terça-feira, janeiro 15, 2013

"Philosophical Essays: A Critical Edition" - Uma Apreciação Crítica












"Philosophical Essays: A Critical Edition" é uma edição muito recente, de Nuno Ribeiro, apresentada em Inglês e publicada originalmente em Nova Iorque. O livro reúne muito material inédito ligado ao tema da filosofia e outro já publicado, mas sem critério editorial rigoroso. 

Ribeiro inicia o livro com uma curta biografia de Pessoa (com ênfase na educação Inglesa), o que se compreende visto o mercado editorial que se pretende atingir. De seguida explica o critério utilizado na edição e como a filosofia se enquadra na obra de Pessoa. 

Desde logo há que esclarecer que estes "ensaios filosóficos" são, estritamente falando, ensaios de juventude, atribuídos (ou atribuíveis) a personagens também elas de juventude como são Charles Robert Anon e Alexander Search. Julgo que isto é indicativo do que é verdadeiramente enganador na influência filosófica em Pessoa - entender que ele escreveu sobre filosofia e apenas isso. O preferível é perceber que ele teorizou sim sobre filosofia, sobretudo por interesse de abordagem inicial, mas que depois a filosofia se parece ter infiltrado na sua poesia. 

Embora publicações deste género sejam muito valiosas, elas trazem o perigo de reduzir o papel da filosofia na obra de Pessoa. Se olharmos apenas para o que ele escreveu explicitamente sobre o tema seremos sempre levados para textos demasiado simplistas e de juventude, que lhe serviram sobretudo como aprendizagem (como quem escreve e copia para memorizar e compreender sistematicamente). 

Embora haja muito mérito nesta recolha e edição criteriosa, gostaríamos de ter visto o autor ir mais longe e relacionar de mais perto os "ensaios" com a obra. Por exemplo, em que medida a visão racionalista de Pessoa (expressa em vários destes textos) influiu na sua poesia ortónima, sintética e ela própria racional. Ou então, o que era para ele uma sensação antes de construir o sensacionismo?

Seria de grande interesse perceber como estas sombras de forma iniciais influenciaram as construções posteriores, enquanto fundações de algo maior. Talvez não coubesse no volume actual, mas traria um enorme valor acrescentado, nem que fosse num estudo apenso (que poderia muito bem substituir o posfácio de Paulo Borges, que nada acrescenta). 

Agradecemos a Nuno Ribeiro o envio de um exemplar para análise