Acabei de assistir à palestra dada por Manuela Nogueira, sobrinha de Fernando Pessoa, na Biblioteca de São Domingos de Rana, em directo para o mundo virtual Second Life.
Ficam aqui as minhas impressões imediatas, com a esperança de vir a obter uma gravação do evento para futura publicação no blog.
A palestra em si não foi muito inovadora, mas na altura das perguntas do público tive a oportunidade de colocar algumas a Manuela Nogueira, nomeadamente:
1. Como estariam os contactos com o Ministério da Cultura, face à possibilidade de venda directa do remanescente do espólio ainda em posse da família?
A resposta não foi directa. Mas percebeu-se que o leilão do passado mês de Novembro serviu principalmente para aferir dos valores futuros que a família pode reclamar. Ou seja, a família quis ver na realidade qual o valor de mercado de determinadas peças, para mais tarde poder negociar com o Estado de forma mais equitativa.
2. Quanto à questão do livro do DaCosta, e da conversa Agostinho da Silva/Pessoa:
A opinião de Manuela Nogueira é que Pessoa não fingiu os seus sentimentos em relação a Ophélia. Mas como ela própria disse, a opinião nasce do seu contacto com as cartas trocadas entre ambos e nada mais tangível do que isso.
3. Fiz uma pergunta sobre a importância de Cascais para o poeta:
A resposta foi interessante. Cascais seria uma espécie de hipótese poética para Pessoa, uma terra algo distante onde poderia ter paz. Aliás, como Manuela Nogueira disse, nas suas visitas ao Estoril, à cada da irmã, várias vezes o poeta se entretinha descansado apenas a ver o mar - numa dessas visitas, o marido da irmã terá mesmo tido de ir em busca de Pessoa, que tinha deixado passar o tempo e se tinha pura e simplesmente esquecido de regressar a casa.
4. Para terminar, com tinha Manuela Nogueira sido afectada enquanto poeta e como gostava de ser recordada?
Face a uma pergunta mais pessoal, Manuela Nogueira respondeu sinceramente dizendo que de facto sempre sentiu o peso da herança Pessoana. Ser sobrinha de um poeta da magnitude de Pessoa foi para ela um peso, sobretudo porque ela também escrevia desde muito jovem. Mas agora, já no "fim da vida", o peso foi-se diluindo.