quarta-feira, julho 13, 2011

"O que o Turista deve Ver" na RTP2




A Professora Teresa Rita Lopes apresentou ontem, dia 12 de Julho, no programa Câmara Clara da RTP 2, a reedição do Guia de Lisboa, de Pessoa, "O que o turista deve ver", descoberta do Instituto de Estudos sobre o Modernismo (IEMo). A edição está excelente e esperamos poder revê-la em breve aqui no blog. (Entretanto acompanhem as notícias do Instituto aqui).


Podem ver o vídeo clicando na imagem em cima.

sexta-feira, julho 08, 2011

Inédito de Júlio Pomar, que retrata Pessoa, em exposição



Júlio Pomar teve (e tem) em muitos dos seus quadros a figura icónica de Fernando Pessoa. Os mesmos quadros são já famosos e constituem um inegável marco na iconografia Pessoana moderna (aliás, usamos um deles na homepage do nosso site "Um Fernando Pessoa").

Agora, no âmbito da exposição “Ecos do Fado na Arte Portuguesa XIX-XXI”, que estará patente até Setembro na Sala do Risco no Pátio da Galé, à Praça do Comércio, em Lisboa, será exposta uma pintura inédita que mostra Pessoa a falar com Alfredo Marceneiro.

quarta-feira, julho 06, 2011

Uma nota sobre Sebastianismo



No passado dia 2 de Julho tive a grata oportunidade de assistir a uma conferência na Quinta da Regaleira sobre D. Sebastião. O orador, o Prof. José Manuel Gandra, não sendo um historiador, falou habilmente sobre a vida e - o que foi mais interessante - a morte de D. Sebastião.

Segundo o Prof. Gandra, o rei teria sido capturado em Álcacer-Quibir e feito refém, sendo depois aprisionado na Itália (onde teria ido procurar ajuda do Papa), encontrando-se finalmente em reclusão num mosteiro em Limoges, França, onde viria a morrer com vetusta idade de mais de 90 anos. A história, plenamente fantástica, embora comece de uma premissa que não é original (há várias teorias bastante antigas a este respeito), parece agora basear-se em documentos oficiais encontrados pelo investigador. Investigador esse que chegou, no final da conferência a mostrar uma foto do que seria o ossário do rei - abandonado, ironicamente, em plena rua e já utilizado enquanto vaso de flores...

Para além do interesse óbvio desta história - qualquer Português que se preze terá curiosidade em ouvir falar sobre isto - pessoalmente eu não deixava de pensar em Fernando Pessoa. Em que medida o facto de D. Sebastião não ter morrido poderia ter influído na sua posição Sebastianista? Pior ainda, se fosse verdade que D. Sebastião tentou forçar a realização do seu próprio mito, sabendo que lutava para ser derrotado e morto, o que significaria isto, mais amplamente, para o Sebastianismo enquanto teoria filosófica e religiosa?

Pessoa teve, desde o início, consciência de que o mito Sebastianista pouco ou nada tinha na realidade a ver com o rei propriamente dito. Para além de ser um mito fundador, ainda mais antigo, é essencialmente uma representação simbólica de uma aspiração. "O Sebastianismo pouco tem que ver com o D. Sebastião que morreu em África , e muito com o D. Sebastião que tem o número cabalístico da Pátria Portuguesa", diz Pessoa (in Portugal, Sebastianismo e Quinto Império, Europa-América, pág. 133). Noutra passagem ele insistirá que a morte do rei, é também ela simbólica da morte da grandeza do país - o regresso do rei será, simbolicamente, o regresso da grandeza do país. Neste sentido, que é o mais forte, o mito do Encoberto, é o mito do regresso simbólico do rei na forma da grandeza da Pátria.

Curiosamente, o rei pode mesmo ter morrido, continuando vivo. Gandra falou da teoria dos dois corpos do rei - o corpo mortal e o corpo espiritual. Em verdade, o rei desaparece, o que poderia significar a desaparecimento de um dos seus dois corpos. O rei morrera, mesmo que permanecesse o corpo material. "No sentido simbólico D. Sebastião é Portugal" (Ob. Cit., pág. 151). Nos períodos de perda de identidade nacional, aqueles que clamam o regresso do rei, chamam isso sim pelo regresso dessa identidade nacional primitiva, linear e sem quebras. Há aqui a consagração da nação enquanto entidade metafísica - enquanto "organismo psíquico", usando a expressão que Pessoa usa - que recusa os limites da territorialidade ou sequer da imanência material.

Ora, o Quinto Império sonhado por Pessoa é precisamente... espiritual. O renascimento da alma Portuguesa - ou melhor ainda, transmutação - seria para uma realidade intectual, espiritual. Iniciaticamente, a morte do corpo do rei poderia simbolizar esse passo necessário na Obra: a passagem do inferior para o superior, pelo fogo (pelo aço quente). O rei teria de morrer para renascer. Neste limite, a sua morte real pouco interessa. O facto é que o seu corpo espiritual foi perdido em Alcácer-Quibir e isso permite ao mitologista trabalhar a realidade em função disso mesmo. Como tal, o Sebastianismo em nada parece perder com esta investigação de Gandra.

O que interessa é compreender a profunda influência na alma do "organismo psíquico" da perda da independência nacional enquanto dupla catástrofe - fim inegável do Império Ultramarino e diluição das fronteiras com os nossos inimigos. Para o fim da recuperação deste trauma bicéfalo, há que contar apenas com um princípio puramente simbólico - D. Sebastião já só mito e mais nada.

Vejamos aliás como tudo isto se confirma na "Mensagem". D. Sebastião aparece primeiro enquanto uma das "Quinas" e com o título de "Rei de Portugal" (o corpo espiritual):

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

"Fico meu ser que houve, não o que há" - perdeu-se o corpo espiritual do rei. Que mais tarde reaparece, já nos "Símbolos", já sem o título de rei, só "D. Sebastião":

Esperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus.

Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura,
É Esse que regressarei.

"Que importa o areal e a morte e a desventura", escreveu Pessoa. Na realidade, o rei já tinha morrido e estava em símbolo para sempre presente na nossa identidade nacional, para ser usado para o nosso renascimento espiritual a caminho do Quinto Império, o Império Espiritual. A sublimação operada pela morte tinha filtrado qualquer elemento material - no fim da viagem, D. Sebastião já não é um homem, apenas uma representação simbólica de algo superior. Um mito. E esse mito não pode ser abalado por nenhuma revelação humana.

Isto para concluir que, por muita polémica que se levante nos próximos tempos sobre a data e circunstâncias reais da morte de D. Sebastião, isto em nada vai afectar a validade das teorias Sebastianistas. Esta é, pelo menos, a nossa opinião sincera (e, creio, também seria a de Pessoa).

segunda-feira, julho 04, 2011

"O Banqueiro Anarquista" vai ser traduzido para Sérvio



O Instituto Camões vai apoiar a tradução de diversas obras de autores Portugueses para a língua Sérvia, entre as quais "O Banqueiro Anarquista", de Fernando Pessoa. Esta presença de obras Portuguesas traduzidas será essencial à presença do país na Feira do Livro de Belgrado.

Notícia via Instituto Camões

sábado, julho 02, 2011

Revista "Cultura Entre Culturas", n.º 3 - Uma Apreciação Crítica



A Revista "Cultura Entre Culturas", publicada pela Âncora Editora, dedicou o seu n.º 3 inteiramente a Fernando Pessoa, com o subtítulo "Pessoa, poeta do nosso desassossego". Das 272 páginas do volume, mais de 150 são dedicadas a Pessoa, com ensaios, poemas e 72 páginas de inéditos.

A revista abre com um editorial muito confuso (e muito mal escrito, na minha opinião), que nos tenta introduzir no tema da revista. Infelizmente não assinado, para que se pudesse atribuir culpas devidas a quem de direito...

Passando aos ensaios propriamente ditos. O volume abre com um estudo de António Cândido Franco que aborda Pascoaes e Pessoa. Muito curioso artigo, que "retoma" algumas questões de que já tínhamos falado a propósito da conferência "Central de Poesia", nomeadamente a recepção da obra de Pessoa nos anos 30,40 e 50. Pascoaes, primeiro um adepto, foi, nos anos 50, um "contra-Pessoano", precursor de certa maneira da atitude de Cesariny (já agora, aproveitamos para lembrar que já era tempo de "O Virgem Negra" ter uma reedição).

O ensaio seguinte é de Paulo Borges e versa sobre a "Mensagem". A primeira novidade é desde logo que o autor prepara um livro sobre a "Mensagem" (tentaremos saber mais sobre ele brevemente). O ensaio é bastante opaco - no sentido de a linguagem utilizada ser iminentemente académica - mas julgo tratar-se de uma interessante abordagem do livro de Pessoa enquanto viagem interior. Segundo Borges, o poema "As ilhas afortunadas" é a chave da leitura da mensagem da Mensagem. Veremos mais tarde, quando surgir o seu livro completo, o inteiro significado desta proposição - mas este ensaio é um início prometedor, embora, como algumas vezes acontece, possa haver o risco de uma leitura exageradamente rebuscada de Pessoa.

Bruno Béu de Carvalho apresenta de seguida um ensaio sobre "Fernando Pessoa e a saudade do presente". Trata-se de um dos ensaios mais bem conseguidos deste volume, falando-nos do lugar da saudade na obra Pessoana. Como bem indica o autor, a palavra "saudade" aparece poucas vezes em Pessoa - e ele próprio parece ter uma atitude anti-saudosista, seja por convicção, seja para quebrar com as correntes clássicas do seu tempo. É interessante pensar a maneira como Pessoa quis transformar a saudade "em-si" numa saudade do presente ou mesmo do futuro. Porventura conseguiu mesmo "enganar" quem o estuda actualmente...

O ensaio seguinte fala dos "35 Sonnets" de Pessoa e é da autoria de António Faria. Nele o autor versa sobre o tempo nestes poemas, partindo de uma afirmação ontológica algo misteriosa.

João Marques Lopes escreve, por seu lado, sobre "Fernando Pessoa - da Mensagem à Elegia na Sombra". Um texto algo crú sobre a maneira como, de certa forma, a "Mensagem" foi um acto falhado de Pessoa, que o levou provavelmente a lamentar ter expresso tão literalmente o seu idealismo perante uma realidade que o decepcionou profundamente.

Os dois ensaios seguintes juntam António Maria Lisboa a Fernando Pessoa. Maria Lisboa foi um surrealista, profundamente influenciado, porém, pelo esoterismo. Raquel Guerra escreve precisamente sobre o surrealismo mítico, enquanto Luis Pires dos Reys reflecte sobre o rumo e a navegação.

Segue-se o caderno de inéditos, que é de enorme interesse, contendo textos nunca antes publicados sobre Omar Khayyam, o Oriente, Vicente Guedes/Bernardo Soares e diversos escritos filosóficos. São 72 páginas obrigatórias para qualquer Pessoano.

Para o final do volume encontramos ainda mais ensaios. Ciprian Valcan escreve sobre "Os sonhos de Bernardo Soares". Curto mas interessante. Julia Dieguez escreve sobre a poética da ausência. Pablo López sobre a metafísica e a loucura em Pessoa. José Almeida reflecte sobre a "Educação do Estóico" (uma obra ainda pouco estudada e este ensaio é muito recomendável). Joaquim Patrício escreve sobre a linguagem e os ensaios Pessoanos terminam com um muito interessante estudo de Inês Borges que coloca lado a lado a arquitectura e a poesia, falando de labirintos.

Em conclusão, recomendamos vivamente que adquiram este número, principalmente (mas não só) pelo valioso caderno de inéditos incluído no mesmo.

Alguns conteúdos desta revista estão disponíveis para leitura aqui, e aqui pode ler-se o elenco total dos conteúdos deste número. Podem adquirir este número da revista nas principais livrarias, ou assinar a mesma através deste número: 213 951 221

Agradecemos a Âncora Editora o envio de um exemplar para análise e divulgação.

sexta-feira, julho 01, 2011

Os argumentos para cinema de Fernando Pessoa



Já se sabia há algum tempo (pelo menos desde 2007) que Pessoa tinha escrito argumentos para cinema. Mas só agora se prevê a publicação mais extensa dos mesmos. A edição estará a cargo de Claudia J. Fischer e Patricio Ferrari, saindo pela editora Ática, chancela da Babel que nos tem habituado a excelentes edições nos últimos tempos.