sexta-feira, março 05, 2010

Edizioni dell’Urogallo lançam "Studi su Fernando Pessoa"



Já está disponível, pelas Edizioni dell’Urogallo, de Perúgia, Itália, sob a direcção do professor Brunello De Cusatis, o livro "Studi su Fernando Pessoa", que conta com onze estudos de alguns dos maiores especialistas actuais na obra de Fernando Pessoa em todo o mundo. Oito desses estudos tinham já sido publicados em 2005 na revista Letteratura - Tradizione, incluidos no especial "Pessoa (1888-1935), unicità e molteplicità".

Vamos tentar analisar este livro dentro em breve.

quinta-feira, março 04, 2010

Porto Editora vai lançar resumo da "Mensagem" para telemóveis



A Porto Editora, reconhecida editora de conteúdos didácticos e escolares, anunciou que vai começar a disponibilizar conteúdos para telemóveis, entre os quais resumos de obras como "Memorial do Convento" de José Saramago ou "Mensagem" de Fernando Pessoa.


A nova colecção, denominada "Resumos Mobile", foi desenvolvida por professores especializados, para iPhone e para telemóveis com sistema operativo Symbian S60, sendo também compatível com o iPod touch e o novo iPad.
Segundo um responsável da editora, os resumos também poderão incluir conteúdos audio, o que facilitará em muito o acesso dos estudantes a este tipo de ajudas.

Mais pormenores na página mobile da Porto Editora.

quarta-feira, março 03, 2010

"Jogo de Cartas" (entre Pessoa e Sá-Carneiro)



Nuno Meireles, ao lado de José Carlos Tinoco, apresenta mais uma "leitura encenada" a partir de conteúdos Pessoanos. Desta vez a atenção volta-se para a troca de cartas entre Fernando Pessoa e o seu "irmão de arte" (e grande poeta e prosista por direito próprio) Mário de Sá-Carneiro.

Pretende-se, através da revelação dos "textos epistolares exultantes de conteúdos poético-literários e de revelação sobre as conivências" dar a conhecer "as dores, as angústias, as hesitações, mas também o imaginário inquieto e febril que animou os dois poetas de ORPHEU".

É no Bar-Café Labirintho, no Porto, hoje, às 22h30.

terça-feira, março 02, 2010

Patrick Quillier comment "Le Gardeur de troupeaux" - Uma Apreciação Crítica



Patrick Quillier é um insigne Pessoano, que tem feito muito em prol da divulgação de Fernando Pessoa em França, sobretudo, mas não só, através de cuidadas traduções publicadas na famosa Collection Bibliotèque de la Pléiade, da editora Galimard.

No fim de 2009 este autor publicou um "pequeno" livro (embora com mais de 240 páginas, podemos chamá-lo assim devido ao seu formato de livro de bolso) em que analisa a obra de Alberto Caeiro, com o título "Patrick Quillier comment Le Gardeur de troupeaux" . Trata-se de um ensaio que olha de maneira atenta não só para o "Guardador de Rebanhos", mas também para os outros dois conjuntos de poemas, "O Pastor Amoroso" e os "Poemas Inconjuntos", citando por diversas vezes a intertextualidade existente entre estes textos.

É de certo modo difícil proceder à crítica deste ensaio, sobretudo porque eu pessoalmente tenho uma opinião muito forte sobre a maneira como a obra de Caeiro pode e deve ser encarada. E percebi desde cedo pela leitura do livro de Quillier que ele pensa fundamentalmente de maneira diferente da minha. Mas as diferenças de interpretação apenas podem ser saudáveis, pelo que o melhor é encará-las de frente.

Falo sobretudo na perspectiva de análise dos poemas de Caeiro. Penso que Quillier analisa Caeiro "desde fora", o que, quanto a mim compromete o ensaio de um ponto de vista teleológico, logo à partida. Quando eu fiz a minha análise a Caeiro, decidi, por necessidade, que os poemas de Caeiro é que liderariam a minha interpretação deles. Ou seja, fiz uma análise "de dentro para fora". Isto porque me pareceu que a vida de Caeiro se formava à medida que ele escrevia - ele é, talvez, o único verdadeiro heterónimo em que se materializa o famoso cliché Pessoano tantas vezes repetido: "a biografia de um poeta é a sua obra".

Mas devemos compreender a visão de Quillier enquanto visão académica e de especialista em literatura, que o limita um pouco, na minha opinião. Isso nota-se pelas imensas "interjeições" que povoam o ensaio e que se referem a dificuldades e/ou opiniões técnicas sobre a tradução.

Essencialmente o livro divide-se em 3 partes. Uma pequena introdução a Pessoa, à génese dos heterónimos e à importância do dia triunfal; uma segunda parte denominada "table rase poétique"; e uma terceira parte (que inclui uma conclusão) denominada "table rase philosophique". Ou seja, Quillier separa de certa forma a poesia da filosofia, chegando ao extremo de analisar Caeiro de uma perspectiva semiótica! Penso que este será a opção mais polémica de Quillier - esta separação entre poesia e filosofia. É plenamente defensável que a obra de Caeiro é a perfeita união de esforços entre as duas.

No entanto há que reforçar que Quillier apreende alguns objectivos principais de Caeiro - o seu realce por exemplo à "desaprendizagem" é sinal disso mesmo. Mas sem nunca tirar realmente dividendos dessa análise. A sua conclusão vai no sentido de afirmar que Caeiro se afirma pela sua obra (aqui concordando expressamente com Octavio Paz), que é o mais positivista dos heterónimos e o sol fixo e pacífico ao redor do qual giram os seus discípulos inquietos. Mas são, afinal, conclusões óbvias, que não nos podem animar num rumo diferente daquele que muitos autores já anunciaram.

Podemos nós mesmos apenas concluir que a análise de Quillier, embora precisa literariamente, poderia ser muito mais corajosa filosoficamente, embora isso pudesse fugir do próprio âmbito objectivo do autor. Afinal parece sempre - o que lamentamos - que Pessoa não pode senão ser visto como um poeta que expressa ideias pela poesia e não o contrário.

Este livro pode ser adquirido na Fnac online (site Francês).

segunda-feira, março 01, 2010

Exibição no Reino Unido inspirada em Pessoa



Uma nova exposição patente na galeria Ikon, no Reino Unido, invoca (embora de maneira paralela) o universo Pessoano, pelo menos à maneira de inspiração. Intitula-se "On the Movement of the Fried Egg and Other Astronomical Bodies" e tem a autoria de dois artistas plásticos Portugueses: João Maria Gusmão e Pedro Paiva.

Eles descrevem o seu trabalho - que contém fotos, filmes em 16mm e instalações - como sendo uma "ficção poético-filosófica". Falando especificamente dos filmes (que constituem a exposição citada), eles "evocam estudos científicos, e são localizados em paisagens impossíveis de identificar ou estúdios pouco iluminados. Mas sempre silenciosos, aludindo a textos esotéricos e intelectuais".

Ambos os artistas citam Fernando Pessoa como inspiração-chave. Essa inspiração parece ter vindo da visão Pessoana dos opostos, da forma como ele conseguia defender, através de diferentes vozes, perspectivas opostas e mesmo contraditórias da realidade. Os filmes "etéreos" pretendem passar uma ideia de sonhos lúcidos, sugerindo um número infindável de perspectivas filosóficas a um mundo que não aceita a reconciliação.

Notícia via The Guardian

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Caeiro acende debate nas Correntes d'Escritas



Correntes d'Escritas é o nome dado a um evento que ocorre na Póvoa de Varzim desde 1999, totalmente dedicado à discussão da literatura, que conta com participantes de variados países.
Na terceira mesa de debate deste ano, uma frase de Alberto Caeiro foi escolhida como tema para acender as opiniões dos participantes: "Passo e fico, como o universo".

Trata-se do final do poema XLVIII, do "Guardador de Rebanhos".
Claro que a conversa partiu para outros territórios (que não Pessoa ou Caeiro), mas devo dizer que fiquei espantado com a interpretação dada à frase por alguns dos escritores participantes. Todos eles parecem não ter chegado sequer a um possível sentido, o que não deixa de ser espantoso.

Mas claro que isso se deve sobretudo ao facto de nada do "Guardador de Rebanhos" poder ser citado desta forma, desligado de tudo o resto. Na nossa interpretação destes poemas, chegámos à conclusão que o livro é unívoco e uno, ou seja, tem um sentido apenas se lido globalmente.
Isto levou-me a pensar a maneira como o próprio Pessoa é visto actualmente, por uma sociedade cada vez mais obcecada por sound bites e citações fora de contexto.

E a conclusão não é nada positiva, sobretudo para o esforço de Pessoa em elaborar teorias filosóficas na sua escrita poética, quando acaba citado, por mera curiosidade, para "ver o que acontece" em torno das suas palavras soltas...


Sempre pensei que Fernando Pessoa era muito mais do que apenas um poeta, mas um pensador que ainda hoje é ignorado pelo que escreveu. E isto num país que não tem uma história rica em termos de filósofos ou de ensaístas de renome. Mas, na nossa melhor tradição, os membros mais inovadores da sociedade são ostracizados para redutos onde não nos possam incomodar o quotidiano. E assim, tudo passa e fica na mesma, como o universo.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

"Poesia de Fernando Pessoa para todos"



"
Poesia de Fernando Pessoa para todos" é o título de uma nova antologia de poemas de Pessoa, lançada no Brasil, pela editora Martins Fontes (que publica muitos outros interessantes livros sobre Pessoa, muitos dos quais não estão disponíveis em Portugal).


Esta edição pretende reunir os poemas que Pessoa escreveu para crianças e outros que sejam "de fácil alcance" para os jovens. São 41 poemas seleccionados e organizados por José António Gomes e com ilustrações de António Modesto.