quinta-feira, dezembro 03, 2009

75 anos da Mensagem - O Debate

Publicamos agora o vídeo (em duas partes) do debate realizado no passado dia 1 de Dezembro de 2009 na Biblioteca Nacional, em Lisboa, nas comemorações dos 75 anos da "Mensagem" de Fernando Pessoa. Neste debate intervieram Manuel Alegre, Eduardo Lourenço e Vasco Graça Moura.

Não posso deixar de dar também a minha opinião sobre o que foi dito no debate (e visto que não participei no mesmo). Queria sobretudo dar a minha opinião sobre duas coisas que foram ditas por Graça Moura (que é um conhecido "anti-pessoano"): 1) que a Mensagem "copiava" obras anteriores, nomeadamente livros de Mário Beirão, sendo um rol confuso de personagens e de poemas com datas demasiado dispersas; 2) que Pessoa deixou Camões de fora da Mensagem propositadamente, por despeito.

Quanto ao ponto 1), Lourenço deu uma boa resposta, falando na "História de Portugal" de Oliveira Martins. Mas eu acrescentava: que todos os autores copiam obras anteriores; dê por onde der, também os Lusíadas, enquanto epopeia, é uma cópia em forma dos livros de Homero por exemplo. Mas é importante também perceber que Pessoa sobretudo "copia" os Lusíadas, porque tem de os enfrentar, se quer realmente ser o maior poeta Português de sempre. Em vez de despeito, Pessoa sabia claramente que Camões era "o poeta" e se ele queria essa posição, teria de o deslocar dela. Pessoa aliás trava uma "guerra" muito similar com Shakespear.

O ponto 2) seria mais simples de entender se os presentes pensassem que tipo de Sebastianismo há nos Lusíadas e na Mensagem. Penso (e foi a opinião que dei no meu livro "As Mensagens da Mensagem"), que Camões foi "excluído" porque escrevia para um D. Sebastião vivo. Logicamente não poderia estar no mesmo rol de Bandarra e Vieira... O seu Sebastianismo era outro. (Além do mais, veja-se o ponto 1) e considere-se que Camões estava a ser desafiado).