sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Colóquio Internacional "Le Futurisme et les Avant-gardes au Portugal et au Brésil"



Nos dias 29 e 30 de Outubro, a Universidade Paris-Sorbonne (Paris IV) e o Centro Cultural Português - com o apoio do Instituto Camões - vão organizar um colóquio internacional dedicado ao tema "O futurismo e o avant-garde em Portugal e no Brasil".

Pretende-se assim comemorar os 100 anos da publicação do Manifeste Futuriste de Marinetti e sobretudo a influência do mesmo na cultura avant-garde Portuguesa e Brasileira, nas suas diversas manifestações intelectuais e estética, entre as quais se destacou a geração de Orpheu.

Segundo apurámos, a lista de participantes é a seguinte:

Nuno Júdice (Universidade Nova)
Maria Antónia Sá Reis (Universidade do Porto)
Fernando Cabral Martins (Universidade Nova)
Rui Mário Gonçalves (Universidade de Lisboa)
Dionísio Vila Maior (Universidade de Coimbra)
Clara Rocha (Universidade Nova)
Eliane Moraes (PUC, São Paulo, Brasil)
Fernando Paixão (PUC, São Paulo, Brasil)
Anibal Frias (Universidade de Coimbra)
Pierre Rivas (Universidade de Paris X)
Lucette Petit (Universidade Paris-Sorbonne /Paris IV)
Maria Graciete Besse (Universidade Paris-Sorbonne /Paris IV)
José Salgado (Universidade Paris-Sorbonne /Paris IV)
José Leonardo Tonus (Universidade Paris-Sorbonne /Paris IV)
Fernando Curopos (Universidade Paris-Sorbonne /Paris IV)
Maria Araujo da Silva (Universidade Paris-Sorbonne /Paris IV)
Cristina Vieira (Universidade Beira Interior)
Silvia Contarini (Universidade Paris X)
Alberto da Silva (doutorando na Universidade Paris IV)
Pedro Martins (doutorando na Universidade Paris III)
Celina Silva (Universidade do Porto)
José Augusto França (Universidade Nova)
Leyla Peyrrone Moisés (Universidade de São Paulo, Brasil)
Fatima Freitas Morna (Universidade de Lisboa)
Teresa Rita Lopes (Universidade Nova)
Manuela Parreira (Universidade Nova)
Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto)
Richard Zenith (Universidade Nova)

Festival "Pessoa nos Países Baixos"



A Fundação Poëziecircus promove um ciclo dedicado a Fernando Pessoa, nos Países Baixos, de 1 a 31 de Março de 2009, intulado Festival "Pessoa nos Países Baixos", com o apoio do Instuituto Camões. Terão lugar actividades nos domínios da literatura, recitação de poesia, mostra cinematográfica, artes plásticas e teatro, na cidade de Utreque.

Curiosamente, numa notícia relacionada, foram encontrados recentemente textos inéditos de Pessoa, em que ele expressa opiniões (pouco abonatórias) sobre a Holanda e a Bélgica.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

"A Carta da Corcunda ao Serralheiro" em Silves



No próximo dia 28 de Fevereiro, Inês Pedrosa e Ângela Pinto levam o monólogo "A Carta da Corcunda ao Serralheiro"
, que já passou pela Casa Fernando Pessoa, a Silves. A apresentação será na Biblioteca Municipal de Silves, pelas 21h e marca a estreia nacional deste monólogo.


Não tive oportunidade de ver a interpretação de Ângela Pinto, mas a interpretação de Emília Silvestre na peça de teatro "Turismo Infinito", impressionou-me deveras. Aliás, com esta, são já pelo menos 3 as interpretações que conhecemos - acrescentamos às duas anteriores, a de Maria do Céu Guerra, cujo mp3 pode ser ouvido (em sample) e comprado aqui.

Ps: já que a Casa Fernando Pessoa de certo modo está em destaque nesta notícia, aproveitamos também para dar os parabéns pelos 3 anos do blog Mundo Pessoa que se comemoram hoje.

Notícia via Barlavento Online

domingo, fevereiro 22, 2009

Morreu Lagoa Henriques



Mestre Lagoa Henriques era um dos maiores escultores portugueses. Autor da estátua de tributo a Pessoa, em frente à Brasileira do Chiado, inaugurada em Junho de 1988 e do monumento funerário ao poeta no Mosteiro dos Jerónimos que data de 1985.

Tinha uma relação especial com Pessoa, como revelou nesta entrevista à SPA.

Foto: "Pessoa" by Joe Lee

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Opiário + Tabacaria & 3 sonetos & Notas para a Recordação do meu Mestre Caeiro, de Álvaro de Campos



Caeiro é a fronteira porque passam todos os heterónimos pessoanos, o delimitador da genialidade de cada um, pois é com Caeiro que eles encontram a sua real voz interior.
Foi assim principalmente com Campos - que depois de Caeiro se tornou verdadeiramente um futurista.

É com este backdrop que Nuno Meireles nos apresenta o seu último projecto "teatral", intitulado "Opiário + Tabacaria & 3 sonetos & Notas para a Recordação do meu Mestre Caeiro, de Álvaro de Campos". Durante 55 minutos e com música de Tchaikovski e Rakhmaninov, Nuno Meireles vai aproximar-se mais uma vez de Pessoa, amanhã, dia 21 de Fevereiro, pelas 22h45 na Contagiarte.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Uma crítica da Fotobiografia de Fernando Pessoa



Uma nova fotobiografia de Fernando Pessoa é certamente um evento editorial. Mas simultaneamente será uma aventura. Afinal qualquer edição deste género terá de se avaliar frente-a-frente com a magnífica fotobiografia de Maria José de Lencastre, editada originalmente em 1981 pela Imprensa Nacional Casa da Moeda.

Houve apenas uma edição que de algum modo se intrometeu pelo meio - Fernando Pessoa, imagens de uma vida, de Manuela Nogueira, a sobrinha do poeta que escreveu um texto mais pessoal em volta de algumas imagens inéditas do poeta, sobretudo de infância.

Já em 2009, não haveria grande fundo fotográfico inédito que explorar. Tanto é assim que a presente fotobiografia anunciou "apenas" uma foto inédita: esta, do funeral de Pessoa, que não chegou a ser publicada pelo Diário de Notícias e que mostra a procissão funerária à porta da capela do cemitério dos Prazeres, com o féretro pronto para a sua última viagem para o jazigo da sua avó louca Dionísia, morta em 1907. O texto identifica apenas António Ferro, atrás do caixão, mas lá estarão (mesmo se invisíveis) pelo menos Luís de Montalvor e Almada Negreiros, entre outros.

Diga-se que a fotografia em questão não vale pela nova fotobiografia, apesar de ter o seu interesse mórbido muito próprio.

A organização da edição, segue o padrão cronológico inevitável. Incluem-se todas as fotografias que já conhecemos das fotobiografias anteriores. Pena é que as resoluções das mesmas sejam muito incoerentes ao longo do livro, misturando-se versões em sépia com versões monocromáticas, o que gera algum desconforto visual. Ou seja, há fotografias muito fortes e impactantes e na página seguinte fotografias com baixa resolução que, em contraste, surgem muito fracas.

Interessante, no entanto, as fotografias dos ascendentes, que demonstram bem a tal classe média alta onde Pessoa nasceu.

Igualmente interessante as imagens de contexto - sobretudo as africanas, que deixam compreender melhor o ambiente que Pessoa vivenciou. As visitas de Gandhi e Churchill à África do Sul, bem ilustradas, devem ter impressionado o jovem português, ainda adolescente.

Aliás, as representações dos ambientes será um dos pontos fortes desta nova edição, sejam as terras por onde Pessoa passou, os cafés que frequentou (uma das melhores secções do livro) ou mesmo as fotografias dos seus companheiros, da sua entourage literária e "familiar".

Uma nota importante também para a secção "Corpo em movimento", em que a fotobiografia aborda as polémicas fotografias em sucessão, que têm feito surgir algumas dúvidas se se tratavam de filmes ou apenas de sucessão de fotografias instantâneas. Zenith esclarece:

"(...) alguns fotógrafos à época adoptaram esse estilo de abordar os clientes. Tiravam fotos - muitas vezes em série, com três ou mais imagens sucessivas - de transeuntes, para depois procurarem vender ao visado pelo menos uma delas, à escolha".

Os "filmes Pessoa" revelam-se afinal apenas como sucessões de fotos instantâneas, como as que a uma época ainda se tiravam em Lisboa, por exemplo nos anos 80 no Jardim Zoológico. Pena é que as fotos aqui publicadas estejam cortadas pelas páginas, o que se revelou como uma má opção para a leitura das mesmas.

Mais duas notas de mérito, mais à frente:

"Alvo da censura" revela alguns documentos inéditos interessantes da censura relativamente à actividade literária de Fernando Pessoa, nomeadamente o seu artigo de defesa da maçonaria.

"O poeta que ainda vive" fecha o livro mostrando a maneira como Pessoa se tornou uma figura icónica, um verdadeiro objecto artístico, explorado à exaustão, por inúmeros artistas, utilizando as mais variadas artes. No entanto, de maneira algo estranha, foi esquecida a vertente multimédia e hipermédia (internet).

Não falámos ainda do texto que acompanha as fotografias, de Richard Zenith, que cumpre bem a sua função e nunca se torna demasiado complexo. Temos de entender o público alvo desta edição, que não será propriamente os estudiosos hard core do poeta, mas é muito mais alargado. Tendo isso em consideração o texto serve muito bem a sua função, é sintético e simples de ler, mas ao mesmo tempo completo e arranja mesmo tempo para pormenores de maior profundidade.

Em resumo penso que se trata de uma fotobiografia não propriamente inovadora, mas certamente moderna e que é de louvar. Mas não ficámos com a mesma impressão de rigor e precisão que nos dá a fotobiografia de Maria Lencastre, que, a nosso ver, não foi destronada. A principal razão parece-nos ter sido a intenção de atingir um público mais alargado e não propriamente de ter um objectivo mais claro de atingir uma grande qualidade editorial.

Seria interessante - e fica aqui apenas a vaga sugestão, ver uma fotobiografia que juntasse a visão mais pessoal de Manuela Nogueira com a precisão editorial da edição de 1981. Ou seja, um texto mais intímo e menos seco, com fotografias com alta qualidade e documentos certos para ilustrar todas as épocas da vida do poeta.

Agradecimentos à Círculo de Leitores pelo envio de um exemplar para análise no blog.