sexta-feira, novembro 28, 2008

Dia 3 do Congresso Internacional Fernando Pessoa



Editar Pessoa

O dia 3 do Congresso Internacional Fernando Pessoa iniciou-se com uma mesa dedicada ao tema "editar Pessoa". Cabral Martins falou sobre "The Mad Fiddler", enquanto Ivo Castro se debruçou sobre a sua especialidade: decifrar a escrita de Pessoa nos seus manuscritos. Muito interessante e actual a palestra de Castro, que não se coibiu de falar da dispersão do espólio e da sua opinião enquanto investigador do mesmo. Fica-se com uma clara noção do porquê o digital não bastar ao investigador sério, que precisa de ir mais longe, aos campos da filologia comparativa e da análise pericial de documentos.

Pizarro complementou as apresentações falando do processo de edição e dos exageros (e por oposto das omissões) cometidas por alguns editores de Pessoa. Por fim Leonor Areal apresentou o seu novo projecto: www.arquivopessoa.net. Um interessante site que agora reune a obra completa de Pessoa (publicada até 97, mas que promete ser progressivamente alargada).

Influência de Pessoa na cultura Portuguesa

Um interessante painel com Mega Ferreira (uma adição de última hora), Luísa Costa Gomes e João Botelho. Devo dizer que todas as apresentações foram úteis, embora eu destacasse Costa Gomes (que falou do seu projecto de adaptar as novelas policiárias de Pessoa à televisão) e de João Botelho que falou do seu cinema Pessoano, incluindo o novo "filme do desassossego", previsto para 2009 (e que será filmado na luz de Outono).

Outro Pessoa: o esotérico

De longe a mesa que eu tinha mais curiosidade em ver. Anes decepcionou-me um pouco, por andar demasiado ao redor do tema que o trazia ali: o esoterismo. No entanto teve alguns bons pormenores, embora demasiado disperso no seu discurso.

Paulo Cardoso fez uma notável apresentação do seu trabalho de 12 anos no espólio Pessoano. Já há algum tempo que me questionava dos resultados do mesmo e, embora tivesse ficado sem saber se haverá em breve alguma publicação mais profunda dos seus esforços, foi bom constatar que Cardoso leva (muito) a sério a sua "missão". Analisou os 27.000 fragmentos na BN e encontrou 2.650 de teor astrológico. Ficou a certeza que Pessoa era um astrólogo de grande nível - capaz de alta astrologia, nas palavras de Cardoso. Regeu a sua vida também pela astrologia e escapou-lhe a previsão da sua própria morte porque desconhecia com precisão devida a hora do seu próprio nascimento (falhou por 2 minutos).

Interessante saber que o dia triunfal é um dia de conjunção de Sol (vida) com Vénus (o destino).

Infelizmente não pude assistir à mesa Pessoa e a Psicanálise, devido ao atraso verificado no Congresso. Cardoso terminou a sua apresentação às 18h05 (com 1h05 de atraso).