
"La Nada Luminosa", um ensaio escrito pelo Colombiano Carlos Vasquez, aborda, de uma perspectiva poético-filosófica, a obra "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro.
A principal premissa do estudo de Vasquez é que Caeiro nos diz que a poesia, muito mais do que a prosa, é a ferramenta mais adequada a filosofar. Sobretudo porque a poesia pode ser uma maneira de abandonarmos de modo mais definitivo a realidade: "La experiencia poética no dice la hermandad, la solidaridad del ser en las palabras. Abandona las cosas al desamparo de existir" (p. 25).
Ou seja, o livro de Caeiro é visto como essencialmente sendo uma tentativa do "Mestre" levar ainda mais longe a despersonalização Pessoana, ao ponto do "não existir". A realidade do "Guardador de Rebanhos" torna-se, em verdade, numa "irrealidade" (p. 33). É a visão (a "mirada") de Caeiro que traz esta consciência, de que as coisas apenas existem como são, e que essa solidão ontológica advém de as coisas apenas serem assim, sem relação umas com as outras.
Certamente um ponto a favor deste livro pode ser agora destacado: o seu foco no facto de "O Guardador" ser um livro essencialmente ontológico (p. 59), debruçando-se sobre o problema da existência. Embora tendamos a discordar com o método utilizado por Vasquez, que torna a leitura do seu livro algo confusa (sobretudo face a um objecto de análise tão genialmente simples), temos de aplaudir a primeira leitura que vemos de Caeiro nestes moldes, e por um estudioso estrangeiro. Na nossa própria análise chegamos inicialmente a similares conclusões.
Ficamos no entanto felizes de ver um estudo filosófico de Pessoa (neste caso de Caeiro), que nos mostra claramente a maneira como ele estava à frente (ou pelo menos na vanguarda) do seu tempo, abordando o nihilismo (p. 65) e um existencialismo pagão (p. 92) que em certos pontos supera mesmo o existencialismo ateísta de Nietzsche.
No entanto o livro de Vasquez podia ser mais directo e simples de ler. Não é tanto a linguagem filosófica que se torna um obstáculo (as referências a outros autores e/ou escolas de pensamento são escassas), mas sobretudo a organização do volume e a maneira como não se acompanha linearmente o próprio "Guardador" (que na nossa visão tem um princípio, meio e fim). Analisando assim transversalmente o livro de Caeiro, ficamos com também apenas com uma compreensão transversal do que Vasquez nos quer dizer (e que mesmo assim é demasiadamente repetida ao longo do texto). Mas é refrescante ler filosoficamente Pessoa, ver que há quem compreenda a importância do livro de Caeiro enquanto estudo filosófico por direito próprio e é sobretudo refrescante ver impressas ideias abordando "a poesia enquanto linguagem filosófica".
O livro já se encontra à venda, seguindo este link (site Colombiano).
A principal premissa do estudo de Vasquez é que Caeiro nos diz que a poesia, muito mais do que a prosa, é a ferramenta mais adequada a filosofar. Sobretudo porque a poesia pode ser uma maneira de abandonarmos de modo mais definitivo a realidade: "La experiencia poética no dice la hermandad, la solidaridad del ser en las palabras. Abandona las cosas al desamparo de existir" (p. 25).
Ou seja, o livro de Caeiro é visto como essencialmente sendo uma tentativa do "Mestre" levar ainda mais longe a despersonalização Pessoana, ao ponto do "não existir". A realidade do "Guardador de Rebanhos" torna-se, em verdade, numa "irrealidade" (p. 33). É a visão (a "mirada") de Caeiro que traz esta consciência, de que as coisas apenas existem como são, e que essa solidão ontológica advém de as coisas apenas serem assim, sem relação umas com as outras.
Certamente um ponto a favor deste livro pode ser agora destacado: o seu foco no facto de "O Guardador" ser um livro essencialmente ontológico (p. 59), debruçando-se sobre o problema da existência. Embora tendamos a discordar com o método utilizado por Vasquez, que torna a leitura do seu livro algo confusa (sobretudo face a um objecto de análise tão genialmente simples), temos de aplaudir a primeira leitura que vemos de Caeiro nestes moldes, e por um estudioso estrangeiro. Na nossa própria análise chegamos inicialmente a similares conclusões.
Ficamos no entanto felizes de ver um estudo filosófico de Pessoa (neste caso de Caeiro), que nos mostra claramente a maneira como ele estava à frente (ou pelo menos na vanguarda) do seu tempo, abordando o nihilismo (p. 65) e um existencialismo pagão (p. 92) que em certos pontos supera mesmo o existencialismo ateísta de Nietzsche.
No entanto o livro de Vasquez podia ser mais directo e simples de ler. Não é tanto a linguagem filosófica que se torna um obstáculo (as referências a outros autores e/ou escolas de pensamento são escassas), mas sobretudo a organização do volume e a maneira como não se acompanha linearmente o próprio "Guardador" (que na nossa visão tem um princípio, meio e fim). Analisando assim transversalmente o livro de Caeiro, ficamos com também apenas com uma compreensão transversal do que Vasquez nos quer dizer (e que mesmo assim é demasiadamente repetida ao longo do texto). Mas é refrescante ler filosoficamente Pessoa, ver que há quem compreenda a importância do livro de Caeiro enquanto estudo filosófico por direito próprio e é sobretudo refrescante ver impressas ideias abordando "a poesia enquanto linguagem filosófica".
O livro já se encontra à venda, seguindo este link (site Colombiano).