
Évora comemora os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa com um concurso destinado aos mais pequenos e intitulado "Pessoa aos nossos olhos".Foram dados aos estudantes das escolas do 2.º e 3.º ciclo perfis recortados de Pessoa (um deles está na foto em cima), em madeira, para serem decorados com diversos materiais e um poema. As peças decoradas estão em exposição até 14 de Junho pela cidade.O vencedor ganha uma viagem de estudo à Casa Fernando Pessoa em Lisboa. O 2.º classificado levará para casa dois exemplares de “Poesia de Fernando Pessoa para todos”.
Notícia via Notícias do Alentejo

O livro "Boa Noite, Senhor Soares", o pequeno romance de Mário Cláudio em que o autor "invade" habilmente o mundo de Bernardo Soares, ganhou uma tradução para Italiano, através da editora Morlacchi.
A tradução esteve a cargo do Professor Brunello De Cusatis, responsável pela cátedra de Literaturas Portuguesa e Brasileira da Universidade de Perugia. Notícia via Pravda.ru

O ISLA vai dedicar um seminário ao tema Pessoa: Poeta e Publicitário.
Dia 16 de Junho, será inaugurada a "Sala Fernando Pessoa" no ISLA, com a participação dos seus dois sobrinhos, Manuela Nogueira e Luis Rosa Dias. Os mesmos estarão depois à tarde numa tertúlia que pretende reunir testemunhos de pessoas que conheceram o poeta.
Dia 19 de Junho, haverão duas sessões de trabalho, uma dedicada à "poesia" e outra ao trabalho "publicitário", com apresentações de conhecidos investigadores Pessoanos, como Mega Ferreira, Teresa Rita Lopes e Ana Freitas.
O programa pode ser consultado aqui.

O anúncio desta vez é oficial, e já foi publicitado no ar pela RTP.Será amanhã, sexta-feira, dia 22 de Maio, às 21h11, na RPT2, que a série documental "Grandes Livros" abordará o "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa.
La SeladaNe l miu prato que mistura de Natureza!Mies armanas las yerbas,Cumpanheiras de las fuontes, las santasA quien naide le reza…I córtan-las i bénen a la nuossa mesaI ne ls houteles ls huospedos albrotados,Que chégan cun correias tenendo mantasPíden «selada», çcuidadosos…Sien pensar que le eisígen a la Tierra-MaiSou frescor i sous filhos purmeiros,Las purmeiras berdes palabras que eilha ten,Las purmeiras cousas bibas i queloradasQue Noé biuQuando las augas abaixórun i la punta de ls montesBerde i alhagada apareciuI ne l aire por adonde la palomba apareciuLa cinta de la bielha se zliu…]
Mais poemas de Pessoa em Mirandês, aqui. Traduzidos por Amadeu Ferreira.
Notícia via JN

"A Vida Sexual de Fernando Pessoa", agora editado em Portugal, foi originalmente publicado em 1994 em Catalão e foi premiado com o XLII Prémi València de Literatura.O pequeno volume (com 150 páginas) contém cinco textos, de outras tantas personagens Pessoanas: Reis, Caeiro, Soares, Search e Campos. O que os liga a todos, mesmo vindos de tão díspares autores, é a sua temática sexual.Não se trata de inéditos de Pessoa, como sugerem o(s) autor(es), mas bem podiam sê-lo, porque por vezes sentimo-nos devidamente enquadrados no estilo e na energia de cada um deles, ao ponto de podermos esquecer que esta será de facto uma obra de pura ficção.Dissémos já o suficiente para certamente colocar esta obra numa categoria à parte nas Edições Pessoanas mais recentes. Julgo mesmo que apenas mais uma se lhe aproxima: "O Virgem Negra" de Mário Cesarinny. Mas passemos a uma leitura mais cuidada da mesma, vendo cada um dos textos que ela contém:O livro inicia-se com o um texto de Ricardo Reis que marca o tom de todo o resto do livro. Reis é invocado por Pessoa no "Dia Triunfal" que depois o encarrega da missão terrível de descobrir o mistério do sexo, levando-o a deambular pelos recantos mais sujos de Lisboa. Sem desvendarmos mais, podemos dizer que Reis surpreende tudo e todos na sua missão. A escrita, belíssima, deixa-nos em choque mas ao mesmo tempo diverte-nos e nunca deixa de nos seduzir para uma visão unisitada de um Reis que nem mesmo Saramago imaginara deitado a tais preparos.Se o texto de Reis é certamente o melhor do livro, o que se segue, de Caeiro, dá um bom seguimento à "narrativa". Reis é sobretudo heróico no seu esforço - se bem que continue algo desligado da realidade, não se lhe escapa o significado do que faz. Já Caeiro mostra-se em todo o seu esplendor num "sonho branco" magnífico, que mistura doença e volúpia. Imagine-se a "ilusão dos sentidos doentes" aplicada eroticamente e teremos uma noção deste outro texto, que também impressiona, agora mais por ser rígido e simples. Um verdadeiro sonho erótico branco de Caeiro, que surpreende e deixa um sentimento claro que nos toca, que nos emociona.Chegados ao terceiro texto, estaremos preparados para tudo... pensamos nós. Mas eis senão quando aparece Bernardo Soares. O texto de Soares reserva uma divertida e imaginativa metáfora para a sua carreira de "escrivante". Soares fica em crise no emprego, mas coisas estranhas - e fitishistas - se passam na sua vida pessoal. Aqui faz a aparição uma misteriosa Olga, que talvez seja a mesma que Pessoa pensaria que lhe tiraria a virgindade...O quarto texto, de Search, é igualmente original. Depois das proezas de Reis, do "testamento" de Caeiro e do fetishe de Soares, Search apresenta-nos os elementos mais infantis da sexualidade. É no barco para Durban que o jovem Alex vê a sua mãe envolvida num escândalo Polaco, que simultaneamente o desperta para a sua própria sexualidade... O livro termina porventura com os textos menos inspirados, de Álvaro de Campos. São três cartas que ele escreve, a Sá-Carneiro, Ofélia e ao próprio Pessoa. No entanto a leitura das mesmas não nos deixou a mesma impressão de novidade dos quatro textos anteriores, que porventura deixaram a fasquia demasiado alta para tão anticlimático final. Esperar-se-ia algo mais original para quem afinal seria o heterónimo mais exuberante e emocional.No entanto, a súmula do que lemos não pode deixar de nos impressionar. Apesar da linguagem imprópria para menores de 18 anos, a escrita em muitos pontos diverte-se com a sua própria temática, só para de seguida nos lembrar da humanidade de um homem que foi levado - sobretudo pelos académicos - aos píncaros da idealização. Salomó Dori (seja apenas um ou vários personagens ele mesmo) traz-nos Pessoa de volta à carne e mostra-o (esfrega-o?) na cara do "mundo académico e bem-pensante e a crítica lambe-cus" - usando as palavras do próprio autor, não havendo maneira de o ignorarmos e de pensarmos nele também assim.