terça-feira, junho 14, 2011

Livros Horizonte reedita "Lisboa - O que o Turista deve ver"



"Lisboa - O que o turista deve ver" é, porventura, uma das obras menos conhecidas de Fernando Pessoa. Trata-se de um guia turístico, bilingue, escrito por Pessoa em 1925 e especialmente pensado para o turista estrangeiro que visitasse a capital Portuguesa. O texto inédito à morte de Pessoa foi, no entanto, deixado dactilografado e na versão acabada, pronto a editar.

Desde que foi editado pela primeira vez, à sua volta já surgiram outros materiais, como DVDs e mesmo mapas virtuais. Agora, a editora Livros Horizonte reedita o manuscrito original, que alguns estudiosos Pessoanos ligam ao projecto preparatório de "Mensagem".

Notícia via Diário Digital

terça-feira, junho 07, 2011

"Univers Pessoa" celebra Pessoa na Catalunha



O Município de Girona, na Catalunha, dedica o mês de Junho de cada ano a um grande vulto da literatura mundial, num evento chamado "Univers Literari". Este ano o escolhido foi Fernando Pessoa. De 7 a 22 de Junho vão ocorrer, naquele Município, várias actividades em torno da figura do poeta, desde leituras a conferências e mesmo uma experiência gastronómica baseada na sua obra. Todo o programa pode ser consultado aqui.

sexta-feira, junho 03, 2011

"Fernando Pessoa e Nietzsche: O pensamento da pluralidade" - Uma Apreciação Crítica



Não nos cansamos de dizer que o panorama dos estudos filosóficos sobre Pessoa continua a ser bastante pobre. Mas, felizmente, nos últimos meses a situação parece estar a mudar para melhor. Já aqui tivemos oportunidade de analisar aquela que eu acho ser uma das melhores edições Pessoanas recentes (senão mesmo a melhor) - "El Pensar Poético de Fernando Pessoa" - que reuniu fantásticos estudos filosóficos em torno da obra Pessoana. Agora temos o prazer de analisar mais uma edição que contém vários estudos filosóficos em redor do tema da pluralidade em Pessoa e em Nietzsche.

Segundo Nuno Ribeiro, Pessoa e Nietzsche são dois dos principais autores que procuraram a fragmentação dos princípios unitários em favor de um pensamento da pluralidade. O que é um pensamento da pluralidade? O autor tenta responder a esta questão iniciando a sua investigação pela estética - pela questão inicial das personagens nos dois autores supra-citados.

Esses personagens incorporam, em si mesmos, uma multiplicidade de forças, ou de características definidoras de si mesmos. Mas enquanto Nietzsche parte da filosofia para acabar na escrita, Pessoa opera o caminho inverso para atingir essa mesma definição. Assim se pode explicar que esta diferença melhor se incorpora nos diversos estilos na obra Pessoana do que na do filósofo de Weimar. Pessoa leva mais longe o seu projecto, dando-lhe um carácter iminentemente dramático.

Este é o conteúdo sumário do volume numa primeira parte, onde Nuno Ribeiro lê os dois autores lado a lado, tentando captar semelhanças entre ambos os métodos filosóficos. Já numa segunda parte, o autor propõe-nos duas incursões, uma sobre «Pessoa leitor de Nietzsche" e outra sobre «O homem enquanto animal vestido». A segunda incursão revela-se muito interessante, sobretudo se levarmos em conta em que medida as máscaras Pessoanas não serviriam também elas enquanto "revestimentos" do homem-Pessoa.

O volume termina com uma adenda - um artigo só sobre Nietzsche, que no entanto nos pareceu um pouco deslocado no total do livro. Embora seja um estudo muito interessante sobre a noção do «sentido da terra» na obra de Nietzsche, não compreendemos a sua inclusão nem no tema da pluralidade nem no tema da comparação com Pessoa, acabando por ser um artigo demasiado avulso para este contexto.


Este volume pode ser adquirido online neste link.

Agradecimentos a Nuno Ribeiro pela disponibilização de um exemplar para análise.

quinta-feira, junho 02, 2011

"Crónicas da Vida que Passa" - Uma Apreciação Crítica



Muitos dos admiradores da obra de Pessoa ignoram que em vida ele foi um interveniente político em polémicas do seu dia-a-dia. Seja usando o seu próprio nome ou escrevendo sobretudo enquanto Álvaro de Campos, Fernando Pessoa fez publicar crónicas e opiniões em jornais, enviou cartas e mensagens, publicou manifestos, artigos e panfletos.

O volume que agora analisamos, com edição a cargo de Pedro Sepúlveda e intitulado "Crónicas da Vida que Passa" reúne os textos publicados por Pessoa numa coluna com o mesmo nome numa "folha", chamada precisamente O Jornal, no ano de 1915, logo depois de ter saído o primeiro número de Orpheu.

Num pormenor que muito nos agradou, são incluídas imagens digitalizadas as páginas do jornal onde as crónicas apareceram, dando-lhes um carácter mais concreto e real. O editor também inclui alguns textos inéditos, preparatórios das crónicas, que nos indicam o trabalho inicial do poeta.

De referir que a colaboração de Pessoa com O Jornal terminou repentinamente (como a maior das actividades estritamente extra-literárias dele sempre terminavam) com uma polémica em torno da sua última crónica. Esta menciona a classe dos chauffers que se indignou directamente ao director da publicação, levando a que este "despedisse" Pessoa do cargo que ocupava. Pessoa tinha ainda dactilografado duas crónicas que nunca publicou e que ficaram inéditas até depois da sua morte (também incluídas nesta edição).

Este volume pode ser adquirido online neste link.

Agradecimentos a Pedro Sepúlveda pela disponibilização de um exemplar para análise.

quarta-feira, junho 01, 2011

"Misoginia e Anti-Feminismo em Fernando Pessoa" - Uma Apreciação Crítica



Esta semana estamos a dedicar a nossa atenção à crítica de diversos volumes recentemente editados pela Ática, sempre com temática Pessoana. Hoje viramos a nossa atenção para um interessantíssimo estudo de José Barreto, um dos mais esclarecidos investigadores Pessoanos da actualidade, intitulado "Misoginia e Anti-Feminismo em Fernando Pessoa".

Neste volume o estudioso reúne vários textos de Pessoa, cinco deles inéditos até agora, em que o Poeta da "Mensagem" escreve sobre o papel das mulheres na sociedade e não só. Desde logo, Barreto, avisa-nos para o facto deste livro não pretender diminuir a imagem construída em volta de Pessoa, mas, por outro lado, enriquecer a compreensão de um período da sua vida em que ele mantinha posições que se foram diluindo ao longo da vida.

É bastante interessante ver como há - aparentemente - um Pessoa pré e pós-guerra, no que toca às suas opiniões sobre o género feminino. Barreto ilustra como o jovem Pessoa, provavelmente levado pela ligação do feminismo a uma dimensão mais política e também pelas suas leitoras à época, adopta um discurso dito machista ou misógino. A grande vantagem de Barreto é, sem dúvida, o seu grande esclarecimento (e erudição) sobre a realidade histórica da época, sem dúvida uma mais-valia para o leitor.

Claramente esta distinção das duas fases em Pessoa têm muito a ver com a sua própria experiência com as mulheres. Sabemo-lo respeitador das mulheres, exteriormente, mas, na sua vida privada a sua visão é extremada pela necessidade de pensar teoricamente. Tanto é assim que, quando ele encontra Ophélia, a sua visão se desvanece.

José Barreto consegue um estudo muito completo, que nos revela as idades de um Pessoa inexperiente com as mulheres e levado, pelo menos inicialmente, a desconstruções teóricas sobre as mesmas, em virtude dessa mesma inexperiência. Revela-nos o que o poeta leu a esse respeito e a maneira como o feminino aparece - muitas das vezes polemicamente - nos seus textos ou planos de publicações. Este é um livro que recomendamos vivamente, mais que não seja por tocar um tema mais delicado em Pessoa, sem pudores e com uma estrita vontade de esclarecimento futuro.

Este volume pode ser adquirido online neste link.