sábado, novembro 27, 2010

"El Pensar Poético de Fernando Pessoa" - Uma Apreciação Crítica



O panorama relativo aos estudos filosóficos em torno de Fernando Pessoa é bastante pobre. Aliás, é ainda mais pobre o panorama relativo às edições de originais de Fernando Pessoa relativas ao tema. Essa é talvez a principal queixa de alguns dos autores que colaboraram no livro "El Pensar Poético de Fernando Pessoa" - que reúne ensaios filosóficos sobre o poeta, apresentados originalmente no "2.º Encuentro Internacional Fernando Pessoa, poeta y pensador" que se celebrou nos dias 7 e 8 de Outubro na Universidade de Valladolid.

Julgamos que, pelo menos publicamente, o único estudioso filosófico de Pessoa com algum destaque tem sido José Gil, que recentemente publicou "O Devir-Eu de Fernando Pessoa". Mas, reforçando o que disse anteriormente, é raríssimo aparecerem edições filosóficas Pessoanas, ou seja, edições que se debrucem sobre o Pessoa-pensador e não apenas o Pessoa-poeta. Por isso foi com grande agrado (e atenção redobrada) que li a presente edição.

Quanto ao conteúdo da mesma ela inicia-se com um ensaio introdutório em que Pedro Lago define a filosofia de Pessoa como uma filosofia desgarrada, uma filosofia DIY em que ao sujeito-leitor é proposta a montagem dos elementos analíticos propostos. O resumo é feito no sentido de uma experiência filosófica aniquiladora do ser - efectuada em múltiplas dimensões pelos seus heterónimos.

De seguida Julia Diéguez analisa a questão do sujeito em Fernando Pessoa. Trata-se de um ensaio extremamente complexo e bem conseguido, em que a autora aproxima o pensamento de Pessoa ao paradigma da complexidade - sistema iminentemente trans-(e inter)disciplinar, em que contribuem diversas racionalidades, entrelaçadas entre si. Aparece uma realidade analisada na interacção entre sujeito e objecto, mas sempre permeada pela actividade do sonho, que despedaça e pormenoriza tudo. A autora defende a construção de um "sujeito estético puro", relacionado de certo modo com as virtualidades ontológicas em redor do "eu" e das criações heteronímicas - o que é uma visão muito interessante. Os heterónimos depois surgem mesmo como potenciais geometrias diferenciadas do "eu"-primeiro de Pessoa (autênticas extrapolações geométricas da existência, potencializando uma mesma existência em infinitas regressões e progressões paralelas). Trata-se de um excelente ensaio, que dificilmente se resume em algumas linhas, mas que está entre os melhores do livro (e que vale a pena reler para apreciar melhor).

António Cardiello segue-se, com um ensaio sobre Pessoa e Nishida Kitaro, um famoso filósofo Japonês. Não é a primeira vez que se aproxima o pensamento da filosofia Zen a Fernando Pessoa, nomeadamente à poesia de Alberto Caeiro. Cardiello, no entanto, fá-lo referenciando directamente um autor específico, o que é extremamente interessante. Fiquei com a sensação (que não tinha visto em outros estudos) de que Caeiro poderia, como diz o autor, ter chegado a um estado de conhecimento plenamente estético - "pura sensação visual" - colocando-se ao mesmo nível de quem o lê, como um artista se coloca ao nível de quem observa a sua obra. Seria então Caeiro uma espécie de "esteta da realidade"? A experiência do nada, do vazio gnosiológico, afinal, a experiência de Buda, seria então uma experiência verdadeiramente partilhada entre Caeiro e o seu leitor - e seria talvez essa a grande mensagem da sua linguagem filosófico-poética. Muito interessante.

Pablo López analisa de seguida a "vontade de infância em Fernando Pessoa". É curioso que este tema foi de certo modo um tema recorrente no passado dia 1 do II Congresso Internacional Fernando Pessoa. López reconhece o facto de Pessoa ter dito não "sentir saudades da infância", mas também reconhece que a infância é um lugar-filosófico único, porque a "criança" é um dos grandes pedestais do verdadeiro conhecimento intuitivo. E reconhece o facto de que Pessoa nunca deixou realmente de ser uma criança (talvez por isso não necessitasse da saudade) e a própria "insinceridade artística" é uma coisa de criança-adulto! A essa própria inconsciência da vida real o que lhe permite afinal operar, fluidamente, os seus raciocínios paralelos. Tudo isto resulta no facto da infância desempenhar um grande papel no Pessoa adulto (e no Pessoa-pensador adulto). E, como reforça López, o maior exemplo da "criança-adulto" é Caeiro, o Mestre: onde ser é apenas ser-infantil (sem pensar). Um grande ensaio que reforça a necessidade de olharmos duas vezes para a afirmação de Pessoa quando ele renega a importância da sua própria infância na sua obra.

O ensaio seguinte é do autor Miguel Montagut, onde o mesmo analisa comparativamente Campos e Whitman. Trata-se de um ensaio que me pareceu "menos filosófico" do que os precedentes, mas não deixa de ser interessante, sobretudo para quem uma maior curiosidade de pormenor em ver Whitman ao lado de Campos (e de Caeiro), pois fala-se muito da influência mas pouco se escreve em pormenor sobre a mesma.

Pablo López e Fernando Quindós (os compiladores da edição) apresentam um ensaio em co-autoria, sobre o tema da viagem em Fernando Pessoa. Os autores abordam desde logo uma crítica que eu fiz na altura ao Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, onde Leyla Perrone-Moisés diz que Pessoa tinha feito apenas uma viagem à África do Sul. É certo que viajou pouco, mas viajou um pouco mais do que isso... fala-se ainda da viagem ao Porto, e do filme de Oliveira (mas sem se citar as quase certezas da sobrinha de que não é Pessoa). Mas das viagens físicas, os autores passam para as viagens imaginadas e para a viagem entre pensar e sentir, onde Pessoa se torna um estrangeiro dentro de si mesmo e alguém para quem viajar passa a ser eminentemente uma atitude da inteligência. A própria heteronímia é vista como uma "viagem óntica".

Fabrizio Boscaglia fala de seguida de Omar Khayyâm (e a literatura Persa) e Pessoa. Sabe-se que Pessoa fez muitos Rubaiyats, poemas típicos daquela literatura. Este ensaio, como outros nesta edição, fazem já uma leitura muito intensa entre a marginália Pessoa e os seus escritos, o que os torna muito refrescantes, dando uma perspectiva nova sobre o processo criativo do autor. É nomeadamente mostrada a tendência de Pessoa ser atraído por certas passagens, para depois escrever sobre elas - no que teve a ver aqui com a filosofia de Khayyâm, que ele pretendia analisar. O autor propõe ainda a análise comparativa entre os Rubaiyat e o "Livro do Desassosego", no que ambos têm de passagens místicas.

Guiancarlo de Aguiar no ensaio seguinte traz-nos uma análise Junguiana de Pessoa. O autor pretende (através de um ensaio muito profundo e algo difícil de ler, sejamos honestos) identificar as quatro funções psíquicas: sentir, perceber, intuir e pensar; para cada um dos quatro heterónimos. A correspondência efectuada é, convenhamos, algo polémica, mas caberá a cada leitor tirar as suas próprias conclusões. É um texto que merecerá da minha parte uma releitura com mais tempo, certamente.

Nuno Ribeiro trata de Nietzsche e Pessoa. Nomeadamente a temática Nietzschiana do "Verkleidung", do animal vestido, que aparece no também no "Livro do Desassossego". O autor propõe-nos, num ensaio demasiado curto - na minha opinião - uma interpretação comparativa entre os projectos críticos dos dois pensadores acima referidos, nomeadamente do ponto de vista Pessoano da construção do novo paganismo. Ou seja, a construção da tal "segunda natureza", que advém das instituições humanas e que se sobrepõem ao homem, como verdadeiras "roupas sociais". Uma teoria interessante, mas algo incompleta e que merecia maior desenvolvimento.

Daniel Duarte escreve também sobre Nietzsche, mas agora de um ponto de vista mais propedêutico. Não me pareceu um ensaio muito claro, com um fio condutor muito certo, mas é um dos outros textos que vai merecer uma leitura mais atenta da minha parte.

O livro termina com o ensaio de Paulo Borges sobre a multiplicidade em Borges e Pessoa. Ambos são apresentados como demiurgos da plena subjectividade humana, prontos subjectivá-la ao extremo de não restar nada - nem dela nem deles próprios nela. "Posso imaginar tudo, porque não sou nada", acaba por resumir a aventura poética (e existencial) dos dois grandes génios literários. A experiência do "eu" solitário e, simultaneamente, a tradução do vazio ontológico numa realidade interior multiplicada é exemplarmente ilustrada por Borges.

À maneira de resumo final, podemos dizer que esta edição em muito prestigia o state of the art dos estudos filosóficos Pessoanos (embora sofra, numa análise final, um pouco das tantas vezes que alguns dos autores dos ensaios se citam uns aos outros). Recomendamos vivamente que a adquiram se têm o mínimo interesse no estudo da filosofia em Pessoa, que tanto tem sido relegada para uma segunda posição mas que, com edições deste calibre, só pode melhorar no futuro.

Este livro pode já ser adquirido online na Editoral Manuscritos.

Agradecimentos ao Professor Pablo Javier Pérez López pelo envio de um exemplar para análise.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Dia 3 do II Congresso Internacional Fernando Pessoa



Eis as minhas impressões do dia 3 do II Congresso Internacional Fernando Pessoa. Foi o último dia do Congresso e deixo desde já os meus parabéns à organização do mesmo (embora com algumas ressalvas que guardo para o fim das minhas observações).


Pessoa e o Ultraísmo

O último dia do Congresso abriu com uma comunicação de António Delgado, sobre a relação de Pessoa com os poetas modernistas de Espanha, nomeadamente com um (agora) desconhecido de nome Adriano del Valle.

Pelo que foi dado a entender, o contacto de ambos não foi extenso - pretensamente ele apenas conheceu Pessoa de passagem em 1923 quando veio de lua-de-mel a Lisboa - mas del Valle, aproveitando-se da fama de Pessoa, expandiu as suas memórias com o passar dos anos. O público riu-se com o facto de del Valle em entrevistas passar de dizer que encontrara de passagem Pessoa (nos anos 30) para nos anos 40/50 já dizer que, nas 3 semanas que esteve em Lisboa ter trabalhado com ele 3 horas por dia em traduções de poemas de Sá-Carneiro...

Foi uma comunicação interessante, embora no final não se percebesse bem o interesse de falar de del Valle... mais valia talvez ter abordado a questão de uma forma mais genérica - do contacto com o modernismo Espanhol.

Fernando Pessoa e António Ferro

José Barreto é sempre interessante e desta vez também não desapontou. Falou sobre António Ferro e da relação deste com Pessoa, metendo pelo meio muitos dados interessantes sobre o ambiente político da época. É de salientar que, embora Ferro tivesse sido editor do Orpheu, nunca foi verdadeiramente um modernista activo - foi-o só por moda e não por modo, como indicou Barreto.

Muito interessante o facto de Ferro ter mesmo "gozado" com os modernistas em diversas entrevistas, enquanto se punha ao lado de um modernismo mais temperado - o de Marinetti, que entretanto tinha sido aceite pelo regime de Mussolini. Barreto não se esqueceu, no entanto, no papel de Ferro na gestação (e premiação) da Mensagem. Ficou bem claro (sobretudo com a menção de um artigo que surgiu a seguir ao prémio e que dizia qualquer coisa como: "a Mensagem é um toque de clarim anunciando o Estado Novo") que Pessoa não alinhava minimamente no que "estava na moda" ou em facilitismos, ao ponto de se perceber melhor porque ele logo de seguida dispara um artigo em defesa da maçonaria - um claro desafio a Ferro e a Salazar, à laia de cuspidela na cara. Claro que depois Pessoa foi calado e teria passado "as passas do Algarve" se continuasse vivo (talvez se tivesse exilado?).

Nota ainda para - no espaço de debate - a intervenção de Teresa Rita Lopes, indicando falhas na comunicação. Barreto disse que Ferro e Pessoa deixaram de ser amigos em 1915, quando Ferro se demarca da carta de Pessoa à Capital sobre o acidente de eléctrico de Afonso Costa. Teresa Rita Lopes indicou - e bem - que na realidade a carta era de Campos e não de Pessoa e que a renúncia dos amigos não era dirigida ao demiurgo mas ao heterónimo... um pormenor delicioso, mas que fez corar um sempre imperturbável Barreto.

Rita Lopes teve - pode dizer-se - uma presença interventiva neste Congresso, qual "anjo da morte" preparado a cair sobre os conferencistas sem o menor aviso :)

Pessoa e Joyce

Inês Pinto Basto falou de Pessoa e Joyce. Ou melhor, falou de Pessoa e de Joyce. Sinceramente não percebi a relação entre os dois, pelo menos pelo que a conferencista nos disse. O ensaio estava magistralmente bem escrito, é verdade, mas da relação entre Pessoa e Joyce nada. Ficamos pelo menos a saber que ambos presavam muito o papel das flores nas respectivas obras, e pouco mais... já em 2008 Pinto Basto tinha trazido o mesmo tema e parece-me que será altura de o mudar para 2012, digo eu.

Mariana de Castro

Mariana de Castro trouxe uma intervenção muito interessante, mesmo a mais interessante do dia, na minha opinião. Falou da sua interpretação do poema de Álvaro de Campos "Se te queres matar..." à luz da influência de Shakespear e com Sá-Carneiro pelo meio.

Basicamente comparou o poema de Campos ao famoso monólogo de Hamlet "To be or not to be", defendendo que Pessoa ousou modificar (e melhorar?) esse mesmo texto do Bardo. Muito interessantes os argumentos utilizados, que convenceram a plateia e deram uma nova perspectiva a este texto que a partir de agora terá necessariamente de ser lido a esta nova luz.

Mas Mariana de Castro foi mais além e propôs que o objecto do poema seria Mário de Sá-Carneiro, visto que a data do poema era do 10.º aniversário da morte daquele. Com esta visão já muitos discordaram, mas não deixou de ficar a hipótese no ar.

Leitura esotérica do Fausto de Pessoa

Piero Ceccucci apresentou uma comunicação dedicada à leitura esotérica do Fausto. Para ele é o esoterismo a chave para desvendar a leitura do poema inacabado de Pessoa. No entanto não ficou claro exactamente de que modo isso poderia ser feito. As referências de Ceccucci foram apenas superficialmente esotéricas - o verdadeiro esoterismo é feito sobretudo de referências explicitamente simbólicas, que precisam de ser analisadas e dispostas...

É certo que ele citou alguns poemas esotéricos, mas não percebi a relação entre eles e o Fausto além de serem ambos esotéricos. A única nota interessante foi o pormenor do Fausto poder ser um poema all incompassing, onde poderíamos encontrar sub-textos relativos a toda a obra Pessoana.

Alguém sugeriu ainda que a personagem Maria poderia ser comparada a Caeiro - mas eu acho que todas as personagens femininas em Pessoa são, por essência, vazias como Caeiro, basta olhar para Lídia...

People who cannot find...

Zbugniew Kotowicz falou do Sebastianismo de Pessoa. Ou melhor, tentou falar do Sebastianismo de Pessoa... devo dizer que este painel (Kotowicz e Ceccucci) que pretendia ser um painel sobre "sentidos ocultos" foi extremamente fraco. Ambos os conferencistas falharam em trazer verdadeiras análises esotéricas (basta ler os livros de Dalila Pereira da Costa ou de Yvette K. Centeno para saber o que elas podem ser no âmbito Pessoano e qualquer uma delas os teria envergonhado).

Kotowicz conseguiu ser ainda mais vago (e ainda por cima impreciso) do que o seu colega Italiano. Disse algumas barbaridades, como o Sebastianismo não ser assim tão importante na obra de Pessoa (só é o tema principal do seu principal livro acabado em vida), ou então que o Sebastianismo tinha preso Pessoa...

Onésimo Teotónio de Almeida interviu no espaço do debate e lá "impingiu" novamente a sua ideia da influência de Sorel na Mensagem (parece haver uma grave necessidade de Onésimo falar repetidamente na sua ideia original, quer por originalidade flagrante ou porque ninguém o levou a sério o suficiente). Mas numa coisa ele tem razão, o Sebastianismo de Pessoa era original, na medida em que era racional. Mas disso Kotowicz nada sabia. Incompreensível o porquê de ter sido convidado (a menos que tenha tido um dia mau, o que é possível, mas não é desculpável). É questão de perguntar, onde estava Teresa Rita Lopes quando precisávamos dela!

Do outro lado do espelho

Fernando Cabral Martins falou da edição recente da obra ortónima completa de Pessoa (julgamos que na Assírio). Muito interessante o facto de Martins ter referido que na obra ortónima agora apresentada se ver claramente a evolução do processo criativo dos heterónimos - nomeadamente os tais "poemas de índole pagã" que estiveram na raiz do nascimento de Reis e da influência dos livros de Sá-Carneiro na poesia de Pessoa nos anos de 1913 e 1914.

Acho interessantíssima esta análise, que penso foi sugerida por Quadros já há muito tempo (falei dela no meu artigo sobre o Dia Triunfal) - de ter sido Sá-Carneiro a desempenhar um papel decisivo no aparecimento dos heterónimos, sendo a influência dos poemas do seu amigo decisivos no "segundo acto da execução ritual” da ligação de Pessoa ao movimento da Renascença e à sua libertação definitiva enquanto poeta original e criador de novos mundos poéticos, muito para além do saudosismo. Fiquei com grande curiosidade em ler a obra ortónima assim, em sucessão completa.

Crítica textual em Álvaro de Campos

Maria Bochicchio trouxe uma análise filológica, extremamente técnica, analisando algumas porções de poemas de Campos e respectiva classificação. À maneira da apresentação de Pizarro num dia anterior, foi uma interessante janela para o trabalho dos especialistas, que, embora menos original que outras comunicações, não deixou de ter o seu fascínio.

Num aparte a conferencista apresentou algumas peças inéditas de Carlos Queirós (o sobrinho de Ophélia). Muito interessante uma conferência de Queirós, de 1940 (só 5 anos depois da morte de Pessoa) onde ele defendia que Pessoa "fingia que fingia". Devo dizer que senti um arrepio quando ouvi isto, porque confirma algumas coisas que eu próprio já pensei a este respeito. Que o jogo do fingimento em Pessoa é ele próprio um fingimento - que então se auto-anula...

Para Queirós os heterónimos eram "fantasmas" e ele escreveu que o preferido de Pessoa era Campos - sorria sempre que falava dele e dizia que ele desempenhava um papel de "Mefistófeles" na sua vida. Dá que pensar.

Passagem das horas

Orietta Abbati falou sobre a ode inacabada "Passagem das Horas". Seria uma ode prevista para o número 3 de Orpheu, mas que Pessoa não conseguiu acabar, tendo ficado extremamente fragmentária.

Interessante o pormenor indicado pela conferencista de Sá-Carneiro, numa carta a Pessoa, ter dito que depois da "Ode Triunfal" nada mais poderia ser escrito sobre a modernidade. Sá-Carneiro teria então morto - simbolicamente - todas as grandes odes sucessivas, e nomeadamente a mal fadada (ainda que magnífica mesmo assim) "Passagem das Horas".

Notas finais sobre o Congresso e respectiva organização

Quero deixar uma nota final sobre o Congresso. Falando nos pontos positivos, penso que o novo espaço foi bem melhor do que o de 2008, mais espaçoso e confortável. A equipa da Casa desdobrou-se bem e via-se que estavam empenhados em que tudo corresse pelo melhor. Alguns conferencistas de grande qualidade foram convocados e houve momentos realmente interessantes. É de louvar também o aparecimento de uma nova revista, que espero tenha sucesso.

Pela negativa alguns conferencistas que apareceram aparentemente aconselhados por alguns Pessoanos e sem grandes resultados práticos. Parece-me muito estranho (ou talvez não) que se convidem pessoas sem análise prévia do que vai ser apresentado - suponho que foi o que aconteceu. Porque não um conselho prévio que aprove quem é convidado? E porque não apostar em pessoas novas fora do círculo académico tradicional? Uma nota negativa também para a maneira atabalhoada como Inês Pedrosa interrompia os conferencistas para lhes dizer que estavam para além do tempo alocado, ou como depois cortava a palavra às pessoas no espaço de debate. Uma ideia para 2012: mais um dia, mais tempo por conferencista e menos conferencistas.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Dia 2 do II Congresso Internacional Fernando Pessoa



Eis as minhas impressões do dia 2 do II Congresso Internacional Fernando Pessoa. Devo dizer que infelizmente não tenho tido a oportunidade de presenciar todas as sessões (devido aos sucessivos atrasos), pelo que apenas deixo o testemunho relativo às que presenciei directamente:

António Botto e Pessoa

Anna Klobucka prometia uma apresentação muito interessante, visto que Botto era um dos poetas contemporâneos de Pessoa que gerava em volta de si mesmo maior polémica. No entanto ficou um pouco aquém do esperado.

Foi dito que a opinião de Botto sobre Pessoa era a de que ele era o artista e que o poeta verdadeiro (e mais talentoso) seria Sá-Carneiro, mas é uma opinião que já era conhecida e comum a alguns dos que acompanhavam aquele círculo criativo. A única novidade veio do pormenor revelado que o espólio inédito de Botto possui cerca de 44 poemas cuja temática é precisamente Pessoa - alguns deles lidos por Klobucka.

Foi pena não terem sido abordados temas mais polémicos, sobretudo a pretensa proximidade física especulada por alguns entre Botto e Pessoa - nomeadamente relacionada com o que foi dito por Jorge de Sena a respeito deste assunto.

Pessoa e Cesário Verde

Hélder Macedo falou da grande influência de Cesário Verde na obra de Fernando Pessoa, nomeadamente em Campos e Caeiro. Foi, na minha opinião, uma comunicação algo morta, mas que mesmo assim teve alguns momentos de interesse, nomeadamente a referência à influência de Cesário mesmo depois do encontro de Campos com Caeiro - se bem que é discutível a que ponto a influência referida (em relação ao poema "Opiário") poderia ser analisada de forma diferente tendo em conta como o poema foi retro-produzido (enquanto poema simbólico de um já futurista).

Pessoa e Leopardi

António Cardiello trouxe uma apresentação cheia de filosofia, mas infelizmente da pior espécie - a chata e mal apresentada. A leitura prolongou-se por demasiado tempo e recorrendo a uma interminável série de citações. A certa altura Hélder Macedo - companheiro de mesa - adormeceu...

Cardiello é capaz de bem melhor. Aliás, saiu há pouco tempo um livro, que vamos analisar aqui em breve - "O Pensar Poético de Fernando Pessoa" - que inclui comunicações no âmbito de um colóquio de filosofia dedicado a Pessoa em que Cardiello tem uma apresentação de muito maior qualidade do que trouxe ao Congresso.

Quantas Pessoa tem Fernando

Maria Lúcia dal Farra teve uma apresentação à volta das Pessoas que intervieram na relação entre Pessoa e Ophélia. Interessante a análise do papel de Campos, de Pessoa e de A.A. Crosse na relação, e das próprias reacções de Ophélia enquanto amante frustrada (que dal Farra aventa pudesse mesmo ter sido vista por Pessoa como sendo a Olga dos seus textos automáticos). Nada de exactamente novo, mas uma comunicação muito bem articulada e comunicada com grande facilidade e fluidez.

Interessante também a nota de que só Pessoa parecia escrever Ophélia com "ph", reforçando a ideia de que ele tinha abordado a sua namorada também devido à natural confusão com a peça de Hamlet - isso mesmo foi falado a propósito da famosa cena do primeiro beijo entre ambos.

A mulher na obra de Pessoa

Luis Gruss falou do papel da mulher na obra de Fernando Pessoa. Reforçou ao longo da sua apresentação que os escritores não escrevem acerca das suas experiências... algo no mínimo discutível, mas certamente ainda assim subjectivo. Isto para de certo modo "defender" que certos artistas (Pessoa, Kafka) se afastavam da vida com medo que a vida interferisse demasiado nas suas "missões pessoais". Em que medida esses medos eram medos de intimidade não foi analisado pelo conferencista...

Não me pareceu uma conferência brilhante, longe disso, e o conferencista destoou um pouco dos restantes, talvez pelo seu afastamento do meio académico estritamente Pessoano - houve alguma insistência na expressão "oficinas de escrita", que me deu certos arrepios associados à profissão temerária (e cobarde?) de "ensinar a escrever" (mas confesso que é algo pessoal).

Pessoa(s)

Rodolfo Alonso foi o segundo Argentino do dia a falar (depois de Gruss) e trouxe o testemunho de um tradutor de Pessoa para Castelhano, na América Latina. Comunicação muito emotiva e interessante, embora sem especial interesse técnico para quem assistia. Mas não me deixou de tocar a maneira como Alonso se mostrava comovido (e talvez mais honrado do que outros supostamente mais insignes doutores) por estar ali presente.

Mundividência Pessoana

Onésimo Teotónio de Almeida falou genericamente (e a uma velocidade alucinante e disparatada) sobre a "mundividência Pessoana". Devo dizer que mal percebi o que foi dito, tal era a velocidade a que a comunicação foi lida - um real disparate, porque se é para se manter dentro do tempo alocado mais valia cortar parte do que seria lido do que ler demasiado rapidamente tudo...

Almeida, com background em filosofia, referiu que Pessoa era um racionalista empírico em relação ao passado, mas um pragmático (à William James) em relação ao futuro, o que achei de grande interesse. Reforçou também que Pessoa prezava acima de tudo a liberdade individual e a tolerância (o que explica muitas das defesas públicas que fez ao longo da vida, correndo mesmo alguns riscos).

Acabou por referir a teoria do mito Pessoano como uma teoria original - de um tipo de Sebastianismo racional muito próprio.

Épica da modernidade

Perfecto Quadrado segui o (mau) exemplo de Onésimo T. Almeida e falou também demasiado rápido (era preferível que o Congresso tivesse começado a horas, por exemplo...). No entanto a conferência foi muito interessante, em redor do poema épico de Pessoa em face a outros, nomeadamente ao de Camões.

Chegou-se à conclusão que Pessoa tinha em mente um plano político-poético, em que o poeta estaria no centro de tudo, criando pela palavra uma nova realidade, que tiraria a Europa da decadência em que se encontrava. Era um novo paradigma épico, do poeta enquanto poeta-arquitecto. Muito interessante. A distinção final foi feita qualificando a épica de Camões como sendo uma épica cósmica enquanto a épica de Pessoa seria uma épica caótica.

Pluralidade dos Deuses

Steffen Dix trouxe uma interessante apresentação sobre o paganismo e o sensacionismo. Sendo que Caeiro fundava as suas teorias numa filosofia das sensações e ele próprio incorporava (consubstanciava) o novo paganismo, o neo-paganismo seria baseado no sensacionismo.

Houve quem perguntasse então como teria surgido Caeiro? A resposta foi simples e complexa: Caeiro era apenas uma das suas próprias sensações (usando as palavras dele mesmo).

Um mestre entre cacos

Teresa Cerdeira falou longamente sobre Pessoa-despedaçado. Uma apresentação interessante, se bem que demasiado floreada para o pouco conteúdo que continha. No entanto ficaram alguns pormenores: se Pessoa perdeu a sua unidade, o mundo à sua volta também a perdeu; ao ponto de ele não reconhecer por exemplo na cidade de Lisboa senão cacos da cidade de Lisboa, como apenas reconhecia cacos de si mesmo. Os próprios heterónimos, que não eram mais do que cacos do Pessoa-demiurgo, não podiam ser inteiros em si mesmos, mas antes aprendizes dos seus próprios processos individuais.

Teatro e Engodo

O momento mais polémico do dia (e do Congresso até agora) esteve reservado para a comunicação de Pierre Costa. Parecia uma comunicação simples, e foi realmente útil ouvir a descrição da recepção de Pessoa em França e da maneira como ele foi (e está) a ser transposto para o teatro. Mas no final Teresa Rita Lopes interpelou o conferencista apontando erros e omissões na comunicação. Basta dizer que o ambiente ficou de cortar à faca, o que mostra mais uma vez como há uma incompreensível mesquinhez no mundo académico em volta de Pessoa, com lutas de bairro (e de território) que realmente não parecem próprias ou respeitadoras do génio do poeta - sim, porque estamos a falar dele e não propriamente acerca dos egos daqueles que falam dele...

Restaram duas boas notícias: a excelente recepção do "Livro do Desassossego" em França (vendeu já 185.000 exemplares) e o facto da palavra "intranquilité" (a tradução encontrada para "desassossego" em Francês) ir entrar no dicionário da academia da língua Francesa em 2012.

Uma nota final para o facto de Inês Pedrosa ter indicado que todas as conferências serem publicadas progressivamente nos próximos números da nova revista Pessoa - que foi lançada no primeiro dia do Congresso. Uma boa notícia para quem - como eu - não consegue assistir a todas as sessões.

terça-feira, novembro 23, 2010

Dia 1 do II Congresso Internacional Fernando Pessoa



Tive o prazer de assistir hoje e ao primeiro dia do II Congresso Internacional Fernando Pessoa, que está a decorrer no Teatro Aberto, em Lisboa. Aqui ficam as minhas impressões sobre as apresentações deste primeiro dia e da organização em geral:


Conferência inaugural por José Miguel Wisnik


O conferencista - que além de especialista em literatura é músico - está a preparar um disco onde musica pessoa, e por isso mesmo falou da relação de Pessoa com a canção Brasileira. Foi uma apresentação algo opaca e demorada, com muitos momentos em que claramente Wisnik se deixou levar pelo tema (que claramente domina), mas que fugiu, e de que maneira, de Pessoa, para se concentrar mais na própria dinâmica da cena musical popular no Brasil.

Não deixou de ser interessante, à sua própria maneira, mas demasiado demorado e pouco interessante para uma plateia como a que estava presente.
Ainda assim foi interessante perceber alguns pormenores, particularmente a influência da ida de Agostinho da Silva e a maneira como ele influenciou o fortalecimento de um sebastianismo Brasileiro que influiu, por sua vez, na melhor música popular Brasileira, com particular destaque para a obra de Caetano Veloso.

Fernando Pessoa e a literatura dita popular

Arnaldo Saraiva falou de Pessoa e da literatura popular. O prof. vindo do Norte é claramente uma figura muito singular, sobretudo pelo seu facias fechado e duro, mas que rapidamente mostra a sua personalidade quando começa a falar. E - em boa maneira Nortenha - sem grandes papas na língua, dizendo as coisas como têm de ser ditas.

Foi por isso sem espanto que se ouviram alguns impropérios em calão do mais baixo, quando o tema abordado era precisamente a maneira como Pessoa afinal não era apenas um autor de alta cultura, mas que também tinha sido influenciado por diversas correntes populares.

Interessantes os pormenores de alguns professores de Pessoa no Curso de Letras terem sido estudiosos da cultura popular e também do trabalho de Pessoa na colação de provérbios para uma edição bilingue que chegou a ter encomendada mas que nunca foi realizada. Aliás, Saraiva provou (e o Ferrari reforçou na sua apresentação) que Pessoa tinha grande apreço pela cultura popular, nomeadamente pelos provérbios e que promovia mesmo as figuras populares na sua poesia (as ceifeiras, as lavadeiras, os empregados de comércio, etc).

Destaque para um pormenor engraçado quando Saraiva cantou um pouco de uma canção popular - pegando na piada que teve a intervenção inaugural de Wisnik, que cantou quase uma canção completa de Veloso (com grandes aplausos da plateia).


Edição Crítica: Série Menor


Ivo Castro, na sua apresentação, começou mesmo por assegurar que não ia cantar.

Mas a primeira grande notícia do Congresso foi mesmo a que o prof. deu relativamente ao facto de estar prevista a saída da Série Menor da Edição Crítica para 2011.

Para quem não sabe, a Série Menor é basicamente uma versão mais simples, sem pormenores técnicos, mais acessível ao vasto público. Estas edições terão a ortografia modernizada e começarão pelo "Livro do Desassossego", seguindo-se a obra de Reis.
A edição traz alguns desafios, que foram discutidos. Nomeadamente a modernização da ortografia de algumas palavras, que podem levantar problemas de métrica e ritmo ("sperei" e "esperei" por exemplo). Que textos figurarão, será outro problema.

Por fim foi também anunciado que a Série Maior será em princípio disponibilizada online, provavelmente em print-on-demand. Uma grande notícia para quem procura alguns livros já esgotados.

Nova edição dos Provérbios

Patrício Ferrari partiu da intervenção de Arnaldo Saraiva para falar da nova edição dos Provérbios coligidos por Fernando Pessoa.


Muito interessante a sua exposição de todo o processo que levou Pessoa a ter a seu cargo este projecto inausitado. Nomeadamente o facto de ter sido Pessoa a ter a iniciativa de propor a edição ao editor Inglês (que lhe respondeu positivamente, mas que nunca lhe chegou a pagar...). Seja como for ficou o trabalho final, bem elaborado e cujos passos foram detalhadamente mostrados por Ferrari, nomeadamente as fases de escolha, selecção e apuramento dos provérbios.


Extremamente interessante a referência aos Pickwick Papers - nomeadamente aos Wellerismos; que me bateu bastante fundo porque acabei o livro (no original) há pouco tempo e posso compreender de certo modo o fascínio de Pessoa por aqueles ditos fantásticos do Sam Weller (e do pai do Sam Weller também).

Desassossegos

Na mesa dedicada aos Desassossegos, Teresa Rita Lopes e Jerónimo Pizarro falaram sobre o "Livro do Desassosego".

Rita Lopes falou (ou melhor, leu) sobre a autoria do Livro, nomeadamente sobre os dois autores principais - Vicente Guedes e Bernardo Soares, e que diferenças havia entre eles. Eram realmente opostos em muitas coisas, nomeadamente Guedes aristocrático e dandy, enquanto Soares era pobre e solitário. Interessante o facto da pré-história de Guedes não ter indícios da transição para a autoria do "Livro", sendo que ele começa como contista e agressivo revolucionário.

Pizarro falou da sua recentíssima edição do "Livro", trazendo muitos pormenores técnicos que explicaram a necessidade de uma nova edição do mesmo.

Uma interessante visão filológica de pormenor que nos levou para o interior do funcionamento de um processo intrincado de edição Pessoana. Foi particularmente relevante ver como erros eram levados sucessivamente de edição em edição, muito provavelmente por falta de rigor científico (nomeadamente na consulta e análise - muito complicada - dos originais). Mais uma vez ficou bem demonstrada a dificílima letra manuscrita de Pessoa, que é em muitas alturas quase impossível de decifrar.

Numa nota pessoal tive pena que fosse retirada da edição uma frase de que sempre gostei bastante: "Deus é bom, mas o Diabo também não é mau". Afinal, pela análise do original, vê-se que está fora do "Livro"... mas não deixa de ser de Pessoa à mesma. Ao menos isso :)

Verdade e Artifício


António Feijó e Richard Zenith protagonizaram, quanto a mim, as duas conferências mais interessantes do dia.

O primeiro falou das musas e o segundo do poema "Sino da minha aldeia".

António Feijó teve uma intervenção brilhante e divertida, embora a roçar o disparate em alguns pormenores. Mas deixamos passar visto que no final ficámos com uma ideia bem original: que Pessoa criou a sua própria musa interna na figura de Caeiro. Feijó propôs um nome para a maneira como Caeiro depois deu origem aos outros heterónimos: engendramento xamânico.

Fascinante a comparação das "Notas para a recordação..." com as primeiras estrofes do "Antinous". Em ambos - defendeu Feijó - há a construção de algo fixo, branco, uma estátua, uma musa interna. Caeiro construído para ele próprio influenciar os outros heterónimos; numa espécie de dupla ficção interna... Mais uma forma de perceber a vida curta de Caeiro, claramente sacrificado pela sua função dentro do sistema heteronímico Pessoano.

Zenith, por sua vez, mostrou mais uma vez o seu domínio do espólio e o seu conhecimento em redor do mesmo, ao tentar provar que o "Sino da minha aldeia" não era um poema de saudade da infância, mas antes um reaproveitamento de temas já tocados por poetas menores da época de Pessoa, nomeadamente pelos ultra-românticos Augusto Palmeirim e João de Lemos.

Ficámos convencidos pela explicação de Zenith quanto a este poema em particular. Mas não tão convencidos ao ponto de aceitarmos que realmente Pessoa não tinha nenhumas saudades da infância (embora ele tivesse realmente mais "saudades do que não foi") e que tudo eram apenas "atitudes literárias", como o poeta explicara em carta a Gaspar Simões.... há no entanto que dar crédito à investigação de Richard Zenith, muito bem fundamentada.

Uma nota final para a organização, esmerada e competente. Houve alguns atrasos, mas mais por "culpa" dos conferencistas que insistem em não respeitar os tempos que lhes são dados. O espaço do Teatro Aberto é muito confortável e amplo, embora os acessos não sejam os melhores (especialmente num dia como hoje, com muita chuva).

sexta-feira, novembro 19, 2010

"Pessoa - Revista de Ideias"



Eduardo Lourenço, Teresa Rita Lopes, Caetano Veloso e João Botelho são alguns dos colaboradores do primeiro número da revista PESSOA, a ser lançada no 2º Congresso Internacional Fernando Pessoa, no Teatro Aberto, em Lisboa, entre 23 e 25 de Novembro. A edição bilingue e trimestral promete dar lugar ao ensaio e à poesia.

Em destaque neste número inaugural:

“Como se tornou Fernando Pessoa a figura idolátrica da cultura portuguesa?”, pergunta-se Eduardo Lourenço no ensaio «Pessoa e Portugal, Portugal e Pessoa». Outras questões são levantadas por António Cicero («Fernando Pessoa: Poesia e Razão»), ou Leyla Perrone-Moisés, que se concentra na relação do poeta com a Psicanálise, prometendo “apontar coincidências significativas da temática pessoana com a teoria psicanalítica”.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Colóquio "Central de Poesia" na FLUL



"A Recepção de Fernando Pessoa nos anos 40" é o tema central do colóquio "Central de Poesia", que terá lugar nos próximos dias 3 e 4 de Dezembro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e que contará com diversas intervenções de conhecidos Pessoanos.

Serão discutidas, entre outras temáticas, a influência da poesia de Pessoa em poetas contemporâneos como Cesarinny, Ruy Cinatti ou Sophia de Mello Breyner Andresen.

O programa completo do colóquio pode ser consultado clicando aqui.