quinta-feira, agosto 13, 2009

TEF apresenta "Mééééé... Tudo É Como É"



O TEF (Teatro Experimental do Funchal) apresenta, dias 13, 14 e 15 de Agosto, a encenação "Mééééé... Tudo É Como É", a partir de textos de Fernando Pessoa e Alberto Caeiro, no Centro Cultural e de Congressos do Porto Santo.

A produção é definida, pela própria companhia teatral, como sendo um "arraial bucólico com poesia de Alberto Caeiro e o interlúdio Carta da Corcunda para o Serralheiro, de Fernando Pessoa".

Notícia via Jornal da Madeira

quarta-feira, agosto 12, 2009

Pátio dos Amores e Três Cenas, no SESC Taubaté



O SESC Taubaté, em São Paulo, Brasil, leva à cena dia 14 de Agosto, às 20h, um espectáculo de dança inspirado no poema de Ricardo Reis "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio". Segundo o site da companhia, "o espetáculo é composto por dois momentos que envolvem o público pela intensidade e veracidade coreográfica. Com Balé da Cidade de Taubaté".

terça-feira, agosto 11, 2009

"La Nada Luminosa" - Uma Apreciação Crítica



"La Nada Luminosa", um ensaio escrito pelo Colombiano Carlos Vasquez, aborda, de uma perspectiva poético-filosófica, a obra "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro.

A principal premissa do estudo de Vasquez é que Caeiro nos diz que a poesia, muito mais do que a prosa, é a ferramenta mais adequada a filosofar. Sobretudo porque a poesia pode ser uma maneira de abandonarmos de modo mais definitivo a realidade: "La experiencia poética no dice la hermandad, la solidaridad del ser en las palabras. Abandona las cosas al desamparo de existir" (p. 25).

Ou seja, o livro de Caeiro é visto como essencialmente sendo uma tentativa do "Mestre" levar ainda mais longe a despersonalização Pessoana, ao ponto do "não existir". A realidade do "Guardador de Rebanhos" torna-se, em verdade, numa "irrealidade" (p. 33). É a visão (a "mirada") de Caeiro que traz esta consciência, de que as coisas apenas existem como são, e que essa solidão ontológica advém de as coisas apenas serem assim, sem relação umas com as outras.

Certamente um ponto a favor deste livro pode ser agora destacado: o seu foco no facto de "O Guardador" ser um livro essencialmente ontológico (p. 59), debruçando-se sobre o problema da existência. Embora tendamos a discordar com o método utilizado por Vasquez, que torna a leitura do seu livro algo confusa (sobretudo face a um objecto de análise tão genialmente simples), temos de aplaudir a primeira leitura que vemos de Caeiro nestes moldes, e por um estudioso estrangeiro. Na nossa própria análise chegamos inicialmente a similares conclusões.

Ficamos no entanto felizes de ver um estudo filosófico de Pessoa (neste caso de Caeiro), que nos mostra claramente a maneira como ele estava à frente (ou pelo menos na vanguarda) do seu tempo, abordando o nihilismo (p. 65) e um existencialismo pagão (p. 92) que em certos pontos supera mesmo o existencialismo ateísta de Nietzsche.

No entanto o livro de Vasquez podia ser mais directo e simples de ler. Não é tanto a linguagem filosófica que se torna um obstáculo (as referências a outros autores e/ou escolas de pensamento são escassas), mas sobretudo a organização do volume e a maneira como não se acompanha linearmente o próprio "Guardador" (que na nossa visão tem um princípio, meio e fim). Analisando assim transversalmente o livro de Caeiro, ficamos com também apenas com uma compreensão transversal do que Vasquez nos quer dizer (e que mesmo assim é demasiadamente repetida ao longo do texto). Mas é refrescante ler filosoficamente Pessoa, ver que há quem compreenda a importância do livro de Caeiro enquanto estudo filosófico por direito próprio e é sobretudo refrescante ver impressas ideias abordando "a poesia enquanto linguagem filosófica".

O livro já se encontra à venda, seguindo este link (site Colombiano).

sexta-feira, agosto 07, 2009

Cartas de Pessoa editadas em Checo



Será editado em breve, pela
editora Checa Argo, um livro com várias cartas de Fernando Pessoa, que pretende, segundo a tradutora Pavla Lidmilová mostrar
"um homem de vida pessoal muito interessante".

O livro intitulado
"Cartas de amizade, amor e magia-Histórias da vida de Pessoa", divide-se em três secções, que revelam três diferentes facetas do poeta e pensador Português: as amizades modernistas com críticos e poetas do seu tempo; as cartas de amor com Ofélia e as cartas que falam de temas mágicos e esotéricos.

Notícia via Expresso

quinta-feira, agosto 06, 2009

Entrevista com Michaël Stoker



Temos o prazer de apresentar uma entrevista com o Professor Michaël Stoker, divulgador da obra Pessoana na Holanda e que recentemente descobriu no espólio Pessoano diversos inéditos do poeta falando dos Países Baixos.

Como é Fernando Pessoa lido e apreciado nos Países Baixos? Há maior interesse pela sua poesia ou pela sua prosa?


Pessoa é extremamente conhecido na Holanda e a sua influência na literatura e nas artes Holandesas foi enorme. Toda uma geração de poetas, escritores e artistas admitiu ter sido influenciada pelo escritor português. O poeta e crítico holandês Rob Schouten escreveu: «não há poeta estrangeiro que tenha causado tanto impacto nos leitores holandeses como Fernando Pessoa». Schouten intitulou mesmo O poeta holandês Fernando Pessoa: trinta anos de influência ecuménica um artigo seu publicado em 2006. Entre as traduções Holandesas, contam-se 8 volumes de poesia Pessoana e 12 volumes de prosa. A primeira e excelente antologia da poesia heteronímica, traduzida por August Willemsen (1936-2007) em 1978 teve 13 reedições. Esta edição de poesia, juntamente com a prosa do
Livro do Desassossego, inicialmente publicado em 1990 na versão 'princeps' da Ática e recentemente reeditado na versão de Assírio e Alvim teve um grande sucesso na Holanda.

Sei que houve um festival há pouco tempo dedicado a Pessoa, como correu?


O festival correu muito bem. Foi de facto um grande êxito! Mesmo sabendo que Pessoa tem muitos leitores na Holanda, o seu sucesso ainda foi uma surpresa. Contámos mais que 1.700 visitantes, um número enorme para um 'mono-festival' sobre um só autor estrangeiro e já morto. O sucesso indica a popularidade de Pessoa na Holanda.


O que o captivou em Pessoa e como o conheceu?


O meu 'encontro' com Pessoa, deve-se ao Prof. Paulo de Medeiros, o actual professor catedrático dos estudos portugueses na Universidade de Utrecht. Eu estudei literatura moderna e Medeiros visitou depois da sua instalação, uma das aulas para falar sobre José Saramago, que naquela altura tinha acabado de ganhar o Nobel. Ele também falou brevemente sobre Pessoa, que achei muitíssimo interessante. Uma vez que eu, pouco depois, tinha lido o
Livro de Desassossego, apaixonei-me definitivamente pela obra Pessoana. Escrevi a minha tese de mestrado sobre Pessoa e continuei de estudar as obras para uma tese de doutoramento.

Pode falar-nos um pouco sobre o seu estudo sobre o Livro do Desassossego, de que trata na sua tese de Doutoramento?

A tese ainda não está concluida. A tese apresenta um esboço de uma edição crítica do
Livro do Desassossego, que surpreendemente até agora ainda não há, e fala sobre as dificuldades de ler a obra como livro, no sentido tradicional da palavra. Os fragmentos não permitem ser considerado, na minha opinião, como um todo, mas simultaneamente Pessoa deu o título 'Livro' ao conjunto. Eis a grande crise do Livro. Esta levanta questões interessantes em termos de crítica genética e hermenêutica. A questão central será em que medida o LdD pode ser considerado uma obra modernista.

Pensa que o facto de Pessoa ter vivido em Portugal impede que seja verdadeiramente universal? A língua natal é neste caso um obstáculo inultrapassável?

A lingua Portuguesa é um aspecto essencial da obra Pessoana, e também do sucesso internacional da obra, como o papel central da cidade de Lisboa. Nós reconhecemos no mundo inteiro os sentimentos e crises de identidade nos poemas de Pessoa, não importa em que língua estes sentimentos universais foram formulados. O facto que Pessoa foi tão indivisivel da sua língua natal, fortalece o impacto da sua obra. Acerca da lingua Portuguesa como 'obstáculo inultrapassável': acho que os governos dos países lusitanos têm que estar mais cometidos à divulgação da língua e cultura lusitana. A lingua Portuguesa tem mais que 200 milhões de 'native speakers' no 4 continentes; é uma das linguas maiores do mundo. Mas aqui, nos Países Baixos, temos só 10 ou 15 estudantes nos estudos Portugueses por ano. Os estudos espanhoís têm algumas centenas de estudantes. Temos na Holanda um instituto Espanhol (Instituto Cervantes), Francês (Maison Descartes), Alemão (Goethe Institut), mesmo um instituto Italiano, mas não temos um instituto Português/Brasileiro. Estes institutos organizam actividades, palestras, cursos de línguas, viagens e são também grupos de pressão importantes para influenciar a opinião pública e o poder político. Toda a gente aqui conhece os fados Portugueses de Mariza, mas ninguém sabe que o Portugal tem vinhos melhores do que os vinhos franceses, cafés melhores do que os espressos Italianos e uma das literaturas mais interessantes da Europa. O desenvolvimento da economia Brasileira pode potencialmente resultar num lugar central na economia international. Com uns esforços conjuntos dos governos Portugueses e Brasileiros, pode-se remover muitos dos 'obstáculos' da ignorância acerca da lingua e cultura Portuguesa. Queria dizer aos políticos, com Pessoa: Senhores, falta cumprir-se Portugal!

Martinho da Arcada poderá fechar até Dezembro



O Martinho da Arcada (em cima, numa foto tirada em 1942), em plena Praça do Comércio em Lisboa, era um dos cafés de Pessoa. Não era "o café de Pessoa" pela simples razão do poeta fazer a sua vida por vários cafés, do Chiado à Baixa, do Rossio à Praça do Comércio.

Mas é certo que ao longo do tempo dois cafés passaram a ter essa imagem emblemática de "cafés de Pessoa": a Brasileira do Chiado e o Martinho da Arcada na Praça do Comércio. Tanto é assim que ambos se arrogaram imagens icónicas para acompanhar o mito, um Pessoa em bronze no Chiado e a mesa-altar mantida de origem no Martinho para admiração dos peregrinos.

Como "lugar sagrado" dos Pessoanos, o Martinho (que conta já com 227 anos de vida) é de direito próprio um local histórico da cidade e preocupam-nos as notícias mais recentes que avisam que o mesmo poderá fechar até Dezembro por causa das obras na Praça do Comércio. Mas será a culpa só das obras?

Quando se fala do Martinho, fala-se do café Martinho. Mas a realidade é que o café foi transformado em restaurante de luxo, e que serve sobretudo turistas. Há uma pequena parte do mesmo que continua café, mas o todo do estabelecimento foi sendo descaracterizado. Não será a perda dos turistas a verdadeira razão da crise? O certo é que a mesa de Pessoa já não é - há bastantes anos - uma mesa de café, onde o poeta pediria o seu "sol estrelado" (ovo estrelado) e acompanhamento de aguardente.

Surgem notícias que será reposto um ciclo de tertúlias para reanimar o Martinho, mas porventura não bastará, face às tais obras na Praça. Mas - dizemos nós - não seria também de pensar em reformular o próprio conceito do espaço?

quarta-feira, agosto 05, 2009

Pista Ciclável Belém-Cais do Sodré inclui frases de Pessoa



O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, inaugurou dia 1 de Agosto uma nova pista ciclável ribeirinha, entre a Torre de Belém e o Cais do Sodré, com extensão de pouco mais de 7 Km. Segundo o autarca, "A instalação de uma pista ciclável na margem do rio Tejo surge da vontade mútua e compromisso da Administração do Porto de Lisboa e da Câmara Municipal de Lisboa para com a comunidade de Lisboa".

Ao longo da mesma encontram-se, escritas no pavimento, passagens do poema "O Tejo é Mais Belo” de "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro, em tinta fotoluminescente e em duas paredes verticais.

Update: encontrei um pequeno vídeo deste mesmo percurso:

O Tejo from Abilio Vieira on Vimeo.