quinta-feira, junho 02, 2011

"Crónicas da Vida que Passa" - Uma Apreciação Crítica



Muitos dos admiradores da obra de Pessoa ignoram que em vida ele foi um interveniente político em polémicas do seu dia-a-dia. Seja usando o seu próprio nome ou escrevendo sobretudo enquanto Álvaro de Campos, Fernando Pessoa fez publicar crónicas e opiniões em jornais, enviou cartas e mensagens, publicou manifestos, artigos e panfletos.

O volume que agora analisamos, com edição a cargo de Pedro Sepúlveda e intitulado "Crónicas da Vida que Passa" reúne os textos publicados por Pessoa numa coluna com o mesmo nome numa "folha", chamada precisamente O Jornal, no ano de 1915, logo depois de ter saído o primeiro número de Orpheu.

Num pormenor que muito nos agradou, são incluídas imagens digitalizadas as páginas do jornal onde as crónicas apareceram, dando-lhes um carácter mais concreto e real. O editor também inclui alguns textos inéditos, preparatórios das crónicas, que nos indicam o trabalho inicial do poeta.

De referir que a colaboração de Pessoa com O Jornal terminou repentinamente (como a maior das actividades estritamente extra-literárias dele sempre terminavam) com uma polémica em torno da sua última crónica. Esta menciona a classe dos chauffers que se indignou directamente ao director da publicação, levando a que este "despedisse" Pessoa do cargo que ocupava. Pessoa tinha ainda dactilografado duas crónicas que nunca publicou e que ficaram inéditas até depois da sua morte (também incluídas nesta edição).

Este volume pode ser adquirido online neste link.

Agradecimentos a Pedro Sepúlveda pela disponibilização de um exemplar para análise.