segunda-feira, maio 25, 2009

Pessoa: Maio 2009



Fernando Pessoa, no mês de Maio, num calendário Outubro 2008/Dezembro 2009, do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem. Ilustração de Rui Pimentel.

Clicar na imagem para visualizar em alta resolução.

Via Divulgando Banda Desenhada

quinta-feira, maio 21, 2009

Grandes Livros: "O Livro do Desassossego"



O anúncio desta vez é oficial, e já foi publicitado no ar pela RTP.

Será amanhã, sexta-feira, dia 22 de Maio, às 21h11, na RPT2, que a série documental "Grandes Livros" abordará o "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa.

quarta-feira, maio 20, 2009

"A Salada", de Caeiro, em Mirandês

La Selada

Ne l miu prato que mistura de Natureza!
Mies armanas las yerbas,
Cumpanheiras de las fuontes, las santas
A quien naide le reza…

I córtan-las i bénen a la nuossa mesa
I ne ls houteles ls huospedos albrotados,
Que chégan cun correias tenendo mantas
Píden «selada», çcuidadosos…

Sien pensar que le eisígen a la Tierra-Mai
Sou frescor i sous filhos purmeiros,
Las purmeiras berdes palabras que eilha ten,
Las purmeiras cousas bibas i queloradas
Que Noé biu
Quando las augas abaixórun i la punta de ls montes
Berde i alhagada apareciu
I ne l aire por adonde la palomba apareciu
La cinta de la bielha se zliu…]

Mais poemas de Pessoa em Mirandês, aqui. Traduzidos por Amadeu Ferreira.

Notícia via JN

domingo, maio 17, 2009

Uma crítica de "A Vida Sexual de Fernando Pessoa"



"A Vida Sexual de Fernando Pessoa", agora editado em Portugal, foi originalmente publicado em 1994 em Catalão e foi premiado com o XLII Prémi València de Literatura.

O pequeno volume (com 150 páginas) contém cinco textos, de outras tantas personagens Pessoanas: Reis, Caeiro, Soares, Search e Campos. O que os liga a todos, mesmo vindos de tão díspares autores, é a sua temática sexual.

Não se trata de inéditos de Pessoa, como sugerem o(s) autor(es), mas bem podiam sê-lo, porque por vezes sentimo-nos devidamente enquadrados no estilo e na energia de cada um deles, ao ponto de podermos esquecer que esta será de facto uma obra de pura ficção.

Dissémos já o suficiente para certamente colocar esta obra numa categoria à parte nas Edições Pessoanas mais recentes. Julgo mesmo que apenas mais uma se lhe aproxima: "O Virgem Negra" de Mário Cesarinny. Mas passemos a uma leitura mais cuidada da mesma, vendo cada um dos textos que ela contém:

O livro inicia-se com o um texto de Ricardo Reis que marca o tom de todo o resto do livro. Reis é invocado por Pessoa no "Dia Triunfal" que depois o encarrega da missão terrível de descobrir o mistério do sexo, levando-o a deambular pelos recantos mais sujos de Lisboa. Sem desvendarmos mais, podemos dizer que Reis surpreende tudo e todos na sua missão. A escrita, belíssima, deixa-nos em choque mas ao mesmo tempo diverte-nos e nunca deixa de nos seduzir para uma visão unisitada de um Reis que nem mesmo Saramago imaginara deitado a tais preparos.

Se o texto de Reis é certamente o melhor do livro, o que se segue, de Caeiro, dá um bom seguimento à "narrativa". Reis é sobretudo heróico no seu esforço - se bem que continue algo desligado da realidade, não se lhe escapa o significado do que faz. Já Caeiro mostra-se em todo o seu esplendor num "sonho branco" magnífico, que mistura doença e volúpia. Imagine-se a "ilusão dos sentidos doentes" aplicada eroticamente e teremos uma noção deste outro texto, que também impressiona, agora mais por ser rígido e simples. Um verdadeiro sonho erótico branco de Caeiro, que surpreende e deixa um sentimento claro que nos toca, que nos emociona.

Chegados ao terceiro texto, estaremos preparados para tudo... pensamos nós. Mas eis senão quando aparece Bernardo Soares. O texto de Soares reserva uma divertida e imaginativa metáfora para a sua carreira de "escrivante". Soares fica em crise no emprego, mas coisas estranhas - e fitishistas - se passam na sua vida pessoal. Aqui faz a aparição uma misteriosa Olga, que talvez seja a mesma que Pessoa pensaria que lhe tiraria a virgindade...

O quarto texto, de Search, é igualmente original. Depois das proezas de Reis, do "testamento" de Caeiro e do fetishe de Soares, Search apresenta-nos os elementos mais infantis da sexualidade. É no barco para Durban que o jovem Alex vê a sua mãe envolvida num escândalo Polaco, que simultaneamente o desperta para a sua própria sexualidade...

O livro termina porventura com os textos menos inspirados, de Álvaro de Campos. São três cartas que ele escreve, a Sá-Carneiro, Ofélia e ao próprio Pessoa. No entanto a leitura das mesmas não nos deixou a mesma impressão de novidade dos quatro textos anteriores, que porventura deixaram a fasquia demasiado alta para tão anticlimático final. Esperar-se-ia algo mais original para quem afinal seria o heterónimo mais exuberante e emocional.

No entanto, a súmula do que lemos não pode deixar de nos impressionar. Apesar da linguagem imprópria para menores de 18 anos, a escrita em muitos pontos diverte-se com a sua própria temática, só para de seguida nos lembrar da humanidade de um homem que foi levado - sobretudo pelos académicos - aos píncaros da idealização. Salomó Dori (seja apenas um ou vários personagens ele mesmo) traz-nos Pessoa de volta à carne e mostra-o (esfrega-o?) na cara do "mundo académico e bem-pensante e a crítica lambe-cus" - usando as palavras do próprio autor, não havendo maneira de o ignorarmos e de pensarmos nele também assim.

O livro pode ser adquirido online, na editora ou também aqui.
Agradecimentos à Editora Palimpsesto pelo envio de um exemplar para análise no blog.

sexta-feira, maio 15, 2009

2 novas edições Pessoanas

Temos o prazer de anunciar mais duas novidades editoriais Pessoanas:



"Fernando Pessoa - O Guardador de Papéis", reúne as conferências efectuadas na Casa Fernando Pessoa em Junho de 2008, e conta com alguns textos inéditos que foram referidos nas mesmas. Edição da Texto Editora.



"Cadernos", tomo I, é mais uma edição crítica (o volume XI), que reúne os textos dos primeiros 10 cadernos de Pessoa que foram adquiridos à família. Vão-se seguir outros tomos com os restantes. Apresentação e edição a cargo do Prof. Jerónimo Pizarro. Primeiras 12 páginas podem ler lidas aqui.

quinta-feira, maio 14, 2009

Sobre Obras Raras de Pessoa



Quando acaba de ser lançado mais um volume da Edição Crítica de Pessoa - "Sensacionismo e outros ismos", que será apresentada dia 20 na Casa Fernando Pessoa - somos tentados a elaborar uma pequena opinião sobre o crescente problema da acessibilidade dos estudos Pessoanos à maioria dos investigadores.

Em recente conversa com um investigador Italiano, Marco Pasi, tivemos oportunidade de observar a crescente dificuldade que todos sentimos em encontrar volumes esgotados sobre Fernando Pessoa. Ilustramos precisamente este nosso artigo com o "santo graal" dos alfarrabistas, "Pessoa por Conhecer" de Teresa Rita Lopes - uma edição que nem chega às montras dos ditos estabelecimentos, logo sujeita a pré-reserva antecipada e escrita em farrapos de papel guardados numa gaveta antiga que serve de secretária.

Ora, num país que edita centenas de livros por mês, facilmente se compreende que não haja muito espaço para reedições, mesmo com procura assegurada, porque os novos títulos engolem os antigos e parece haver uma necessidade quase doentia de manter novidades nas prateleiras.

Mas o resultado final são edições de quase impossível acesso à vasta maioria de quem precisa de ter acesso às mesmas e que não tirará o mesmo proveito delas numa biblioteca, por mais cómoda que seja. Marco Pasi perguntava-me se conhecia uma boa livraria com livros sobre Pessoa e eu não consegui indicar-lhe uma, além dos alfarrabistas do Chiado ou do Porto... o facto é que encontrar "aquele livro" é uma questão de pura sorte, e por contraposição de azar de outro que o perde por horas, ou dias.

Este problema põe-se com todos os livros publicados sobre Pessoa, (mesmo a Edição Crítica) geralmente com tiragens pequenas e quase nunca com reedições atempadas. Aliás, um fenómeno que vem da primeira grande biografia, a de Gaspar Simões e que teima em não se resolver, para desespero de quem as procura.

Pensei que a solução poderia passar por uma base de dados de obras esgotadas, online, de livre acesso, uma espécie de Biblioteca Alexandrina Pessoana. Os autores ganhariam por terem as suas obras disponíveis novamente (sem edições eles não lucram com elas) e os leitores achariam o que procuravam. Isto em PDF ou outro qualquer formato E-Book. Mas claro que este projecto depende de muito factores, o menor dos quais não será o apoio dos editores e a questão legal dos direitos de autor. No entanto vejo toda a valia em abrir a porta à discussão quanto a este tema, colocando à disposição o nosso email para todos os pontos de vista.

quarta-feira, maio 13, 2009

"O Marinheiro", no Sesc Acre (Brasil)



O
Sesc Acre apresenta, dia 16, o espectáculo "O Marinheiro", às 20h no Teatro de Arena do Sesc.
Provavelmente é a vez que a dramaturgia de Pessoa se aproxima tanto do Amazonas (o Estado mesmo ao lado do Acre, no Brasil). O grupo responsável pela encenação é mesmo o Grupo Cacos de Teatro do Amazonas.

Pelas fotos (belíssimas) do espectáculo pareceu-nos uma encenação bastante original e destaca-se o facto de terem apenas duas veladoras, em vez de três, embora não seja claro o impacto desta decisão no fluir da peça.

Notícia via Agência de Notícias do Acre