segunda-feira, junho 28, 2010

Fernando Pessoa e Constantine Cavafy



Fernando Pessoa é um poeta único no Século XX Português e Europeu. No entanto houve um outro poeta da sua época, com o qual ele partilhou, sem o saber, grandes semelhanças. Esse poeta, nascido na Grécia em 1863 chamava-se Constantine Cavafy.

As semelhanças entre Pessoa e Cavafy são, em certa medida assustadoras:
  • O pai de Cavafy morreu quando ele tinha 7 anos (o pai de Pessoa morreu quando ele tinha 5). Tinha seis irmãos, Pessoa teve cinco.
  • Pouco depois da morte do pai a família foi forçada a mudar de casa (de Inglaterra para Alexandria). Com Pessoa ocorreu algo similar, de Lisboa para Durban. Em ambos há uma grande influência da literatura Inglesa.
  • Cavafy foi jornalista e funcionário público (Pessoa escreveu para jornais e mantinha emprego mais ou menos regular em escritórios).
  • Os temas mais abordados por Cavafy eram relacionados com patriotismo, cristianismo e homossexualidade (Pessoa também mostrava preferência por estes, embora fosse mais abrangente na sua escrita). Cavafy escrevia também sempre com uma grande nostalgia.
  • A sua escrita era vista como muito inconvencional para a sua época, tal como a de Pessoa.
  • Embora tenha tido algum reconhecimento em vida, é apenas agora, passados cerca de 70 anos da sua morte, que ele começa realmente a ser reconhecido.
Além disto tudo, aconselho que se olhe com cuidado para a foto que coloquei de Cavafy, especialmente o bigode e os óculos, muito similares aos de Pessoa.

Deixo, para final das coincidências um dos textos mais conhecidos de Cavafy, chamado "Muros", numa tradução minha (do Inglês). Certamente que não terei de vos indicar as semelhanças com muitos dos textos mais confessionais de Fernando Pessoa:

Sem consideração, sem piedade, sem vergonha
eles construíram grandes e altos muros à minha volta.

E agora eu sento-me aqui e desespero.
Não consigo pensar em mais nada: este destino corrói-me a mente;

Porque eu tinha tantas coisas para fazer lá fora.
Ah porque é que eu não prestei atenção enquanto eles construíam os muros.

Mas eu nunca ouvi qualquer barulho ou som de construção.
Imperceptivelmente eles fecharam-me do mundo exterior.