
A Associação Fura Samba vai participar este ano no Carnaval da Madeira com uma homenagem a Fernando Pessoa, com uma música intitulada “Samba-Enredo - Mar Português”, que mistura o samba do Brasil com o fado Português. Além de participar no Cortejo Alegórico de Carnaval, no centro da cidade do Funchal (sábado, a partir das 21h00), a Fura Samba tem, na sua agenda, outras apresentações públicas: - Hoje, pelas 11h00, estará na Escola Básica da Nazaré, onde dará a conhecer o seu novo projecto (“Samba Enredo- Mar Português”) aos alunos daquele estabelecimento.
- No domingo, participará no cortejo de Carnaval do Porto Moniz, um evento que se realiza a partir das 15h30.
Notícia via Jornal da Madeira
"Encontro Magick", um livro elaborado pelo sobrinho de Pessoa, Miguel Roza, e inteiramente dedicado ao encontro entre Fernando Pessoa e Aleister Crowley e posterior correspondência entre ambos, no período entre 1930 e 1932, é reeditado agora pela Assírio & Alvim, sendo que a edição original, de 2001, se encontrava esgotada há vários anos.O principal interesse desta obra, quando foi originalmente editada, era o acesso ao manuscrito "Mouth of Hell", uma novela policial semi-acabada por Pessoa, que estava, nessa altura, ainda na posse dos seus herdeiros, no chamado "Dossier Pessoa-Crowley". Esse mesmo dossier viria a ser licitado por cerca de 60.000€ pelo Estado, no leilão Pessoa em Novembro de 2008 e encontra-se agora na Biblioteca Nacional integrado no espólio do poeta.Sendo que o manuscrito está agora junto do espólio, o interesse pode ter desvanecido ligeiramente, mas visto que não temos conhecimento de nenhuma outra edição pública do mesmo, digital ou em papel, não podemos deixar de indicar esta mesma razão como a mais forte para qualquer Pessoano querer adquirir este livro.Mas julgo que "Encontro Magick" oferece algo mais aos interessados. Não se tratando de um estudo propriamente dito - Roza apenas lista cronologicamente a correspondência relevante, com comentários muito ligeiros, sendo que no final nos deixa com o original já mencionado - é precisamente essa a sua principal atracção: o facto de podermos "seguir" quase dia-a-dia, a aventura que foi o encontro entre estas duas misteriosas personagens. Miguel Roza dá a sua opinião, mas não se intromete demasiado, o que permite ao leitor tirar as suas própria conclusões.Foi isso mesmo que eu pude fazer, lendo apenas as cartas, sequencialmente. Isso permitiu-me chegar, por exemplo, a uma hipótese que nunca me tinha ocorrido, só de ler outros estudos, como o de Steffen Dix (in "Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis", Texto Editora, 2009, págs. 39-81) ou de Marco Pasi ("Aleister Crowley e la tentazione de la politica", FrancoAngeli, 1999).A hipótese a que cheguei seria acerca das motivações por detrás do próprio suicídio fingido. Quanto a mim - e apenas pela leitura das cartas - pareceu-me que tudo foi motivado por razões económicas, para gerar polémica em volta do nome de Crowley e promover as suas obras e uma nova empresa que ele queria montar em Inglaterra (salvo erro denominada Aleister Crowley Ldt). Pareceu-me a melhor resposta e não um eventual desejo de Crowley chatear a sua mulher escarlate Hanni Jaeger.É interessante como a leitura crua epistolográfica se tornou muito agradável. Como, por fora, quase nos sentimos espectadores de uma ficção da vida real. Esta sensação de vouyerismo da vida de Pessoa talvez só encontre paralelo na leitura das suas cartas de amor, ou então lendo o magnífico "A Conspiração dos Antepassados" de David Soares.E isso leva-nos a um outro ponto interessante. Tendo todas as cartas à disposição, vê-se também um certo paralelo entre Crowley e Ophélia. Explico. Crowley é sempre mais expansivo do que Pessoa e Pessoa resiste sempre, um pouco como acontece com as cartas dele com a sua amada Ophélia, em que esta escreve muito mais, de forma muito mais intensa, e recebe invariavelmente missivas mais curtas e mais espaçadas. Vê-se bem a utilidade desta obra, que recomendo vivamente a quem não a possua. Dá-nos um insight sem paralelo para a análise deste episódio fulcral da vida de Pessoa, que nenhum estudo só por si nos pode dar. O livro poderá brevemente ser adquirido online, neste link.
Agradecimentos à Assírio & Alvim pelo cortês envio de um exemplar para análise.

Reunindo textos de Goethe, Fernando Pessoa, Marquês de Sade e Christopher Marlowe e árias de Gonoud, Berlioz e Mozart, "Fausto Apócrifo" é definido como um "espectáculo aleatório", que contém palavra dita, dança e artes circenses. Tudo em volta de um tema - a venda da alma ao Diabo - que tem fascinado muitos dos maiores autores Europeus ao longo da história.
Às Sextas, Sábados e Domingos, de 5 de Fevereiro de 2010 a 28 de Março de 2010, no Centro d'Arte Kabuki, em Lisboa. Preço dos bilhetes: €7.Notícia via Expresso
Acaba de sair, pela Assírio & Alvim, a segunda edição do livro "Fernando Pessoa, Empregado de Escritório". Trata-se de uma obra emblemática da bibliografia Pessoana, que, no entanto se encontrava esgotada há mais de 10 anos. A edição original data de 1985 e a presente edição, trazida agora à luz pelo autor João Rui de Sousa, pretende ser uma edição "revista e aumentada", ou pelo menos assim se apresenta no respectivo subtítulo.Ora, o grande problema com que se debate este livro, em 2010, é o facto desta área de estudos - a perspectiva de Pessoa enquanto trabalhador, "inventor" e empreendedor - ter evoluído desde 1985. Falamos, é claro, sobretudo da pesquisa efectuada por Mega Ferreira no seu "Fazer Pela Vida - Um Retrato de Fernando Pessoa o empreendedor" (editado em 2006), mas também dos esforços de outros investigadores, como Jerónimo Pizarro e Richard Zenith. Parece-nos que, sobretudo em comparação com o livro mais recente de Mega Ferreira (livro que nunca é citado directamente), a obra de Rui de Sousa está algo datada, tendo uma leitura mais rígida e menos profunda. Mas não queremos ser demasiado duros com esta edição, porque ela lê-se com todo o prazer, e a forma despretensiosa como está escrita tem o seu quê de fascinante - sobretudo a maneira como se pode acompanhar a vida de escritório de Pessoa percorrendo os seus diferentes patrões, com vários comentários acessórios "compilados" pelo autor, de outras obras. Também são interessantes os pormenores relativos a um dos escritórios da época, recentemente renovados, que mantem alguns itens usados por Pessoa - uma secretária e uma máquina de escrever. Em resumo, este livro seria realmente uma novidade quando foi lançado, mas agora fica aquém das suas possibilidades com uma mera revisão e acrescentos pontuais. Fica aquém da investigação de Mega Ferreira e coloca certamente um desafio ao seu autor de, em próxima oportunidade, partir para uma nova investigação original. Ps: num curto ps gostaria de focar um ponto que achei curioso ao ler o livro. Numa conferência que decorreu há pouco tempo na Casa Fernando Pessoa, José Blanco discutiu os porquês da atribuição do prémio do SPN à "Mensagem", e em certa altura questionava-se como a censura tinha deixado passar o artigo "Associações Secretas" de Pessoa. Ora, ao ler o livro de Rui de Sousa, passei pela resposta - que está aliás noutro livro "Fernando Pessoa na Intimidade" - que revela a influência de uma colega de escritório de Pessoa, Maria Graça do Amaral, cuja amiga na censura "deixou passar" o famoso artigo. Achei este pormenor delicioso e tinha de compartilhar, mesmo que eventualmente seja de conhecimento geral.
O livro poderá brevemente ser adquirido online, neste link.
Agradecimentos à Assírio & Alvim pelo cortês envio de um exemplar para análise.

O meu livro "As Mensagens da Mensagem", em que analiso a "Mensagem" de Fernando Pessoa, poema a poema, foi editado em 2007 e está esgotado nas livrarias. Por esta razão achei que seria bom colocá-lo novamente online, em PDF gratuito.Mas não se trata apenas de recolocar o ficheiro PDF antigo. Trata-se de uma versão 2.0 do livro, com uma parte introdutória reformulada, que agora fala do prémio do SPN e da origem do nome "Mensagem". Também introduzi algo que queria fazer há muito, que era a análise astrológica do "Mar Português", atribuindo um signo do Zodíaco a cada poema desta secção.Basta clicar aqui para ir para a página de download.

A editora Zéfiro acaba de lançar uma nova edição das cinquenta cartas de amor que Fernando Pessoa dirigiu a Ophélia Queirós, no curto período de namoro entre ambos, que teve mesmo assim duas fases. Uma obra que parece ser de fácil acesso para os leitores mais interessados nesta vertente da escrita de Pessoa - que alguns investigadores começam aliás a associar a uma verdadeira e própria vertente do seu fingimento heteronímico.

A Câmara Municipal de Santo Tirso, através do Centro Cultural de Vila das Aves (ver aqui como chegar), organizou uma Comunidade de Leitores, que vai discutir obras de diversos autores, entre os quais Fernando Pessoa. As sessões realizam-se às terças-feiras entre as 21h00 e as 22h30, e a obra de Pessoa será abordada no próximo dia 23 de Fevereiro.Para mais informações e inscrição nesta iniciativa, todos os interessados poderão contactar o Centro Cultural através do e-mail: ccva@cm-stirso.pt ou pelo telefone 252 870 020.