sexta-feira, maio 20, 2011

Pessoa em concurso de Cake Design



Aproximando-se o fim-de-semana, fica aqui uma notícia mais leve sobre Pessoa: A cake designer das Caldas da Rainha Teresa Henriques esteve presente na 5ª edição do concurso/congresso MS´ Trophy, em S. Paulo – Brasil, considerado o maior evento de cake design daquele país e que se realizou de 1 a 3 de Maio, com um bolo em que estão representados Pessoa e a fadista Marisa. Cliquem na imagem para ver em maior resolução.

quinta-feira, maio 19, 2011

"Uma noite com Pessoa" na Casa Fernando Pessoa





A partir de hoje vários escritores convidados pela Casa Fernando Pessoa vão dormir no quarto do poeta para depois escreverem sobre a sua experiência, num livro a ser editado mais tarde. O nome da iniciativa, "Uma noite com Pessoa", mostra bem a sua intenção, da partilha directa entre escritores (uns vivos e o original, já morto). O primeiro escritor a passar por esta experiência será o Brasileiro João Gilberto Noll.

quarta-feira, maio 18, 2011

"Citações e Pensamentos de Fernando Pessoa" lançado no Brasil



A Leya acabou de lançar no Brasil um volume com citações e pensamentos de Fernando Pessoa em 100 excertos, 350 citações e 65 poemas – distribuídos por mais de 200 temas.

terça-feira, maio 17, 2011

"O Livro de Caeiro" por Pedro Sepúlveda



"O Livro de Caeiro" é um interessante artigo de Pedro Sepúlveda publicado na revista "Diacrítica", sobre a génese e organização da obra de Alberto Caeiro por Fernando Pessoa. Recomendamos vivamente a sua leitura. Basta clicar aqui e ir a págs. 387 e segs do PDF.

domingo, maio 15, 2011

"Los Pliegues del Sujeto" - Uma Apreciação Crítica



Sempre houve um grande interesse em analisar a obra de Pessoa de um ponto de vista psicanalítico. Prova disso mesmo é que a primeira grande biografia do poeta, feita pouco mais de uma dezena de anos depois da sua morte, ser precisamente acusada de ser demasiado Freudiana. Mais recentemente o interesse nesta análise tem-se reavivando, como exemplifica o recente Colóquio Internacional “Nietzsche, Pessoa e Freud”, que decorreu em Lisboa na passada semana.

Julgo que este facto traz um pau de dois bicos - por um lado é interessante analisarmos Pessoa profundamente, tentando perceber o porquê da sua obra e especialmente o papel desempenhado pela sua necessidade inata para a despersonalização; por outro, corremos o risco de over analysing e de tornar a própria obra e o seu criador em freaks, anomalias.

O livro de Ani Bustamente, "Los Pliegues de Sujeto, una lectura de Fernando Pessoa", é - digamos desde o princípio - um livro técnico, e não propriamente uma biografia de Pessoa ou algo que se centre no poeta. Ela usa Pessoa como um exemplo intermediário para a compreensão do papel do sujeito actual, numa perspectiva psicanalítica, sobretudo face à dissolução do eu nas diversas manifestações da personalidade moderna. Ou seja, é um livro permeado por filosofia, psicologia e poesia.

Confessa-nos a autora: "El motivo principal de este livro es el llegar a pensar los movimientos y lugares de sujeto contemporáneo a partir del modelo que nos brinda Fernando Pessoa con su obra". (pág. 290).

Não pretendemos ser especialistas e abordamos este livro da perspectiva Pessoana - será nessa luz que a nossa crítica será elaborada. E nessa perspectiva achámos muito interessante a teoria topológica apresentada pela autora, defendendo que os heterónimos são "pliegues" (pregas) no sujeito, ou seja, curvaturas na linha horizontal do "sujeito", que se relacionam entre si e, simultaneamente, levam a um isolamento do "eu original" para dentro de si mesmo. Entre as pregas estarão os "intervalos" (tantas vezes mencionados na obra de Pessoa), que acabam por dar ao poeta dividido (pág. 22) a sensação de perda da sua própria identidade fundamental.

Bustamente começa por explicar (tecnicamente) a teoria da divisão do sujeito, recorrendo primeiro a Freud e depois a Lacan, Deleuze e Winnicott. Depois aplica a sua "topologia" das pregas à obra Pessoana (pág. 135 e segs), chegando à conclusão que o "eu original" acaba afastado e isolado, deixado a "un aislamiento en qual vive atraves de sueños". O "eu" deixa de ser uno (a autora não investiga o porquê) e passa a viver numa multiplicidade que modela, como ondas de rádio, usando para tal a linguagem poética.

Claro que o objectivo de Ani Bustamente não era compreender Pessoa, mas usar o seu exemplo para a compreensão do sujeito moderno e a maneira como este sujeito vive em sociedade, nomeadamente como a sua pluralidade (e virtualidade) acaba por ser sinónima da heteronímia Pessoana. De facto o sujeito moderno recusa a vida linear e acaba por assumir diferentes personalidades (virtuais, mascaradas, diferenciadas, etc) que o ajudam a reagir à própria dispersão e velocidades do mundo moderno. Para Bustamente a poética acaba por surgir como ferramenta-bússola para orientar o sujeito. Cada sujeito terá uma "poética individual" que o ajudará a compreender a sua própria relação múltipla com o mundo em seu redor. Uma hipótese fascinante e sobre a qual decerto vale bem a pena reflectir.

Agradecimentos à autora pelo envio de um exemplar para análise.

O livro já se encontra à venda online, podendo ser adquirido aqui.

sexta-feira, maio 13, 2011

"Cartas Astrológicas" - Uma Apreciação Crítica



Raramente assistimos, devido sobretudo à quantidade esmagadora de edições nos últimos anos, à saída de um título verdadeiramente original sobre Fernando Pessoa. Mas no caso presente podemos afirmar, sem grandes dúvidas, que este livro é realmente um título original. Isto porque a vertente astrológica da vida e obra de Pessoa tem sido, talvez ao lado do lado filosófico e esotérico, a menos explorada pelos investigadores. Poucos inéditos foram publicados desde a morte do autor e ainda menos estudos.

Paulo Cardoso foi-se dedicando, desde os anos 80, a esse mesmo estudo. Embora não tenha entretanto publicado muito - apenas dois livros "finos" - o presente volume mostra bem que ele, mesmo sem publicar, atingiu já seguro domínio da matéria que nos apresenta. Ao seu lado contou com a ajuda rigorosa de Jerónimo Pizarro, que mais uma vez deixa a sua marca nos estudos Pessoanos modernos.

"Cartas Astrológicas" centra-se precisamente nisso - em alguns das mais representativos estudos astrológicos feitos por Pessoa, em redor sobretudo de figuras históricas ou de amigos mais ou menos próximos. Paulo Cardoso foi cauteloso nesta sua primeira edição "a sério" sobre a astrologia Pessoana e penso que bem, focando-se no essencial e não indo pela tendência fácil de lançar inéditos sem o tempo e espaço necessário para nos dar a compreensão em redor dos mesmos. Aliás, esse é precisamente o problema de qualquer edição dos inéditos astrológicos - a opacidade do tema perante o mais comum dos leitores. Cardoso consegue, e bem no meu entender, passar do complexo para o simples e traz-nos mesmo várias camadas muito agradáveis de análise.

Devo dizer que existem várias notas de surpresa, que vão certamente satisfazer todos os Pessoanos que lerem este livro. Destaco algumas: Pessoa era, de início um céptico em relação à astrologia, pedindo horóscopos a estrangeiros que versavam sobre ele mesmo ou sobre figuras históricas. O objectivo? Testar a astrologia e começar a estabelecer comparações entre ele e essas figuras (como Shakespear, Bacon e Wilde). Havendo dúvidas em relação à sua hora de nascimento, o poeta tentou suplantá-las com a ajuda desses "peritos". Mas rapidamente o seu cepticismo inicial se transformou em fascínio. Ele usa amplamente a astrologia na criação dos heterónimos (correspondendo cada um dos heterónimos principais, e ele mesmo, a um elemento) e toma decisões diárias baseando-se num método avançadíssimo denominado Astrologia Horária.

Fascinante é também o interesse de Pessoa pela data da sua própria morte. Devo dizer que ainda não tinha visto o documento relativo a esta previsão - de que tanto se fala, mas que acaba por ser mencionada em passagem, sem grande precisão. Paulo Cardoso inclui-o na página 65 e é razão bastante para adquirir o livro, sem mais. A análise de Cardoso, sempre simples e simultaneamente rigorosa, ajuda ainda o leigo a entender os pressupostos por detrás de todos estes estudos.


Embora o livro acabe por ser uma compilação de horóscopos de personalidades variadas feitos por Fernando Pessoa, ele resume-se a algo mais do que isso - é a primeira edição séria sobre a astrologia Pessoana. Um verdadeiro marco e um livro indispensável em qualquer estante Pessoana. Recomendamos vivamente que o comprem e leiam com atenção, porque nos dá um vislumbre interessantíssimo sobre uma vertente muito pouco explorada de Pessoa. Esperamos que seja o princípio de um caminho ainda longo para Paulo Cardoso, porque há muito ainda por publicar e certamente ele é o homem certo para esta missão, como fica bem demonstrado com este primeiro (ainda que não inicial) esforço.

O livro pode ser adquirido online neste link.

Agradecimentos à Bertrand pela disponibilização de um exemplar para análise.

Biografia Brasileira de Pessoa esgota a 1.ª edição



"Fernando Pessoa - uma quase autobiografia", a monumental biografia escrita por José Paulo Cavalcanti que já analisámos aqui, esgotou a sua 1.ª edição no Brasil, em tempo recorde. Um sinal óbvio do apreço em relação a Fernando Pessoa pelos leitores Brasileiros.

Fica aqui um sincero abraço de parabéns ao autor, e, porque não, aos leitores Brasileiros.