakespear... Visto que Pessoa exigia tanto de uma tradução de Shakespear (nomeadamente que o tradutor fosse culto e tivesse "penetrado do espírito" daquela obra dramática ao ponto de a traduzir como se fosse quase uma nova produção literária) não nos parece que Pessoa tivesse aprovado a tradução de Fátima Vieira, que é, diga-se simples e muito pouco ambiciosa.

Claro que, reproduzindo o plano da Olisipo nos dias de hoje, poderá parecer certo publicar uma tradução qualquer (ou pelo menos a melhor que esteja disponível), mas estará isso no espírito do então editor? Claro que não. Pessoa apenas ficaria satisfeito com a sua própria tradução - que talvez nunca concluísse, mesmo que vivesse até aos 90 anos... Por isso, e em respeito aos seus princípios, talvez tivesse sido preferível não se ter editado este livro agora. Pelo menos é essa a nossa opinião, que não obsta, no entanto, à leitura da obra pela obra, cujo valor não se perde.

Este volume pode ser adquirido online, neste link.

Um agradecimento à editora Guimarães pelo envio de um exemplar para análise.

segunda-feira, agosto 08, 2011

"Antologia de Poemas Portugueses Modernos " - Uma Apreciação Crítica



Em algumas análises que temos vindo a fazer, realçámos a importância de ler as obras que Fernando Pessoa mais admirava, para conseguirmos compreender melhor as suas influências. Há livros mais fáceis de apontar, porque ele próprio escreveu sobre isso, mas sabemos menos sobre os seus gostos em termos de poesia contemporânea (embora saibamos alguma coisa das sua correspondência com poetas do seu tempo).

O volume que apresentamos hoje, no entanto, é um veículo ideal para esta descoberta. Trata-se de um projecto conjunto de Pessoa e António Botto, um poeta que foi muito próximo de Pessoa (ele publicou as "Canções" de Botto e entre ambos havia alguma cumplicidade), em que ambos pretendiam elaborar uma antologia de poesia contemporânea. Projecto que, como inúmeros outros, ficou incompleto; embora neste caso António Botto o tenha levado até ao fim, seleccionando ele alguns poetas para uma edição em 1944. Uma parte do projecto tinha sido, entretanto, publicado em 1929, em fascículos.

Qual a utilidade deste livro? Desde logo perceber que poemas modernos Pessoa (e Botto) mais admiravam. Por outro lado, perceber o que era para eles "ser moderno". Com uma ressalva: foi Botto a incluir nesta antologia poemas de autores como José Régio (curiosamente não um grande admirador de Pessoa), Vitorino Nemésio, Carlos Queiróz e os heterónimos de um Pessoa já desaparecido à data da primeira edição.

A modernidade aqui é definida de um modo mais estrito, levando apenas em conta um critério temporal - supostamente desde 1927, com a "Escola de Coimbra", mas mais amplamente considerando as obras poéticas elaboradas já no pós-guerra (que Botto chama de "guerra Alemã"). Mas é curiosa a inclusão de alguns "tradicionalistas", como indica o prefaciador Eduardo Pitta, como se os autores pretendessem de certo modo fazer o fio condutor da antiga para a nova tradição poética, que inclui muitos dos correlegionários de Pessoa (Almada, Guisado, Sá-Carneiro, Gomes Leal...). Talvez esse seja afinal o objectivo mais claro de um projecto deste género: o de legitimar de certa forma o surgimento de uma corrente poética moderna, mostrando que mesmo na ocasião da ruptura com o passado, não deixa de haver uma certa continuidade, mesmo uma natural continuidade.

Deixamos apenas mais uma nota para o facto de apenas uma mulher ser incluída na antologia. Mas um nome de peso: Florbela Espanca. É um soneto dela que fecha a edição e não podemos deixar de nos questionar a que ponto Pessoa a terá lido. Ela morre em 1930, mas publica desde 1919 pelo que seria certamente conhecida pelos poetas da época. Em termos de profundidade e génio trágico sempre pensámos que seria o espírito paralelo ao de Pessoa e a sua inclusão numa antologia deste género só prova isso mesmo.

Este volume pode ser adquirido online, neste link.

Um agradecimento à editora Ática pelo envio de um exemplar para análise.

quinta-feira, agosto 04, 2011

"A invenção do dia claro" - Uma Apreciação Crítica



"A invenção do dia claro" é o título de uma das famosas conferências dadas por Almada Negreiros em 1921. José de Almada Negreiros era talvez o mais activo dos artistas do movimento que rompe nos anos 20/30 em Lisboa e que mais tarde se denominará "modernista". Activo no sentido em que mostrava as suas ideias em exposições públicas e em conferências abertas ao público - um pouco no sentido inverso dos muitos escritores como Pessoa, que revelavam as suas ideias indirectamente, pelos jornais e revistas da época.

Acho importante destacar que Almada era visto um bocado como um extravagante, na maneira de vestir e de se expressar - um típico artista, numa muito conservadora sociedade do tempo, que o olhava sobretudo pela sua excentricidade. Todo o movimento futurista fica de certo modo marcado exteriormente por figuras "escandalosas" como Almada e Santa-Rita Pintor, que, no entanto, não são muito lembradas pelas contribuições teóricas para o mesmo.

Almada tinha, já em 1917, com o seu Ultimatum Futurista anunciado o futurismo às massas, por assim dizer, de uma maneira insidiosamente revolucionária e provocatória. Mas "A invenção do dia claro" é uma conferência diferente, mais teórica, mais interiorizada, cheia de ideias interessantes de um homem que não era só um provocador. Essa é - certamente - a primeira das suas qualidades. A outra é ser um texto eminentemente filosófico - como indica e bem Jerónimo Pizarro no prefácio. A terceira é ser um "texto pintado". Não explicaremos o que isto quererá dizer, basta que o leiam para compreenderem...

Resta dizer que Fernando Pessoa terá ficado tão impressionado com esta conferência que, quando abriu a sua editora Olisipo, inaugurou-a precisamente com esta edição. Chegou mesmo a traduzir parcialmente a conferência para Inglês (a tradução é incluída no volume).

Penso que é essencial - para compreender Pessoa - ler os textos que o impactaram. Este foi um deles e a figura de Almada uma das figuras que também o marcaram e influenciaram. Um melhor conhecimento da obra de Almada é também um melhor conhecimento da obra de Pessoa. Esta razão seria suficiente para recomendarmos vivamente a leitura deste volume, mas a ela acresce ainda a (grande) qualidade e ingenuidade da escrita de Almada Negreiros.

Ps: sobre Almada, recomendamos vivamente o documentário da RTP "Almada e Tudo" (disponível para ser visto online gratuitamente).

Este volume pode ser adquirido online, neste link.

Um agradecimento à editora Guimarães pelo envio de um exemplar para análise.

segunda-feira, agosto 01, 2011

"Argumentos para Filmes" - Uma Apreciação Crítica



"Argumentos para Filmes" é uma edição da Ática (Obras de Fernando Pessoa | Nova Série) que reúne vários inéditos que Pessoa escreveu para o cinema. Trata-se de um volume que causou algum impacto na comunicação social, que não é muito habitual em redor de edições deste tipo, mas que certamente merece a nossa atenção.

Desde logo porque se pensava (ou pelo menos muitos pensavam) que Pessoa não tinha grande consideração pela 7.ª arte. Tinha existido uma edição Francesa de alguns argumentos, por Patrick Quillier, mas que acabou por não ter ampla divulgação mesmo dentro do restrito universo Pessoano. Mas seria inevitável que Pessoa, sempre atento às novidades do seu tempo (a todos os níveis do conhecimento e da arte) não fugisse ao impacto do cinema. Curiosamente um seu amigo, Eliezer Kamenesky (poeta Russo que vendia livros e era vegetariano) tornou-se actor em dois dos filmes Portugueses mais conhecidos de todos os tempos - "O Pai Tirano" e "O Pátio das Cantigas".

Não sabemos até que ponto a convivência próxima com Eliezer afectou a visão de Pessoa relativamente ao cinema, mas é certo que ele viu o cinema com grande seriedade, chegando a incluí-lo nos seus (infindáveis) planos comerciais - desenhou mesmo um logotipo para uma empresa cinematográfica chamada "Ecce Film". Para quem se limitava apenas pela imaginação, não existiam realmente limites.

No volume que agora apresentamos, toda esta história do (desconhecido) fascínio de Pessoa pelo cinema é descrita com pormenores detectivescos deliciosos pelos editores Patricio Ferrari e Claudia Fischer.

Quanto aos argumentos propriamente ditos , eles são fragmentários e não muito consistentes, como seria de esperar. Não deixam de lembrar um pouco as novelas policiárias do inspector Quaresma, embora sejam mais ligeiros e despretenciosos. Pormenor curioso é a existência de alguns diálogos prolongados, o que poderá indicar que Pessoa já vira filmes sonoros (os editores tendem mais à hipótese contrária, face à datação dos documentos). São ainda incluídas notas de Pessoa sobre cinema e cartas trocadas sobre o tema. A edição é bilingue (ou melhor, trilingue, porque é em Português, Inglês e Francês) e inclui alguns originais a cores, o que enriquece bastante o conjunto.

São incluidas ainda: apêndice com o aparato genético (julgo que é a primeira vez que o vejo incluido numa edição de pequena dimensão), uma lista de filmes exibidos na época e um excelente posfácio de Fernando Guerreiro (um especialista em história do cinema que esteve na apresentação oficial do livro e que enquadra o que foi o cinema nos anos 20/30).

Indiscutivelmente esta edição é uma das mais completas que tivemos oportunidade de analisar nesta nova colecção. Corre mesmo o risco de ser uma das mais volumosas, mas a densidade dos estudos e materiais incluídos justifica plenamente a aquisição, mesmo que as páginas de Pessoa acabem apenas por se resumir a cerca de 30/40 do total de páginas do volume (que tem mais de 180).

Este volume pode ser adquirido online, neste link.

Um agradecimento à editora Ática pelo envio de um exemplar para análise.