quarta-feira, dezembro 09, 2009

“Um Olhar sobre Fernando Pessoa” em Torres Novas



O Café “Solar do Rainha”, em Riachos, Torres Novas, organiza umas Jornadas sobre Fernando Pessoa, baseadas na obra artística de Gomes Pereira intitulada “Um Olhar sobre Fernando Pessoa”, que já tinha sido apresentada no Casino da Figueira da Foz, em Maio de 2008, aquando da comemoração dos 120 anos do nascimento do poeta.

Consultar aqui o catálogo da exposição.

De 01 de Dezembro a 17 de Janeiro de 2010; Das 14:00 às 2:00
(encerra à 2ª Feira)



Notícia via O Mirante

terça-feira, dezembro 08, 2009

"Banqueiro Anarquista" em diversas encenações

Em Lisboa vão existir duas encenações do texto "O Banqueiro Anarquista", de Fernando Pessoa.

De 10 a 13 de Dezembro, o Teatro da Trindade, no Chiado, em Lisboa, encena o texto de quinta a sábado, às 20h3, Domingo às 16h.

A encenação está a cargo de Annalisa Biancho e Virginio Liberti; Laura Nardi e Amândio Pinheiro interpretam as personagens principais. Depois da (breve) passagem pelo Teatro da Trindade, a produção - que é internacional - vai para Itália.

Já no Teatro Maria Matos, será João Garcia Miguel a dar a sua perspectiva, numa peça que estará em cena de 10 a 15 de Dezembro, sempre às 21h30.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

"Mensagem Clonada" (Guimarães Editores) - Uma apreciação Crítica



A Guimarães Editores é uma editora centenária, que hoje em dia incorpora também o espólio histórico da Ática, editora fundada por Luís de Montalvor (poeta e amigo de Pessoa) que iniciou a publicação da "obra completa" de Fernando Pessoa.

Por estas (e outras razões, entre as quais a ter editado "Um Fernando Pessoa" de Agostinho da Silva), a Guimarães está numa posição de certo modo privilegiada no que toca a novas edições de Pessoa. E eis porque seria expectável que esta editora, ao decidir fazer uma edição comemorativa de "Mensagem", fizesse um bom trabalho.

Tivemos oportunidade de ver a apresentação da obra, no passado dia 1 de Dezembro na Biblioteca Nacional, e ficámos de certo modo comovidos pela maneira como Paulo Teixeira Pinto (agora na direcção da Guimarães) nos falou deste projecto "único", sem orçamento e sem perspectivas de gerar lucro e que deu origem a um verdadeiro "objecto de arte". Tratava-se, segundo Teixeira Pinto, de uma réplica o mais aproximada possível ao original apresentado por Pessoa na gráfica, partindo da encadernação, pela qualidade do papel e pelo tipo de tintas utilizadas. A Fnac, quando abordada, ofereceu-se para comprar toda a edição - 2.500 exemplares, vendidos a um preço que ronda os €40 por exemplar, sem discutir sequer as suas margens comerciais.

Ficámos certamente com a impressão inicial de que se trata de um edição muito especial. E devo ser sincero e dizer que dificilmente me impressiono com objectos deste tipo. Embora nunca tenha estado com o original manuscrito nas mãos, já tive a oportunidade de manusear uma primeira edição, logo a dedicada a António Maria Pereira (o editor) e não senti particular emoção, apenas um privilégio especial.

Sendo assim encaro este livro a frio.

E será a frio a primeira (e maior) crítica que lhe farei. Nomeadamente: esta edição não se aproxima o mais possível ao original, por falhar num aspecto essencial - trata-se basicamente de uma impressão (em bom papel e encadernação, é certo) da digitalização disponível online no site da Biblioteca Nacional Digital.

A digitalização é excelente, mas quando se transforma numa impressão sofre de um mal imperdoável: cada página foi digitalizada, não individualmente e como folha solta, mas contra a folha seguinte. Por isso, quando foi impressa, pode ver-se uma transparência que mostra o conteúdo mais marcado da folha seguinte, mesmo quando a folha está solta e não posta contra a folha seguinte. Isto - para mim - tira todo o realismo na impressão do manuscrito. O facto do editor, que colocou tanto cuidado nesta edição "clonada", não ter reparado neste pormenor, parece-nos inacreditável. Ainda mais porque tudo o resto está realmente feito com uma grande qualidade. A encadernação é excelente, a qualidade do papel muito boa e a qualidade das tintas no papel sem mácula.

Apenas poderíamos indicar ainda a estranheza mínima de ver o título "Mensagem Original" impresso na lombada e da embalagem onde vem o pequeno caderno chocar demasiado com ele (tenta demais ser moderna e acaba por se tornar kitsch, num mau sentido).

Alguns especialistas deram também a sua opinião sobre esta edição. Jerónimo Pizarro considera-a "uma edição comovedora realmente idêntica ao original", enquanto Richard Zenith diz que ela "aproxima [o leitor] do próprio fabrico do Fernando Pessoa". "É de facto uma reprodução idêntica do original, reproduz o objecto e, nesse sentido é um livro-objecto. Tem, por isso, um valor de fetiche, é por isso mesmo que ele é feito", disse Fernando Cabral Martins.

De facto tenderíamos a concordar mais com Cabral Martins, na perspectiva de que se trata de um "objecto de arte", de uma comemoração (opinião igual parece ter Teresa Rita Lopes num artigo publicado hoje no DN). Aliás, como bem indicou Cabral Martins, se este foi o original, nem foi mesma esta a forma final do livro. Pessoa fez-lhe mais alterações e depois da primeira edição corrigiu ainda o livro para a segunda (essa sim a mais próxima da sua intenção final, saiu só em 1941). Pode ler-se aqui o relato exacto desta "génese editorial".

Esperemos que - em "clonagens" futuras - se tome as nossas críticas em consideração, porque, de resto, penso que se trata de um objecto magnífico, verdadeiro item de coleccionador Pessoano e que - mesmo com os erros - vale o preço exorbitante que é pedido.

Esta edição especial de "Mensagem" está à venda na FNAC.

sábado, dezembro 05, 2009

Filme de Pessoa no Jornal i



Saiu hoje uma notícia de uma página no Jornal i (página 48 do jornal impresso), com o título "Será este homem Fernando Pessoa?", onde se aborda a análise ao filme que divulgámos dia 25 de Novembro.

A jornalista do i teve a oportunidade de entrevistar Manuela Nogueira e Manoel de Oliveira. E embora o realizador mantenha a janela aberta a que possa ser Pessoa, já a sobrinha do poeta diz categoricamente que não: "tenho 99% de certeza de que não é o meu tio", diz Manuela Nogueira, agarrando-se às mesmas provas que nós já tinhamos mencionado - a falta dos óculos e a bengala.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

75 anos da Mensagem - O Debate

Publicamos agora o vídeo (em duas partes) do debate realizado no passado dia 1 de Dezembro de 2009 na Biblioteca Nacional, em Lisboa, nas comemorações dos 75 anos da "Mensagem" de Fernando Pessoa. Neste debate intervieram Manuel Alegre, Eduardo Lourenço e Vasco Graça Moura.

Não posso deixar de dar também a minha opinião sobre o que foi dito no debate (e visto que não participei no mesmo). Queria sobretudo dar a minha opinião sobre duas coisas que foram ditas por Graça Moura (que é um conhecido "anti-pessoano"): 1) que a Mensagem "copiava" obras anteriores, nomeadamente livros de Mário Beirão, sendo um rol confuso de personagens e de poemas com datas demasiado dispersas; 2) que Pessoa deixou Camões de fora da Mensagem propositadamente, por despeito.

Quanto ao ponto 1), Lourenço deu uma boa resposta, falando na "História de Portugal" de Oliveira Martins. Mas eu acrescentava: que todos os autores copiam obras anteriores; dê por onde der, também os Lusíadas, enquanto epopeia, é uma cópia em forma dos livros de Homero por exemplo. Mas é importante também perceber que Pessoa sobretudo "copia" os Lusíadas, porque tem de os enfrentar, se quer realmente ser o maior poeta Português de sempre. Em vez de despeito, Pessoa sabia claramente que Camões era "o poeta" e se ele queria essa posição, teria de o deslocar dela. Pessoa aliás trava uma "guerra" muito similar com Shakespear.

O ponto 2) seria mais simples de entender se os presentes pensassem que tipo de Sebastianismo há nos Lusíadas e na Mensagem. Penso (e foi a opinião que dei no meu livro "As Mensagens da Mensagem"), que Camões foi "excluído" porque escrevia para um D. Sebastião vivo. Logicamente não poderia estar no mesmo rol de Bandarra e Vieira... O seu Sebastianismo era outro. (Além do mais, veja-se o ponto 1) e considere-se que Camões estava a ser desafiado).


Inédito "Poe e a Loucura Metódica" no Jornal i



O Jornal i publica hoje mais um inédito de Fernando Pessoa. Desta vez o texto foca-se em Edgar Alan Poe, um dos autores favoritos de Pessoa e enquadra-se num possível projecto de traduções de poemas e contos de Poe (que o autor da "Mensagem" apenas completou parcialmente).

Como sempre o inédito está disponível no Jornal i, bem como no nosso link alternativo.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

75 anos da Mensagem - Reacções

Tive a oportunidade de assistir às comemorações dos 75 anos da Mensagem que ocorreram ontem na Biblioteca Nacional e pude mesmo filmar a maior parte do evento (embora apenas com o meu telemóvel), pelo que será possível disponibilizar aqui as imagens para quem não pôde assistir.

O evento no geral foi bem conseguido. Iniciou-se com uma apresentação breve pelos responsáveis, incluindo Jorge Couto (director da BN) que anunciou que a digitalização do espólio estará concluida até ao fim do ano e Paulo Teixeira Pinto (da Guimarães Editores) que apresentou a "Mensagem Clonada" (que criticaremos nos próximos dias no blog), ao que se seguiu uma apresentação de Eduardo Lourenço (que apresentou um texto édito seu sobre a Mensagem). O debate que se seguiu foi bem mais interessante, sobretudo porque Vasco Graça Moura é um conhecido "anti-pessoano" e esgrimiu bem os seus argumentos críticos em direcção à obra de Pessoa, o que deu azo a bons momentos.

Disponibilizo por enquanto os vídeos relativos à declamação de Luís Lucas (excelente) e à apresentação do Prof. Eduardo Lourenço. Prometo para breve o vídeo do debate. Mais fotos da exposição e do evento podem ser vistas na nossa página de fotos Flickr.