quarta-feira, abril 13, 2011

Palestra de José Blanco sobre Pessoa na UL



José Blanco, insígne Pessoano, vai proferir uma palestra sobre Fernando Pessoa no âmbito das celebrações dos 100 anos da Universidade de Lisboa. Estas celebrações reunem 100 palestras dadas por antigos alunos da Universidade, no âmbito de um programa intitulado genericamente de "100 Lições".

A palestra de José Blanco intitula-se "Os inimigos de Fernando Pessoa" e terá lugar amanhã, dia 14 de Abril, às 18h.

terça-feira, abril 12, 2011

"Abril, Palavras Mil" aborda Pessoa, no Frágil



O bar Frágil em Lisboa vai dedicar dois dias do seu evento "Abril, Palavras Mil" a heterónimos Pessoanos. Dia 14 será Alberto Caeiro, lido por Rui Morrison, com música de Rodrigo Leão; dia 28, Álvaro de Campos, lido por Carla Bolito com música de Tó Trips. A não perder.


segunda-feira, abril 11, 2011

José Wisnik fala sobre Pessoa no Real Gabinete de Leitura



José Manuel Wisnik vai dar uma palestra no Real Gabinete Português de Leitura (Rio de Janeiro, Brasil), no próximo dia 26 de Abril, pelas 16 horas, intitulada "Fernando Pessoa e a Canção Brasileira". Wisnik já tinha falado deste tema em 2010, no II Congresso Internacional Fernando Pessoa.

terça-feira, abril 05, 2011

"Fernando Pessoa - Uma quase Autobiografia" - Uma Apreciação Crítica



Não será hábito começar uma recensão de um livro por citar outras apreciações já publicadas. Mas neste caso torna-se irresistível falar na maneira como a mais recente biografia de Pessoa foi sendo recebida nas últimas semanas: Fernando Pessoa seria homosexual? Sim, Cavalcanti diz que Pessoa era gay (já agora, também era Gandhi). A devassa levada a cabo pelo "Brasileiro" continuou inclusive pela descoberta de mais 55 heterónimos e por ousar dizer que Pessoa, afinal, não tinha imaginação.

Escapou a todos a maior novidade deste livro: o facto de não ser um livro com novidades.

Não me percebam mal, a edição é cuidada e a investigação minuciosa, mas, desde que se lê o título do capitulo inicial - "Paraíso Perdido" - ficamos desde logo com a nítida sensação de que o autor se limita, 80% do tempo em fazer uma súmula do que já fora publicado, o que resulta num texto de difícil leitura e, o que é mais grave, pouco rigor, pois são (muito) raras as notas de rodapé referindo as fontes originais (a nossa própria investigação sobre o "Dia Triunfal" é citada, mas o autor apenas deixa o nome do astrólogo que eu consultei, errando mesmo assim o nome do mesmo...). Para acrescer à dificuldade de leitura, vemo-nos perante um texto escrito com recurso "às palavras do próprio Pessoa". Trata-se de um artifício que, na minha opinião, não deu resultado e que peca por cansativo para um livro de 700 páginas. Aliás, ver-se-ia logo a inutilidade do mesmo quando este é abandonado nos períodos da vida de Pessoa que ele não cobre nos seus versos (o exemplo maior é a sua adolescência em África, momento em que as citações desaparecem subitamente).

O livro respira melhor quando o autor refere momentos de verdadeira investigação - o exemplo maior é a desconstrução do poema "Tabacaria", revelando onde foi escrito e onde seria a Tabacaria. Ou então quando pega noutras personagens presentes na poética e tenta dar-lhes consistência de realidade. Cavalcanti consegue-o, mas o salto para a conclusão de que "Pessoa não tinha imaginação" é demasiado arriscado e, quando a mim, erróneo. Responde-lhe o próprio Pessoa: "Dizem que finjo ou minto / Tudo que escrevo. Não. / Eu simplesmente sinto / com a imaginação. / Não uso o coração". Quando Pessoa era vivo, acusavam-no de ser frio, demasiado racional; julgo que não é altura para regressarmos a esse entendimento, nem ir para o oposto de o considerar fingidor assumido de tudo. Nem fingidor nem sem imaginação...

Que Pessoa poderia ser gay, ter um sexo pequeno ou ser vaidoso já não é novidade. Ou que poderia ter morrido de pancreatite. Aliás, sucedem-se neste livro uma lista infindável de novidades que chegam demasiado tarde. E depois, incompreensivelmente, faltam os pequenos pormenores. Dois exemplos: falando do General Henrique Rosa, não se fala da colaboração de ambos nos jornais da época (tema tocado por Manuela Nogueira nos seus livros e comunicações recentes); quando fala de Almada Negreiros, não se toca no papel do mesmo na troça com a queda de Afonso Costa do eléctrico e posterior ameaça à vida (ou pelo menos integridade física) de Pessoa, que por Campos tinha troçado do facto.

Outro pormenor que me "tirou da leitura" foi o facto da organização do livro passar de cronológica a "temática", sem se explicar bem o porquê. Pensar-se-ia que a estrutura do livro poderia reflectir apenas uma ou outra opção e não um misto que dificulta em muito a leitura.

Devo dizer que se estou a ser demasiado crítico é sobretudo porque esta biografia foi sendo anunciada como a "mais completa de sempre". E talvez seja, mas em que medida um livro que reúne informações de incontáveis outros e lhes junta alguma investigação, interessante mas ainda assim acessória, se torna imprescindível no universo exclusivo das biografias Pessoanas? A erudição do autor esconde, em parte, esta colagem, mas deixa, no final, apenas a sensação de alguma distanciação emocional face à recolha frenética de factos de forma a completar uma imagem demasiado desumanizada do poeta - atingindo precisamente o oposto do que se pretendia atingir, que era destruir o poeta feito símbolo expondo-lhes as influências humanas na obra.

Apenas em pormenores se salva, infelizmente, a edição. O maior deles conta-se a páginas 676 e seguintes e conta que, quando Pessoa morreu, as freiras do Hospital São Luís dos Franceses chamam Ophélia (quiçá a pedido de Pessoa, não se diz, mas de que outro modo saberiam da relação entre os dois, terminada anos antes?) e deixam-na no quarto a sós com o cadáver, das 20h e pouco ao raiar da madrugada. Ophélia entra no quarto e toca a frente fria de Pessoa, colocando depois a mão direita dele entre as suas, e fica a falar com ele. Quando as freiras lhe pedem carinhosamente que saia, com medo da chegada da família, passam-lhe para as mãos um pequeno livro de poemas de Bocage que tinha ficado no bolso do defunto (trouxera-o para ler e por isso pedira os óculos ao sentir que ficava sozinho e próximo de morrer). Ophélia levou-o, num envelope, com grande descrição, contando só anos mais tarde a história a um jornalista Brasileiro, que ficou com o livro, entregue em mãos por Ophélia, como prova cabal do ocorrido.


Update: Richard Zenith, com base na investigação em torno do livro de Bocage na biblioteca de Pessoa à hora da sua morte, negou a versão da história contada por Cavalcanti. 

domingo, abril 03, 2011

É poeta? Influenciado por Pessoa? Leia mais...

Procura-se para pesquisa poetas contemporâneos relativamente desconhecidos que claramente reconheçam terem sido influenciados pela poética de Fernando Pessoa. Precisam ter documentado essa influência, seja por meio de diários, cartas, autobiografias, ou mesmo através de suas próprias poesias. Ou seja, o poeta influenciado precisa também ser investigador de sua própria experiência.

Anita Melo é professora e pesquisadora na Universidade da Carolina do Norte, E.U.A. Ensina língua portuguesa, culturas e literaturas lusófonas. Contacto: nitinha8@gmail.com

quarta-feira, março 30, 2011

Entrevista de Jô Soares a José Cavalcanti



José Paulo Cavalcanti falou da sua nova biografia de Pessoa no popular Programa do Jô. Basta clicarem na imagem em cima para terem acesso ao vídeo completo.