quinta-feira, setembro 30, 2010

"Filme do Desassossego" - Uma Apreciação Crítica



Tive ontem a oportunidade de assistir à estreia oficial do "Filme do Desassossego", no Grande Auditório do CCB. E a primeira impressão que vos deixo é de que o filme de João Botelho é, numa palavra, admirável. Foi a palavra que me ocorreu quando estava a vê-lo e foi a palavra com que fiquei também no final do mesmo, já soavam as palmas na sala.

Admirável, sim, mas não perfeito.

Perfeita só mesmo a interpretação de Cláudio Silva no papel do ajudante de guarda-livros Bernardo Soares. Um tour de force inacreditável do actor, que, debaixo do impiedoso olho da câmara (muitas das vezes em close up) durante grande parte do filme, raramente vacila ou hesita, e muito menos é tentado a sair da personagem que Botelho lhe propôs. Aliás, é a construção da personagem "Bernardo Soares" que mais me impressionou - o filme consegue, credivelmente, dar-lhe vida (até tiques físicos), uma consistência que fica depois de o vermos, ao ponto de podermos acreditar que ele existia.

Claro que Botelho corria um grande (enorme) risco. O risco era de que este filme se resumisse a um monólogo de Bernardo Soares, a recitar textos do "Livro do Desassossego" enquanto andava por Lisboa, pelos recantos das ruas, do seu quarto, do escritório onde trabalhava ou o restaurante onde era habitual. O risco era, não de não conseguir filmar o "filme impossível", mas sim filmar algo que se tornaria banal. O realizador certamente sentiu esse risco desde cedo e conseguiu, de maneira exímia, evitá-lo. Convém não falar demasiado para não estragar o filme a quem ainda não o viu, mas surpreende a forma como os textos, mesmo da boca do semi-heterónimo de Pessoa, não lhe ficam colados ao longo da película, deixando-nos uma sensação universal dos mesmos. Não há grandes momentos mortos, o que num filmes destes só pode ser um grande elogio. Ao lado da construção da personagem por Cláudio Silva, este é o segundo e grande momento final da obra de João Botelho, que a coloca num degrau acima do mero filme de ocasião, para o tornar num verdadeiro marco dentro do universo das obras que celebram o grande poeta e porque não da própria história do cinema Português.

Mas há que perguntar se este filme é "apenas" um filme de arte, um mero exercício estético... na minha opinião não é, embora pareça que João Botelho possa ter tido algum medo na afirmação desta verdade. Há momentos (vários) de belíssima cinematografia e a qualidade da fotografia no filme é imaculada, inclusivé a escolha dos cenários, e apenas em certas ocasiões (por exemplo o momento da Ópera) o filme derrapa para o exercício estético rebuscado. Isto para dizer que - ao contrário do que Botelho dizia - o filme não ficaria mal numa sala de centro comercial, no meio de pipocas e coca-cola. Aliás, a obra de Pessoa certamente agradecia uma divulgação mais vasta, que talvez apenas aconteça se aparecer o DVD respectivo. E, diga-se de passagem, num centro comercial ver-se-ia uma muito menor feira das vaidades do que na abertura oficial no CCB, onde as palavras de Pessoa ecoaram provavelmente em muitos ouvidos moucos, ou pelo menos pouco impressionados pela falta de flashes na sala escura.

Em resumo o filme é altamente recomendado. Embora sofra de algumas imperfeições - algumas delas bem próprias da cinematografia nacional, como por exemplo alguma rigidez na entrega das falas - tudo o resto compensa vastamente. Cláudio Silva, magistral; a realização impecável embora com alguns exageros; o fluir da "história" muito bem conseguido, só quebrado por uma cena musical que na minha opinião não deveria existir, mas concedo que isso possa ser uma observação subjectiva. Se o apanharem perto de vocês não o percam, porque o "Filme do Desassossego" entra agora em digressão pelo país.

sexta-feira, setembro 24, 2010

"Maçã Poética" homenageia Fernando Pessoa



A artista Brasileira Renata Porto construiu uma peça de joalheria única chamada "Maçã Poética", que homenageia de maneira singela Fernando Pessoa. Trata-se de uma maçã, "a fruta do amor", feita em prata e com detalhes em ouro. Tem o tamanho de uma maçã fuji e contém o poema de Pessoa "O amor quando se revela", escrito à mão, poema esse que questiona precisamente como expressar o amor em palavras.

Esta peça é numerada (até 5 reproduções), feita sob encomenda, em um prazo de 20 dias. O preço rondará os 3.800 reais.

(clicar na imagem para ver em alta resolução)

quinta-feira, setembro 23, 2010

Encontro Internacional "Fernando Pessoa: Poeta y Pensador"



Vai celebrar-se, nos próximos dias 7 e 8 de Outubro, na cidade Espanhola de Valladolid, um importante colóquio filosófico sobre Fernando Pessoa intitulado "Fernando Pessoa: Poeta y Pensador". Serão dois dias cheios de apresentações interessantíssimas, sempre com uma visão filosófica sobre a vida e obra do poeta.

O programa completo pode ser consultado aqui (ficheiro PDF).

As inscrições para assistir estão abertas até ao dia 4 de Outubro, através dos seguintes contactos:

www.buendia.uva.es
centro.buendia@uva.es
983 187805

terça-feira, setembro 21, 2010

"Saramago e Pessoa - Para ver o invisível" na USCS



A "invisibilidade social" está em discussão num evento que decorre no Brasil até dia 22, na Universidade Municipal de São Caetano do Sul, intitulado "Saramago e Pessoa - Para ver o invisível". Dois autores muito diferentes, que tinham diferentes concepções de linguagem e activismo social.

segunda-feira, setembro 20, 2010

"Pessoa, fragmentos de" no Seixal



O Espaço Animateatro apresenta, no próximo dia 2 de Outubro, a produção "Pessoa, fragmentos de", com grande teor pedagógico, e onde vai analisar a diferença entre os diferentes heterónimos do poeta, partindo das cartas dirigidas ao crítico Adolfo Casais Monteiro.

Uma peça que pela sua natureza será itinerante, para ser apresentada em escolas em todo o país. Mas antes disso estará nos dias, 2, 9, 16 e 30 de Outubro no Seixal, sempre ao Sábado portanto, e às 21h30.

quinta-feira, setembro 16, 2010

"Poesia na Rua" em Cacela Velha aborda Pessoa



Nos dias 17 e 18 de Setembro, a vila de Cacela Velha, no concelho de Vila Real de Santo António organiza o evento "Poesia na Rua". Esta iniciativa tem como ponto de partida a herança poética de Ibn Darraj al-Qastalli, nascido em Cacela no ano de 958 e que foi considerado um dos maiores poetas do seu tempo.
No âmbito da "Poesia na Rua", vão ser declamados poemas de, entre outros Fernando Pessoa.

Teresa Rita Lopes, uma das maiores especialistas mundiais de Pessoa dará também uma lição de poesia ao ar livre, no Largo da Fortaleza, e com vista para a Ria Formosa. A não perder.

Notícia via Jornal do Algarve

terça-feira, setembro 14, 2010

"O Menino e o Poeta" em cena no Brasil


"O Menino e o Poeta" é um espectáculo musical do
Grupo Ponto de Partida que se aproveita da poesia de Manoel de Barros, Fernando Pessoa, Adélia Prado e Chico Buarque. Estará em cena agora em Barbacena, no Brasil.