sexta-feira, julho 02, 2010

"A Biblioteca Particular de Fernando Pessoa" - Uma Apreciação Crítica


Devo dizer - como início de análise - que vi com alguma desconfiança o primeiro exemplar de "A Biblioteca Particular de Fernando Pessoa" em exposição numa livraria. Claro que houve a imediata curiosidade de investigar do que se tratava, mas ao folhear algumas páginas a minha primeira percepção foi a de que este livro nada iria acrescentar à minha própria (e modesta) biblioteca particular sobre Pessoa.

Nas minhas visitas seguintas a livrarias, folhei por diversas vezes o volume, tentando convencer-me a comprá-lo, mas saí sempre com a mesma resposta: é basicamente uma recolha de digitalizações das capas dos livros que o Pessoa tinha na biblioteca! Afinal essa lista já existia online no meu próprio site, o que me dava ainda menos vontade de desembolsar perto de 50€ pelo volume, para servir meramente de "peça de exposição".

No entanto, e mais por descargo de consciência do que outra coisa, decidi adquiri-lo (dada também, confesso, a dificuldade de obter um volume gratuito do editor). E levado o volume para casa pude, mais a longo investigá-lo (e lê-lo).

Pude desde logo ver que não se tratava de uma mera enumeração de imagens de capas. Há um belíssimo estudo introdutório que explora a questão de Pessoa enquanto leitor, e é-nos dada uma visão muito interessante para esse universo de influências sobre o grande poeta e prosador. Que livros ele tinha, como os tratava, como e quando os vendeu e os comprou, alguns dos volumes já perdidos mas essenciais à sua formação enquanto escritor (como os Pickwick Papers), etc...

Além de ser um belíssimo objecto de arte, este volume I da "Biblioteca Particular" tem uma grande valia científica por si próprio. Além do mais, ter a listagem das obras digitalizadas por capa transforma este livro numa obra de referência de muito fácil e rápida consulta pelos especialistas ou meros curiosos. Embora não nos revele, porque seria impossível, toda a marginália que Pessoa produziu (isso ficará reservado para Setembro quando na secção em desenvolvimento do site da Casa Fernando Pessoa as digitalizações dos livros estiveram acessíveis), dá-nos um vislumbre para alguma marginália de grande interesse e reafirma a importância destes apontamentos, e de Pessoa enquanto leitor.

Em conclusão tenho de confessar que mudei completamente de opinião quanto a este livro, desde o momento em que primeiro o folheei e agora que já o tenho em minha posse. Passou entretanto de uma aparente edição dispensável para uma importante adição à minha própria biblioteca particular. Espero que os restantes dois volumes (dedicados aos items pessoais e às obras de arte da Casa Fernando Pessoa) possam ter este mesmo efeito.

O livro está já disponível para venda online aqui (para os aderentes Fnac o volume fica em 45€).

quinta-feira, julho 01, 2010

"(Ths)inking Survival Kit" no Teatro São Luiz



"O versátil Miguel Azguime - compositor, poeta, percussionista, co-fundador do Miso Ensemble, figura de proa da música contemporânea nacional - vai apresentar um novo espectáculo no Teatro São Luiz, em Lisboa, no próximo dia 3 de Julho. Entitulado "(Ths)inking Survival Kit", o espectáculo é uma encomenda do City of London Festival, em co-produção com a EGEAC. O espectáculo baseia-se em textos de sete autores, entre eles Luís de Camões, Fernando Pessoa e William Shakespeare".

O espectáculo é dia 3 de Julho, às 23h30m, na sala Jardim de Inverno. O preço dos bilhetes é €10.

quarta-feira, junho 30, 2010

Filme do Desassossego estreia no CCB



A programação para 2010/2011 do CCB foi apresentada e uma das grandes novidades é a inclusão da estreia absoluta em Portugal do "Filme do Desassossego" (ver a página 44 da programação), o projecto cinematográfico de João Botelho em que o realizador pretende adaptar à grande tela o "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa.

A Antestreia será no dia 29 de Setembro, no Grande Auditório do CCB, às 21h Estão planeadas posteriormente mais três visualizações do filme, nos dias 1, 2 e 3 de Outubro, desta vez no Pequeno Auditório e às 21h.

Marquem portanto nos vossos calendários, pois trata-se do maior evento Pessoano do ano de 2010!

Ps: já há algumas imagens do filme (em filme/fotos), disponíveis no site oficial, que servem para abrir o apetite.

terça-feira, junho 29, 2010

Trilogia de Dança "Pessoas" em cena no Brasil



"Através do financiamento do FUMPROARTE, a Companhia H apresenta a terceira parte da trilogia PESSOAS, em continuidade ao trabalho acerca da obra de Fernando Pessoa e seus heterônimos. Inspirada na obra do heterônimo Ricardo Reis, Pessoas III – As Memórias, um espetáculo repleto de dança e poesia, onde a palavra percorre os domínios do corpo".

segunda-feira, junho 28, 2010

Fernando Pessoa e Constantine Cavafy



Fernando Pessoa é um poeta único no Século XX Português e Europeu. No entanto houve um outro poeta da sua época, com o qual ele partilhou, sem o saber, grandes semelhanças. Esse poeta, nascido na Grécia em 1863 chamava-se Constantine Cavafy.

As semelhanças entre Pessoa e Cavafy são, em certa medida assustadoras:
  • O pai de Cavafy morreu quando ele tinha 7 anos (o pai de Pessoa morreu quando ele tinha 5). Tinha seis irmãos, Pessoa teve cinco.
  • Pouco depois da morte do pai a família foi forçada a mudar de casa (de Inglaterra para Alexandria). Com Pessoa ocorreu algo similar, de Lisboa para Durban. Em ambos há uma grande influência da literatura Inglesa.
  • Cavafy foi jornalista e funcionário público (Pessoa escreveu para jornais e mantinha emprego mais ou menos regular em escritórios).
  • Os temas mais abordados por Cavafy eram relacionados com patriotismo, cristianismo e homossexualidade (Pessoa também mostrava preferência por estes, embora fosse mais abrangente na sua escrita). Cavafy escrevia também sempre com uma grande nostalgia.
  • A sua escrita era vista como muito inconvencional para a sua época, tal como a de Pessoa.
  • Embora tenha tido algum reconhecimento em vida, é apenas agora, passados cerca de 70 anos da sua morte, que ele começa realmente a ser reconhecido.
Além disto tudo, aconselho que se olhe com cuidado para a foto que coloquei de Cavafy, especialmente o bigode e os óculos, muito similares aos de Pessoa.

Deixo, para final das coincidências um dos textos mais conhecidos de Cavafy, chamado "Muros", numa tradução minha (do Inglês). Certamente que não terei de vos indicar as semelhanças com muitos dos textos mais confessionais de Fernando Pessoa:

Sem consideração, sem piedade, sem vergonha
eles construíram grandes e altos muros à minha volta.

E agora eu sento-me aqui e desespero.
Não consigo pensar em mais nada: este destino corrói-me a mente;

Porque eu tinha tantas coisas para fazer lá fora.
Ah porque é que eu não prestei atenção enquanto eles construíam os muros.

Mas eu nunca ouvi qualquer barulho ou som de construção.
Imperceptivelmente eles fecharam-me do mundo exterior.

quinta-feira, junho 24, 2010

Demolição de prédio onde viveu Fernando Pessoa



Pessoa viveu, nos anos de 1915 e 16 num prédio na Rua Almirante Barroso, n.º 12 usando um quarto contíguo à Leitaria Alentejana, propriedade de um Sr. Sengo. João Gaspar Simões, o seu primeiro biógrafo, diz na "Vida e Obra de Fernando Pessoa" que o poeta lá viveu por caridade do proprietário, embora mais tarde essa visão tenha sido corrigida e atribuida possivelmente ao facto de Simões ter visto textos escritos em papel da tal leitaria.

O prédio ficou devoluto durante muitos anos e houve quem se batesse pela sua preservação, por ter sido casa de Pessoa. Mas hoje sabemos que ele será mesmo demolido para dar lugar a um empreendimento de luxo.

Notícia via Público

quarta-feira, junho 23, 2010

O Jornal "The Mercury" do Natal homenageia Portugal


Portugal joga com o Brasil na próxima Sexta-Feira em Durban, África do Sul e, por entre as curiosidades publicadas pelos media, surge a menção que o jornal "The Mercury" - onde Pessoa publicou um texto em Julho de 1904 e que é agora dirigido por uma luso-descendente - vai dedicar uma edição especial ao "jogo de sonho".

Nessa edição será novamente publicado o texto que Pessoa enviou para o jornal enquanto era ainda estudante do High School de Durban.