quinta-feira, novembro 27, 2008

Dia 2 do Congresso Internacional Fernando Pessoa



Traduzir Pessoa

António Delgado fez um exposição interessante sobre a recepção da obra de Pessoa em Espanha. Destacou o facto da geração modernista espanhola - a geração de 27 - ter ignorado Pessoa, que só foi reconhecido anos mais tarde, no anos 40.

Quillier falou da tradução de Pessoa para Francês, na sua própria experiência. Quillier insistiu num ponto: o tradutor deve ouvir. O final foi tocante, com o tradutor a ler traduções suas, com excelente dramatização (especialmente em Campos).

Pessoa em diálogo com outros universos

Whitman, o poema "Ela canta pobre ceifeira" e e Joyce, foram os temas abordados, respectivamente por Nuno Júdice, Anna Klobucka e Inês Pinto Basto.

Júdice foi bastante sintético na sua análise, que, embora completa, pareceu falha de paixão particular. Já Anna mostrou uma análise demasiado técnica, que em momentos adormeceu a plateia. Pinto Basto brindou-nos com uma ironia falhada - comparando Marylin Monroe a ler Ulysses de Joyce ao desinteresse de Pessoa perante a mesma obra: não se compreende é mesmo a temática da conferencista, se a obra nem foi assim tão interessante para o poeta...

Homenagens

Foram prestadas homenagens a 3 pessoanos: Okasabe, Alieta Galhoz e Luciana Stegagno Piccio. Tocante a presença da mestre Galhoz, das primeiras pessoanas a estudar o Livro do Desassossego, já com avançada idade, elogiada pelo jovem discípulo Pizarro. Ficou a novidade que sairá em breve o Rubayat, da sua autoria, pela Imprensa Nacional Casa da Moeda.

Influência de Pessoa na cultura brasileira

Numa animada mesa, discutiram-se algumas perspectivas sobre a influência de Pessoa no Brasil. A apresentação mais interessante foi a da Professora Maria Del Farra, sobre Cecília Meireles, embora António Cícero tenha introduzido alguns temas interessantes, nomeadamente em redor da memória na poesia.

Ensinar Pessoa

O painel "Ensinar Pessoa" encerrou o dia com a presença de 3 professores catedráticos de literatura. Arnaldo Saraiva, no entanto, não pareceu muito preparado para falar de ensino - preferiu abordar o seu "Centro de Estudos Pessoanos", já extinto, sobre o qual divagou durante boa meia hora, ora em lamentos, ora em elogios rasgados. Perdoa-se (marginalmente) a arrogância, perante a obra feita.

Martinho e Amaral, falaram esses sim do ensino universitário de Pessoa. Mais interessante a palestra de Amaral, que falou decidido contra a tendência em ensinar os estereotipos poéticos. Pessoa não pode ser apresentado apenas como um poeta racional - este foi um ponto em que insistiu.