sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Caeiro acende debate nas Correntes d'Escritas



Correntes d'Escritas é o nome dado a um evento que ocorre na Póvoa de Varzim desde 1999, totalmente dedicado à discussão da literatura, que conta com participantes de variados países.
Na terceira mesa de debate deste ano, uma frase de Alberto Caeiro foi escolhida como tema para acender as opiniões dos participantes: "Passo e fico, como o universo".

Trata-se do final do poema XLVIII, do "Guardador de Rebanhos".
Claro que a conversa partiu para outros territórios (que não Pessoa ou Caeiro), mas devo dizer que fiquei espantado com a interpretação dada à frase por alguns dos escritores participantes. Todos eles parecem não ter chegado sequer a um possível sentido, o que não deixa de ser espantoso.

Mas claro que isso se deve sobretudo ao facto de nada do "Guardador de Rebanhos" poder ser citado desta forma, desligado de tudo o resto. Na nossa interpretação destes poemas, chegámos à conclusão que o livro é unívoco e uno, ou seja, tem um sentido apenas se lido globalmente.
Isto levou-me a pensar a maneira como o próprio Pessoa é visto actualmente, por uma sociedade cada vez mais obcecada por sound bites e citações fora de contexto.

E a conclusão não é nada positiva, sobretudo para o esforço de Pessoa em elaborar teorias filosóficas na sua escrita poética, quando acaba citado, por mera curiosidade, para "ver o que acontece" em torno das suas palavras soltas...


Sempre pensei que Fernando Pessoa era muito mais do que apenas um poeta, mas um pensador que ainda hoje é ignorado pelo que escreveu. E isto num país que não tem uma história rica em termos de filósofos ou de ensaístas de renome. Mas, na nossa melhor tradição, os membros mais inovadores da sociedade são ostracizados para redutos onde não nos possam incomodar o quotidiano. E assim, tudo passa e fica na mesma, como o universo.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

"Poesia de Fernando Pessoa para todos"



"
Poesia de Fernando Pessoa para todos" é o título de uma nova antologia de poemas de Pessoa, lançada no Brasil, pela editora Martins Fontes (que publica muitos outros interessantes livros sobre Pessoa, muitos dos quais não estão disponíveis em Portugal).


Esta edição pretende reunir os poemas que Pessoa escreveu para crianças e outros que sejam "de fácil alcance" para os jovens. São 41 poemas seleccionados e organizados por José António Gomes e com ilustrações de António Modesto.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

"Carta a um Herói Estúpido" - Uma Apreciação Crítica



"Carta a um Herói Estúpido" é uma edição da mítica editora Ática (a primeira a editar a "obra completa" de Fernando Pessoa, sob a orientação de Luiz de Montalvor), que reúne os fragmentos escritos por Pessoa tendo em vista uma "reacção" à chegada de um herói de guerra, agora já esquecido mesmo pelos livros de história, chamado Francisco de Aragão.

Pessoa terá lido a notícia do regresso do herói e a sua respectiva entrevista ao jornal A Capital, de 24 de Agosto de 1915. Nela Aragão fala do seu cativeiro de sete meses em Naulila, Angola, com palavras que acenderam - ao que se entende - o espírito crítico de Pessoa, ao ponto da autoria dos textos roçar a heteronímia, para o lado do seu irmão com a língua mais picante, Álvaro de Campos.

Jerónimo Pizarro, responsável pela fixação do texto, pelas notas e pelo pequeno prefácio, pretende com esta edição dar mais relevância a este "texto de intervenção" e de facto percebe-se a sua atitude. Sobretudo porque no que toca aos "textos de intervenção social" dos heterónimos (usamos a expressão de António Quadros), este texto fica na sombra de outros, talvez sobretudo do Ultimatum de Álvaro de Campos, não sendo devidamente analisado.

Como era habitual em Pessoa, o texto, embora dirigido a uma pessoa real, usava essa mesma pessoa para simbolizar as suas próprias opiniões, sobretudo políticas e patrióticas. Mas - como bem indica Pizarro - este tipo de textos não se deve dissociar do próprio movimento modernista, que está cheio de manifestos e panfletos pedindo a mudança social.

Quanto a mim é muito interessante a leitura deste texto, que num volume próprio mostra uma coerência que lhe pode dar mais significado, sendo que podemos compreender o sentido de humor de Pessoa e a sua crítica por vezes corrosiva da situação política do país à época. O jogo heteronímico que é mencionado (sendo a autoria talvez perto de um Pessoa-Campos) também se entende pela própria força das palavras, que pouco são medidas pelo autor.

A edição é muito cuidada e torna-se muito interessante para todos os amantes e estudiosos de Fernando Pessoa. Só teremos um apontamento a fazer, que será o de não ter sido incluído o texto da tal "entrevista" de Aragão ao jornal A Capital, que gera tão grande reacção em Pessoa. Seria muito interessante poder ler o texto do "herói estúpido", para depois compreender melhor as críticas de Pessoa. É incluída uma imagem da entrevista, mas cuja leitura é de todo impossível.

Update: por gentil indicação do Prof. Pizarro, deixamos aqui o link para a tal entrevista de Francisco Aragão (PDF).

O livro pode ser adquirido online, neste link.
Agradecimentos à Ática pelo cortês envio de um exemplar para análise.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Pessoa em Monólogo na Bahia



O Ciranda Café, Cultura & Artes apresenta, na zona do Rio Vermelho, na Bahia, Brasil, um monólogo em que são recriadas as obras de Fernando Pessoa, acompanhadas de música. O espéctaculo - que tem conhecido grande sucesso - é dirigido e interpretado por Marcos Machado, com direcção musical de Amadeu Alves.

Notícia via Ibahia

domingo, fevereiro 21, 2010

O Notícias Ilustrado: Os Futuristas

Através da Phala, divulgamos O Notícias Ilustrado, n.º 37, Ano I, série II, de 24 de Fevereiro de 1929, que contém várias páginas dedicadas ao modernismo Português. Uma leitura muito interessante para ser feita na primeira pessoa. Basta clicar na imagem (PDF com 6MB):

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Novas edições Pessoanas na Ática



A Ática é uma editora emblemática no que toca à obra de Fernando Pessoa. Foi fundada em 1930, por Luiz de Montalvor, um dos poetas que pertencia ao movimento modernista e que era amigo de Pessoa. Esta editora foi responsável por editar a obra de Pessoa, em exclusivo, até 1942. E embora o trabalho da Ática fosse, em parte, impreciso, ainda hoje muitas edições de Pessoa se baseiam nesse esforço pioneiro.

Recentemente a editora foi adquirida e integrada no novo Grupo Editorial Babel, dirigido por Paulo Teixeira Pinto (ex-CEO do Millenium BCP). Teixeira Pinto parece ter um gosto particular pela obra de Pessoa e uma paixão assumida pelo modernismo - a edição "clonada" da Mensagem que editou recentemente prova isso mesmo.

É nesta linha que a Ática começou novamente a publicar Pessoa. E lançou dois títulos: "Carta a um Herói Estúpido" (com prefácio, estabelecimento do texto e notas de Jerónimo Pizarro) e "Mensagem" (com prefácio de David-Mourão Ferreira). Esperamos ter, em breve, oportunidade de os criticar, assim que eles nos chegarem.

Notícia via Sapo Notícias

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Rodagem de "O Filme do Desassossego"

O Filme do Desassossego só deverá estrear depois do Verão, mas conta já com quatro semanas de filmagem em Lisboa, pela mão do realizador João Botelho que falou pela primeira vez desde o início do processo, à Lusa.

João Botelho revela alguns pormenores curiosos sobre o que será o filme e conseguem ver-se mesmo alguns instantes do mesmo, em forma de making of. Desde logo podemos destacar que o "escritório" onde trabalha Soares (que aparece com um look algo modernizado) é filmado nos Arquivos Históricos do Exército.

Vale a pena ver o vídeo (link externo para o DN).


Notícia via TSF