terça-feira, janeiro 18, 2011

"Fernando Pessoa moderne e antimoderne"



Aníbal Frias publicou recentemente um artigo intitulado "Fernando Pessoa moderne e antimoderne" na revista
Estudos do Século XX, nº 10, CEIS20/Universidade de Coimbra.

Trata-se de um interessante estudo que questiona a que ponto Pessoa, ao pensar a modernidade também se dedicou a pensar o próprio declínio das sociedades modernas. Frias reforça, ao longo de todo o artigo, que Soares e sobretudo Campos falaram tiveram uma postura crítica perante a modernidade.

Tudo parte da questão-base: que fazer com a crise civilizacional do início dos anos 10-20? Pessoa aborda o problema numa perspectiva dupla, reconstruindo a literatura e a psique nacional. É curioso que ainda há pouco falávamos neste blog de Antero de Quental e de como ele tinha sido um exemplo para Pessoa neste aspecto.

Mas o importante é reforçar que Pessoa tinha "teorias de acção", usando a arte enquanto ferramenta de transformação civilizacional - neste caso o sensacionismo. Mas a própria "Mensagem" é apontada como sendo um texto de acção, iminentemente teleológico. A solução para a decadência advinha também da substituição do vazio trazido pela morte de Deus, substituindo-o pelo mito do Quinto Império. Uma hipótese muito interessante.


É ainda mais interessante, porém, que - como o próprio Frias reconhece - a verdadeira acção "contra-decandente" teria de ser baseada no sonho (pois o Quinto Império é um sonho, um mito). Achámos estas duas frases de Frias excelentes e resumem bem a conclusão de um artigo que aconselho vivamente:

"Seul la capacité de rêver activement instaure un mouvement contre-decandente"


"L'aventure pronostiquée du Quint Empire c'est celle d'une nation lusitanienne pleinement européanisée et à l'avant-garde culturelle de la civilization, à l'instar de son glorious passé".

segunda-feira, janeiro 17, 2011

"Os Sonetos Completos de Antero de Quental" - Uma Apreciação Crítica



A Guimarães Editores, em parceria com a Fnac, continua a dar continuação a um plano editorial de Fernando Pessoa, que nunca chegou a ser concretizado totalmente na sua editora Olisipo. Desta vez temos oportunidade de ler "Os Sonetos Completos de Antero de Quental", numa edição a cargo de Patrício Ferrari.

Creio que não é descabido reforçar a importância deste esforço editorial, que nos dá a conhecer - de modo muito linear - as obras que Pessoa considerava importantes (ou mesmo essenciais) para alguém ler no seu tempo. São obras que marcaram o poeta e que, necessariamente, marcaram a sua obra e o seu pensamento.

Quental teve influência em Pessoa, como muitos outros poetas. Nele Pessoa parece ter encontrado uma espécie de irmandade no sofrimento, pois disse, numa passagem o seguinte: "I am never happy, neither in my selfish, nor in my unselfish moments. My solace is reading Antero do Quental. In me, after all, Luther-spirit. Oh, how I understand that deep suffering that was his". Há que lembrar que Antero foi um poeta que quis mudar o país pela literatura (e que de certo modo falhou, acabando por se suicidar) - o que lembra instantaneamente os esforços do próprio Pessoa. Pessoa acreditava piamente que a mudança política deveria andar de mãos dadas com a mudança cultural (literária), como se pode ler em diversos fragmentos que escreveu e considerava um pioneiro nessa visão revolucionária, ao ponto de Campos o apelidar de génio inovador.

Como bem indica Ferrari no seu Posfácio, a influência de Quental no jovem Pessoa é profunda, sobretudo a partir de 1908, quando ele começa a escrever em Português. Ao lado de Quental estariam nomes como Junqueiro, Nobre e Cesário Verde.

Sinal dessa mesma influência é o esforço que Pessoa empreendeu na tradução de muitos sonetos (que são também publicados neste edição). Desde cedo percebemos que o maior tributo que Pessoa podia dar a um autor era tentar traduzi-lo para Inglês. Fê-lo com Sá-Carneiro, com Botto, com Antero, etc...

Pessoa admirava em Antero o seu pensamento e não apenas a forma lírica da sua poesia. É preciso ter isso em atenção quando lemos estes poemas, e colocar-mo-nos na posição de Fernando Pessoa a ler-se a si próprio, ou melhor, lendo uma projecção passada de si próprio: um poeta com alto grau de racionalização poética, que tentou mudar a sociedade do seu tempo pela literatura, tendo no final sucumbido a uma saída trágica e suicida.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

"Retrato de Fernando Pessoa" em exposição no CAM



A colecção permanente do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (CAM), que constitui uma verdadeira viagem pela arte portuguesa do século XX, inaugura hoje um novo percurso que parte do quadro "Retrato de Fernando Pessoa", de Almada Negreiros, que desta forma regressa ao público.

Trata-se de uma imagem icónica de Pessoa (entre as várias que Almada pintou), retratando o poeta sentado a uma mesa, fumando e com uma folha de papel e o Orpheu 2 ao seu lado.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Peça em São Paulo inclui poemas de Fernando Pessoa


Vai estrear no dia 14 de Janeiro, em São Paulo, Brasil, uma peça de teatro com o título "Pensando sobre" que inclui poemas de Fernando Pessoa. A peça é assim descrita:

"As sete cenas de "Pensando Sobre..." conversam entre si, alternando música, dança contemporânea, poemas de Fernando Pessoa e textos autorais de Renato Possidônio e da própria diretora e coreógrafa".

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Pessoa em prova universitária no Brasil



Fernando Pessoa "saiu" num exame no Brasil para acesso à Universidade (segunda fase do FUVEST), numa pergunta muito engraçada e original, embora a resolução proposta já não seja assim tão interessante.

Esta foi a pergunta do exame:

Questão 6
Leia o seguinte texto.

Flagrado na Ilha de Caras, Fernando Pessoa disse que está bem mais leve depois que passou a ser um só.
LISBOA – Em pronunciamento que pegou de surpresa o mercado editorial, o poeta e investidor Fernando Pessoa anunciou ontem a fusão dos seus heterônimos. Com o enxugamento, as marcas Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro passam a fazer parte da holding* Fernando Pessoa S.A. “É uma reengenharia”, explicou o assessor e empresário Mário Sá Carneiro. Pessoa confessou que a decisão foi tomada “de coração pesado”: “Drummond sempre foi um só. A operação dele é enxutinha. Como competir?”, indagou. O poeta chegou a pensar em terceirizar os heterônimos através de um call-center** em Goa, mas questões de gramática e semântica acabaram inviabilizando as negociações. “Eles não usam mesóclise”, explicou Pessoa.
http://www.revistapiaui.com.br. Adaptado.

*Holding [holding company]: empresa criada para controlar outras empresas.
**Call-center: central de atendimento telefônico.

a) Esse texto tem apenas finalidade humorística ou comporta também finalidade crítica? Justifique sua resposta.
b) Por que o “call-center” mencionado no texto seria localizado especificamente em Goa

Desfile de Moda em São Paulo inspirado em Pessoa

Na semana em que a capital paulista respira moda, com a abertura do São Paulo Fashion Week, o centro da cidade se transforma em passarela ao ar livre, com figurinos inspirados em obras de Camões e Fernando Pessoa e desenvolvidos por novos talentos da moda brasileira.
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) celebra a temporada fashion com o desfile-performance “Por Mares Nunca Dantes Navegados”, coordenado pela produtora e docente do curso de moda da UniFMU, Jô Souza.

O evento – que faz parte da Mostra Cinema de Moda, uma realização do CCBB São Paulo, com patrocínio do Banco do Brasil – acontece no próximo dia 28 e promete transformar as ruas ao redor do CCBB em passarela ao ar livre. A ação conta com apoio da SPFW.

Inspirado nas poesias dos escritores portugueses Luis de Camões e Fernando Pessoa, o desfile traz dez looks desenvolvidos por novos talentos da moda brasileira, entre os quais, Ana Paula Andrade, Andiara Pires, Carolina Rodrigues e Tabata Resende. Sem reproduzir figuras do passado, a coleção expressa com sensibilidade o mar, o ar e a terra vislumbrada pelos navegantes que aqui chegaram.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Pessoa embaixador do Ano de Portugal no Brasil em 2012



Fernando Pessoa foi a figura escolhida para ser embaixador em 2012, do Ano de Portugal no Brasil que pretende divulgar a literatura portuguesa entre os dois países, conforme ficou estabelecido entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Ministério da Cultura que assinaram esta semana um protocolo no valor de 55 mil euros em parceria com a Casa Fernando Pessoa.

Segundo a Ministra da Cultura Gabriela Canavilhas "a Casa Fernando Pessoa é o melhor parceiro que temos para desenvolver esta política de divulgação da literatura e da língua portuguesa no Brasil". Já António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa disse que "Fernando Pessoa continua assim a ser o grande embaixador da língua e da cultura portuguesas".